A questão do aborto… ou da despenalização?
Dezembro 18, 2006
Olá.
Tenho andado um pouco confuso com as reacções de algumas pessoas quando digo que vou votar “SIM” no próximo referendo. Fico com a sensação de que pensam que sou a favor do aborto, o que não sou!… Algumas dessas pessoas, pelo menos dizem-no em voz alta, o que me permite esclarecer que apenas sou a favor da despenalização.
O pior é que não vejo nenhuma acção de esclarecimento sobre o assunto em lado algum!
Os políticos não votam a sua opinião e opinam o que dá votos; em vez de ajudarem ao esclarecimento acrescentam ruído, fazendo campanhas como se a questão fosse política, abusando de palavras como “Família” e “Vida”, alguns, com provas dadas de um desconhecimento total do seu verdadeiro significado.
Por isso decidi criar este espaço…
Gostava que fosse usado para esclarecer, discutindo a questão.
Regra única: Que cada um dê a sua opinião e respeite a dos outros.
No entanto, se alguém quiser convencer-me a votar “NÃO”… que o faça com argumentação consciente e não com demagogias que ouviu na televisão ou recebeu por E_mail. Ajudem com as vossas opiniões.
Obrigado.
Somos constituídos por um corpo com cabeça tronco e membros, mas isso só não basta para nos considerarmos humanos, pois neste caso, até os quadrupedes também o seriam.
O que então nos diferencia ?
Existe algo inesplicável que uns chamam “Karma”, outros, “espírito”, ,outros ainda “alma”. Dependendo das culturas assim têem uma explicação que justifica a constintuinte do ser humano que está para além da cabeça, para além do corpo e membros.
No primeiro momento em que é concebido um novo ser, o seu “Karma” (ou outro nome que queiram dar como exemplo a “alma”) já está contido nessa pequeno “ser” algo que se multiplica rapidamente em 2,4, 16…
Considerando, temos “nessa” pequena coisa que se multiplica um novo Hitler ou um Moamed Ghandi…
“Nada acontece por acaso” diz várias vezes o escritor Paulo Coelho em seus livros. Está na mão de cada um decidir por uma vida dependente, que estando no mundo, só tem uma coisa que o protege o ventre materno e a decisão de sua mãe ou será dos homens.
Pemsem nisso.
Grande abraço.
João Jorge
Olá!
Eu pessoalmente sou contra o aborto, mas acho que isso deverá ser uma decisão pessoal. Cada caso é um caso, e cada pessoa sabe de si!
Mas… sou a favor da despenalização! Com tantos crimes horrendos a serem cometidos cada vez mais e com penas se calhar leves demais, os “iluminados” lembram-se de castigar uma mãe que não tem um pão para comer quanto mais leite para um bebé…
Enfim… é esta a minha opinião! Vou votar sim, a favor da despenalização!
Fiquem bem!
Enquanto as pessoas não forem devidamente esclarecidas de que estar a favor da despenalização do aborto e estar a favor do aborto são coisas completamente distintas, vai continuar-se a sentir o dedo acusador dos desinformados sempre que alguém disser que é a favor da despenalização.
Eu sou a favor da despenalização e também vou votar sim no referendo, porque creio que será a última opção a que as mães (e pais) vão recorrer.
Espero, no entanto, que não se banalize o recurso ao aborto, como forma de “reparar” irresponsabilidades porque, aí sim, seria crime.
Engraçado como todo o pessoal com quem eu tenho esta discussão, e têm todos menos de 26 anos( ou seja ainda têm direito ao cartão jovem), são a favor do aborto. O meu problema é que eu me sinto pressionado a votar sim, porque não quero ser careta!!! E o mais interessante é que eu até sou a favor da despenalização, mas assusta-me haver tanta gente com a mesma opinão que a minha, simplesmente não é normal!! Conhecem alguem que diga claramente que vá votar não? e porquê? concordo com o que diz o Pajo, os debates que dão na tv têm mais interesses politicos e estão mais virados para arranjar votos do que para elucidar as pessoas, logo acham que vale a pena gastar o nosso tempo a vêr o “prós e contras”?
Desculpem lá, voltando atrás um bocadinho, se todas as pessoas com quem eu falei, todas as reacções aqui apresentadas são a favor do sim, se existem mais movimentos a favor do sim (pelo menos é o que eu me tenho apercebido pela pela comunicação social, ou será que eles também estão a dar uma força), se a maior parte das jotas é tudo a favor da despenalização, então o referendo vai ser canja?
Não sei, estou muito confuso!!! Até porque eu não quero ficar com o peso na consciencia de votar não e depois ter uma noite de copos e ela engravidar,,,, depois ela diz que vai abortar, ao que eu respondo: nem pensar, eu votei não!!! Ou será que abro uma excepção?? Também era só uma vez!!! Podia acontecer o contrario, eu votar sim, e ela nao querer abortar e depois tinha que me aguentar á bronca!! Bem o final acaba da mesma maneira!!! Passo de fodilhão a papá!
estou curioso por ver como vai evoluir este debate até ao momento do referendo, espero ate lá ter e consolidar uma opinião!!!
se não nos falar-mos antes, um bom natal e um feliz ano novo a todos!!
Olá!
Pajo, esta questão tem pano para mangas…. Declaro-me contra. Em breve deixo aqui o porquê da minha opinião mas também gostaria de conhecer a tua razão para seres a favor.
O referendo não trata apenas a despenalização da mulher, isso é aligeirar o assunto de um modo irresponsavel. Antes de mais trata-se da destruição de uma vida humana, qualquer que seja a perspectiva da análise. Perante isso estamos perante uma questão de limites. A proposta da lei prevê o aborto até determinado nº de semanas. Qual é o critério subjacente a essa decisão. Até à semana x é arbitrário, apartir daí é crime? E as mulheres que não têm possibilidade de abortar e vêm-se com o “trambolho” indesejado no braços e igualmente por falta de meios económicos, por exemplo resolve atirar o recém-nascido para um poço ou uma lixeira, já é crime ou também uma questão de direito da mulher decidir quando ter ou não ter filhos. Para as pessoas destruir um feto, só porque não se vê deve ser uma opção, mas para um ser-humano com 3, 4, 6, 9 meses de vida, a diferença não tem significado se a opção for a morte. É apenas mais uma perspectiva meus amigos, pensem nisso e quando eu tiver mais tempo dir-vos-ei o que penso sobre o assunto. Deixo-vos no entanto a minha posição sobre o referendo, não vou votar. Não por uma questão de desinteresse, mas porque entendo que o referendo trata o assunto de um modo inaceitavelmente aligeirado. Não se resolve o assunto colocando o onus da questão exclusivamente sobre a mulher, quer se vote sim, quer se vote não. De facto os únicos que nada têm a perder com o sim e que sustentam toda esta polémica ao longo dos anos, são aqueles que vêm na liberalização do aborto a oportunidade de inegável de negócio, tremendamente lucrativo de resto.
Deixo por enquanto apenas estes pontos de reflexão.
olá a todos!
Indo directamente ao assunto,eu sou completamente a favor da despenalização do aborto.As razões são muitas,falando em questões de saude,quando os fetos apresentam desde logo anomalias que já se sabe vao ser prejudiciais no desenvolvimento do ser..!Como também na situação em que há violações,seriamos mt mais injustos se essa mulher k foi violada tivesse uma criança que nao foi planeada e mt menos desejada,sera sempre um fardo na vida dessa mulher olhar para a criança e nunca se poder esquecer o crime que lhe foi imposto.
Os motivos podem ser mts para a pratica do aborto,desde que que isso não leve a uma mera banalização de ter/ querer/deixar vir mais um ser humano ao mundo!
Não à banalização da questão e vale a pena reflectir…
Boas Festas para todos…
Pajo,
Eu sou a favor da despenalização mas não só devido ao facto de este paízinho ter sido sempre contra.
Amanhã passo por cá e, com mais calma, deixo cá ficar as minhas ideias.
1 abraço.
Teresa Moreira
Informa-te em antes de abrires a boca.
Obrigado a todos(as) pela participação.
ana mar,
sou a favor da despenalização por vários motivos. Pra começar penso que é um assunto pessoal e não político ou até social.
Acho absolutamente perverso e duma falsidade moral penalizar a quem que, pela decisão tomada, já estará de alguma maneira a sofrer, até fisicamente. Porque não penso que seja uma decisão banal… implica uma intervenção cirurgica e convalescência dolorosa, por si só, o pior castigo.
Por outro lado, porque é que o homem inseminador tambem não é penalizado…?
Acima de tudo acho que penalizar persupõe que houve prazer no acto e que não foi uma decisão que só por si marcou as pessoas que a tomaram.
Estas são algumas das razões que me levam a votar sim à despenalização do aborto.
Primeiro, parabens pela iniciativa e pela qualidade do trabalho.
Sou a favor da despenalização do aborto.
A despenalização do aborto não vai fazer explodir o nº de abortos. Vamos sim, é ficar a saber quem os faz. Sabendo quem os faz podemos saber quais as principais causas, algumas nós até já sabemos. Com a lista da causas podemos combater o aborto na origem. É uma ideia.
O feto tem direitos e a mulher também.
Quem somos nós para apontar o dedo aos outros?
Eu não sou a favor do aborto, mas sou a favor da liberdade de escolha.
Por isso deverá ser uma escolha dos progenitores. Lógicamente a última decisão é sempre da mãe.
Já pensaram o quão díficil deverá ser essa decisão por mais leviana que possa parecer?…
O aborto é matar. É a destruição de um ser humano nos seus primeiros instantes de vida. Haverá alguém que consiga desmentir isto?
As mulheres são vítimas? Muitas serão certamente, mas antes delas são os seus filhos a quem é negado o direito à vida.
O direito de ter ou não ter filhos e quando tê-los é antes da concepção. O Direito à vida está descrito na declaração universal dos direitos do homem. Hipocrisia é afirmar que a gravidez é um exclusivo da mulher. Sou pai porque engravidei a minha namorada e tou aqui, não fugi às minhas responsabilidades e nunca aceitaria que a minha namorada abortasse contra a minha vontade. Dediquei-lhe o meu amor e anos de vida, como considerar que a decisão sobre o nascimento do meu filho seria uma decisão exclusiva dela?!!!
As mulheres que por puro egoísmo decidem abortar, merecem ser penalizadas. As mulheres que levianamente abortam, merecem ser penalizadas. As mulheres que se vêm abandonadas perante a gravidez, merecem ser protegidas, defendidas e apoiadas no caso de quererem levar a gravidez avante e ventualmente desculpabilizadas se decidirem abortar. Antes de lutar pela despenalização do aborto deveriam lutar pelos direitos de apoios para criarem um filho e por mecanismos legais que as defendam dos cabrões que pura e simplesmente dão à sola perante a gravidez. Afirmar que levar uma gravidez avante é um exclusivo direito da mulher, é um absurdo e em nada dignifica o ser humano. Uma gravidez é o resultado de um acto a dois e as suas consequências devem ser decididas por ambos.
Perante a proposta de lei que está em causa, toda a mulher pode abortar sem dar cavaco a quem a engravidou e todo homem terá o direito de dizer à mulher que engravidou que isso é um problema dela, resolva. Isso é digno?!!! É isso que as mulheres pretendem?!!! É isso que protege as mulheres de uma gravidez indesejada ou do abandono?!!! E as mulheres que repudiam o aborto e se vêem abandonadas e sem meios económicos para criar um filho, quem as ajuda? De que lhes serve a despenalização, se não se permitem ao aborto? O Estado vai financiar o aborto e continuar virar as cara às crianças necessitadas? A despenalização legitima e financia o direito à morte, mas nada resolve pelo direito à vida. Choca-nos as crianças que vivem na mais absoluta miséria, lutemos pelos seus direitos em vez de afirmar que teria sido melhor terem ido parar ao caixote do lixo de uma qualquer clínica de abortos. Sejamos realistas e conscientes, em vez de demagogos e irresponsaveis. Sejamos capazes de vêr para além da fumaça, os interesses económicos subjacentes à despenalização. O aborto é um negócio de milhões e são esses que hipócritamente acenam com a miséria humana, para justificar a legitimidade de um acto absurdo e criminoso. Lutemos por uma sociedade solidária, lutemos por princípios de igualdade entre homem e mulher, lutemos pela protecção das crianças abandonadas, promovam o apoio pelo fim de tabus e preconceitos sexuais, que estão na base de muitas gravidezes nas adolescentes. Há tantas causas por que lutar, mais importantes que a despenalização do aborto. O aborto já é permitido em caso de violação, risco de vida para a mãe e no caso de mal-formação do feto. Gostaria de vêr discutida possibilidade de permitirem o aborto no caso de gravidez em adolescentes, mas permitir o aborto sem critério e como uma decisão unilateral, é um absurdo.
Este comentário do José Pinto foi brutal!
Não num sentido depreciativo mas porque é a opinião que mais me fez pensar e com a qual eu mais concordo.
Não consigo pensar no referendo como uma decisão final e linear até porque o “sim” e o “não” são coisas muito rígidas e isso causa-me uma certa confusão no contexto: “a questão da despenalização do aborto”!
Por isso mesmo não vou votar. Tenho a minha opinião e não passa pelo sim ou não, passa pelo se…
Só acho que a decisão não devia ser popular e votada em referendo por ser suspeita e tendenciosa…
Abraço Pajó!
Sou absolutamente a favor da DESPENALIZAÇÃO do aborto! Isto vai evitar que depois se ouçam notícias do género «bebé encontrado em caixote do lixo». Caso me deparasse com uma situação deste tipo nunca permitiria que a minha namorada abortasse. Sim, porque acho que os homens estão a ser postos de parte nesta questão, como se também não tivessem direitos sobre a criança. No entanto, não condeno quem o faz, e ninguém se ache tão arrogante ao ponto de pensar que pode mandar no ventre das mulheres. Afinal de contas, os abortos vão continuar a realizar-se, quer ganhe o sim ou não. No entanto, em vez dessas raparigas de 15, 16 e 17 anos os realizarem com todas as condições de higiene e segurança em hospitais ou clínicas autorizadas, vão continuar a fazê-los em casa, com as amigas, sob o risco de contraírem graves infecções.
O Mundo precisa de crianças felizes e desejadas, não de impecilhos que saltitam entre os pais.
Aqui está a minha opinião:
http://lisbonman.wordpress.com/2006/12/22/o-porque-do-meu-nao/
Pajo queres ser esclarecido, então lê atentamente o site que vou indicar. Analiza as pertinentes questões que o Manuel Monteiro avança logo no 1ºpost, tem a coragem de vêr as imagens e os vídeos sobre abortos, pois se vais votar no sim deves ter a consciência do que é o acto de abortar. Quem vai votar sim, não deve virar a cara para o lado, antes deve ter a coragem de olhar de frente e assumir a realidade do que é destruir um ser-humano em gestação. tenham em consideração a possivel e mais que provável alteração do lei de modo a viabilizar o aborto até às 16 semanas.
Afirmar que o referendo é pela despenalização da mulher é pura hipocrisia, pois o referendo vai isso sim viabilizar a práctica abortiva sem critério. Vamos pagar como os nossos impostos abortos num país que paralelamente fecha maternidades, com as consequências que se conhece. Temos portugueses a nascerem em ambulâncias, com bombeiros a fazerem de parteiras. Quanto ao argumento de que é preferivel abortar do que deixar vir ao mundo crianças que irão crescer sem condições, isso é um argumento a lembrar o nazismo.
INFORMEM-SE E VOTEM EM CONSCIÊNCIA. VEJAM PARA LÁ DA FUMAÇA E DA HIPOCRISIA.
http://aquihaesperanca.blogspot.com/
Concordo com quase tudo o que escreveste José Pinto, só tenho um problema, será que não vês que tudo o que receias vir a acontecer (os homens dizerem às mulheres “desenrasca-te”, a questão do interesse financeiro, etc) já acontece hoje…! Hoje paga-se para abortar quer seja cá como ali em Espanha com melhores condições, hoje paga-se mesmo àquela “parteira” que o faz sem condições mínimas de segurança, o interesse financeiro acompanha o Homem como ratos ou baratas, onde quer que ele vá existe sempre um interesse financeiro. Quanto aos gajos que as mandam desenrascar-se e dão o fora… meu amigo… tú tas de facto a crer que hoje é diferente…? Em que planeta vives…? Estou seguro que a LARGA (90%) maioria dos abortos acontece porque ele deu o fora deixando a miuda sozinha a decidir… é neste mundo que eu vivo.
Quanto às imagens eu gostaria que soubessem que estou “farto” de receber as mesmas imagens usadas quer para o “não” como pelo “sim” (apelam à melhoria de condições uns, outros do tipo “olhem o que elas andam a fazer”) e é exactamente isso que eu chamo demagogia.
Penso que identificaste muito bem o que deveria ser feito, duvido que o estado o faça pois não há dinheiro é o que dizem. Mas a grande questão é que me parece que não estás a ver muito bem o presente… tudo o que receias se o sim ganhar já acontece, com a agravante de se penalizar a pessoa já por si fragilizada.
Em suma não vislumbro em NINGUéM a moral de apontar o dedo a quem quer que seja e é isso que o tribunal e a sociadade faz às Mulheres neste mesmo momento.
Quanto às crianças abandonadas, eu já trabalhei com elas, não vi apenas fotos, convivi com os seus problemas no dia-a-dia e não são poucos. Gostava que tú e o Sr do link passassem assim… uma semana apenas a tentar demonstrar (porque só a falar não se vai a lado nenhum) que alguem as ama, sim porque todos gostamos de ser amados principalmente pelos nossos Pais… estas crianças foram ABANDONADAS PELAS PESSOAS QUE AS DEVIAM AMAR ACIMA DE TODAS AS OUTRAS!!! Não é facil, eu estive com elas durante um ano e prefiro que despenalizem as mulheres por respeito à VIDA… Porque VIVER NãO é Só ESTAR VIVO PERCEBEM.
Tambem acho que o que se está a fazer aqui com este debate é, só por si uma forma de luta e de desejo por uma sociadade melhor, por isso:
OBRIGADO!
Não vejo em que é que a despenalização do aborto vá ajudar as mulheres ou as crianças abandonadas. Aceito que a situação actual é injusta para as mulheres que recorrem ao aborto como saída desesperada de uma situação, da qual muitas vezes até nem serão culpadas, pois numa sociedade marcadamente machista, mesmo mulheres casadas têm por vezes relações caseiras semelhantes a violações e da qual por vezes resultam em gravidez indesejada. Mas a condição
de injustiça social a que a mulher está sujeita, não se resolve com a liberalização do aborto. Já referi que há imensas causas nobres porque lutar, sendo que a liberalização do aborto é quanto a mim uma atrocidade encapuçada. Encapuçada por exemplo com esse título pomposo e fraudulento de que se trata da despenalização das mulheres. Choca menos chamar-lhe isso e cativa mais votos favoraveis a afirmação de que é uma luta contra a injusiça a que muitas mulheres de fraca condição social estão votadas. Mas lutar pela despenalização da mulher, seria por exemplo lutar pela repartição de responsabilidades entre os progenitores, pelo assumir de responsabilidades sociais pela parte do Estado, lutar por uma solidariedade social mais eficaz e atenta.
Na práctica quem votar o sim vai votar na liberalização da práctica do aborto, sem critério e sem contrôle. Quem votar no sim irá votar pela legalização do negócio do aborto. Não vejo de que modo isso irá benificiar as mulheres de fracos recursos, visto que essas continuarão a praticar abortos em vãos de escada e as crianças nascidas na miséria continuarão a viver na miséria. Os hospitais públicos continuarão a funcionar mal, mulheres continuarão a dar à luz em ambulâncias a kms de distância de hospitais e alguns recém-nascidos a morrer por deficiente assistência médica e as crianças abandonadas continuarão a viver entregues á sua triste sina.
Tal como o Manuel Monteiro eu não quero que os meus impostos sirvam para financiar abortos, entendo que fazem falta para outras coisas mais prementes. No entanto não creio que o aborto nos hospitais passe a ser práctica corrente. Quem pratica o aborto, normalmente quer sigilo e continuará a irá a Espanha ou a parteiras manhosas, se o $$ não for suficiente. A clínica que em Lisboa espera pela legalização, servirá para donzelas da província ou até de Espanha quiçá.
Seja como fôr esquece lá essa treta da despenalização, pois o que está efectivamente em votação é a práctica sem contrôle e sem critério do aborto.
Quanto às imagens que dizes estar farto de vêr, não deixes de vêr. Uma imagem vale por mil palavras e como tal vêr a realidade não faz mal nenhum, mal faz viver na ilusão e na mentira.
Quando me convidaste para participar neste blog, eu afirmei que tinha muito a dizer sobre o assunto, admito agora que mais do que pensava que tinha a dizer, é o que tinha a descobrir. O link que indiquei,descobri na página que o Miguel indicou. Considero ambos um contributo excelente para percebermos a dimensão do que está em causa no referendo. De facto não se trata da despenalização da mulher, é antes muito mais abrangente que isso.
E já agora define onde começa a vida e a dignidade humana, para percebermos a dimensão do acto do aborto. A ciência não deixa grandes dúvidas quanto a isso e como bem sabes a religião a mim nada me diz, já que sou ateu.
Eu tentei convidar toda a gente que tenha uma opinião sobre este assunto porque acho que há muita confusão junto de quem é chamado a votar… ou seja, todos nós.
Antes de responder às tuas questões lembro-te a razão essencial do debate: “A questão do aborto… ou da despenalização?”. Acho que tu materializaste esta confusão de uma forma, pra mim, bastante clara.
Vou tentar ser breve a dar-te algumas respostas, às que estou consciente de serem.
“onde começa a vida e a dignidade humana” – Como disse, eu reconheço a vida, qualquer cientista a sabe definir. Dignidade não pertence à ciência, é uma questão de educação, amor próprio e altruísmo, nem todos os seres vivos a têm segundo os nossos códigos.
A vida está em todo o lado para onde olhes. Já a dignidade… um conceito Humano que nos serve para fazermos da vida algo mais do que apenas viver, não estou à espera que a ciência ou… um político, o papa(lol), tu, eu ou quem quer que seja a identifique para os outros porque está visto que não chega para todos.
Tudo o que dizes sobre o futuro sempre aconteceu. Perguntas-me se irá desaparecer com a alteração da lei… provavelmente não, pode até tudo ficar na mesma com a seguinte diferença: deixa de existir a lei insensível, déspota e extremamente humilhante para mim homem (que com a sua amante deve ser capaz de decidir).
Curioso… tirando o teu sentido de voto, concordo contigo. Ou seja, deste-me mais razões para votar sim… à despenalização da interrupção da gravidez(aborto) até à 10ª semana.
O debate DEVE continuar, a confusão tem de se extinguir antes do referendo.
Forte abraço.
Pajo eu quero evitar escrever, pois isto começa a parecer um diálogo entre nós dois e julgo que seria mais interessante lêr outras opiniões. Mas tenho que te responder à questão que levantaste: “aborto ou despenalização”. Quem criou essa confusão foram os políticos que pretendem claramente a victória do sim, não fui eu. O referendo é pela liberalização do aborto, pela legalização do aborto, pela práctica ocasional ou recorrente do aborto, pois deixa de haver critério, deixa de haver constrangimentos para além da despesa, do transtorno, do sofrimento físico e da consciência de quem o practica. O Estado prepara-se para cobrar licenças e impostos e para banalizar como uma terapia qualquer, uma práctica que no meu entender é brutal e absurda. A questão centralizada na despenalização é uma falsa questão, é acessório, é apenas uma das consequências, pois ao deixar de ser crime, deixará necessáriamente de ser penalizador, pois não mais haverá culpados. Lutar pelas injustiças e discriminações de que as mulheres são vítimas, não se consegue discriminalizando um acto atroz e do qual as mulheres são quase sempre vímitas e continuarão a sê-lo. Mas se é verdade que há injustiça em actos persocutórios contra mulheres que abortaram, isso não justifica que se banalize o aborto, conforme pretendem. A despenalização não é a questão mais importante, nem são as mulheres as principais vítimas. Todos nós fomos fetos e potenciais abortos. Muitos de nós provocamos constrangimento e dúvidas nos nossos pais e muitos teriamos possivelmente sido abortados, se a práctica liberal do aborto fosse uma realidade quando nossas mães descobriram que estavam grávidas. Eu pessoalmente agradeço aos meus pais terem-me protegido e permitido nascer, crescer e ser o homem que hoje sou. Eu tive essa oportunidade, pensemos naqueles a quem lhes são retirados o direito a nascer e pensemos que havendo consciência e solidariedade, muitos poderão ter essa oportunidade e serem felizes. Eu não tenho o direito a julgar quem merece ou não viver. Choca-me que muitas crianças vivam na mais absoluta miséria. O aborto livre não vai retirar criança alguma da miséria, quanto muito irá evitar que mais crianças vivam miseravelmente, mas não compete á sociedade decidir quem merece e quem não merece viver. À sociedade compete dar condições dignas a todo o ser humano e proteger os mais fracos, nomeadamente as crianças. Sejamos capazes de vêr o que está para além dos interesses económicos do aborto e a hipocrisia de quem pretende esconder o sol com a peneira de que o que está em causa é a despenalização das pobres mulheres.
Antes de qualquer outra reflexão devo dizer que esta questão da despenalização aborto me deixa numa situação de desiquílibrio de opinião. passo a explicar…
Há não muito tempo os portugueses tiveram uma oportunidade igualzinha à que terão agora em Fevereiro. O que fizeram? DESPERDIÇARAM-NA!
Por isso, e por achar que a questão da despenalização do aborto tem a importância que tem, acho que os políticos/pseudo-gestores do país (digo “pseudo” porque se demitem das responsabilidades em questões como esta) deviam eles próprios despir-se dos ideais políticos de direitas e esquerdas e decidir. Afinal não são eleitos e pagos para isso?
Está bem, já sei, pensarão “esta questão do aborto é diferente”. Diferente porquê?
Fizeram algum referendo antes de decidir que as nossas tropas colaborariam numa guerra no Iraque? (Também estão envolvidas vidas! – se esse era o argumento que tinham guardado na manga)
Mas, retomando o fio à meada… Tal como havia dito esta questão remete-me para um desiquílibrio de opinião…
Se por um lado acho que deveriam ser os políticos a decidir, por outro lado tenho uma opinião muito firme e que poderia não coincidir com a decisão dos nossos governantes.
SOU A FAVOR DA DESPENALIZAÇÃO DA INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ!
Porquê? Porque fruto da minha actividade profissional já conheci imensas crianças infelizes e já conheci imensos pais infelizes.
Quando falo em crianças infelizes, falo em crianças com fome e que passam frio; falo em crianças que não têm os devidos cuidados de higiene porque tal não lhes é proporcionado; falo de crianças que abriram a porta de casa para a sua mãe (prostituta) receber o cliente; falo de crianças que nunca conheceram o seu pai e os seus irmãos; falo de crianças apelidadas por alguns na aldeia de “menino do mundo”.
Querem que eu colabore para que as mães destes meninos, outrora mulheres jovens e cheias de sonhos, sejam penalizadas por terem fecundado? NÃO CONTEM COMIGO!
Contem comigo para votar SIM em Fevereiro e ajudar estes “meninos do mundo” a sorrir, face a um mundo tão frio.
Contem comigo para ajudar as suas mães a “crescerem” enquanto pessoas e mulheres e não para as julgar.
Boas … são 4 da matina … estou com o meu filho
No primeiro referendo votei SIM, apesar de ser contra o aborto, acreditava mesmo que a liberdade de escolha devia prevalecer. Hoje mudei a minha opinião … TU também podes mudar …
1º Crianças abandonadas, infelizes, com fome, etc., etc. … O aborto vem resolver estas questões? Quem é o demagogo aqui? E mais importante, quem é k se declarou Ser Supremo para ter o poder de vida e de morte? E porque parar nas crianças por nascer e porque não fazer uma “limpeza social”? Não vós faz lembrar de algo?
2º Quando a vida começa?
Se a imagem de um feto com 7 semanas não comove a mais séptica das pessoas, talvez possa mostrar a ecografia do meu filho com 8 semanas, nesta altura tinha o seu esqueleto completamente formado. O feto não é só um aglomerado de células.
Porque não permitir então a pena de morte ou mesmo a despenalização de assassino?
3º Ponto de vista social?
Nem deveria ser referido, justificado pelo ponto 2.
Todas as justificações que os defensores do SIM possam referir são facilmente rebatíveis, isto porque nunca se há-de saber qual as verdadeiras razões porque uma mulher aborta. Questões familiares, pobreza, egoísmo, apoio paternal, entre outras, quem pode, com segurança, estabelecer as suas devidas percentagens?
Só me posso apoiar nos poucos casos que tenho tido conhecimento. Um deles, o único próximo, amiga da minha mulher, que fez o 1º aborto aos 17 anos, passados 6 (12) meses estava a casar com o pai em questão e grávida outra vez, nasceu a Ritinha, passa-se 12 meses e esta novamente grávida, como ela e o marido andaram a fazer “tree somes”, sem protecção, e não sabiam quem podia ser o pai, então abortaram mais uma vez., e é claro que o casamento deles foi por água abaixo, não por causa dos abortos mas pelos “tree somes”, passam-se uns 4 anos e engravida de outro sujeito, o fdp dá a sola e ela simplesmente faz o que sempre fez … aborta. De referir que esta mulher teve sempre o apoio da sua família, seja ela amor e carinho com dinheiro, visto que era o seu pai que pagava todas as suas contas, incluindo o apartamento em que ela vivia, mesmo quando casada.
Por que motivos esta mulher recorreu ao aborto? Como contracepção? Egoísmo?
4º Direito a paternidade.
Se a mulher decidir ter o bebe o pai é obrigado por lei a contribuir para a sua educação (monetariamente). Onde estas a opção de escolha dele?
Se a mulher decidir abortar. Onde estas a opção de escolha dele, para ser pai ou mesmo para a criança nascer e depois dá-la para adopção? Porque acreditem a fila de espera é enorme para adopção de crianças com menos de 3 anos. Também referir que estes pais que querem adoptar tem crianças mais velhas para adoptarem, mas aí esta na escolha de cada um, provavelmente querem ter a fantasia de que a criança é sua.
Onde estão os meus direitos como pai e como homem?
Quando fui registar o meu filho não o pode faze-lo onde queria, porque esse mesmo registo só pode ser feito ao no local de nascimento ou no local de residência da mãe. Onde estão os meus direitos como pai?
5º Interesses económicos? Não acredito que estejam por detrás do referendo, mas de certeza que os há.
6º Validade do referendo? Referencias governamentais logo depois da aprovação do referendo em Assembleia da Republica.
Se o NÃO vencer, verificam se pelo menos de 50% dos portugueses votaram, se menos de 50% revogam o referendo e prevalece a vontade do governo.
Se o SIM vencer, tudo OK.
Mas que me*da é esta? onde estamos? numa republica das bananas?
Para aprovação de uma lei como esta deveria-se tomar as regras da constituição. Pelo menos 50% dos votantes e 2/3 dos votos SIM para se alterar então uma lei como esta.
7º Impostos?
Alguém já ouviu falar dos “utilizadores pagadores”? Expressão referida pelo governo na questão das SCUTS. Pois bem eu paguei impostos na compra do meu carro, IA e IVA, eu pago imposto municipal, no gasóleo pago imposto sobre os produtos petrolíferos, IVA e imposto para a reflorestação. Desta verba anualmente arrecadada pelo Estado só 10 a 15 % é investida nos acessos rodoviários, e ainda tenho que pagar auto-estrada , SCUTS, inspecções periódicas, etc.
No sistema nacional de saúde, deve-se adoptar o mesmo sistema, eu não quero que o meu dinheiro seja utilizado para abortos.
8º Outra questão muito mais pertinente.
Eutanásia, não é muito mais pertinente? Liberdade de escolha? Pelo menos aqui é o indivíduo que toma a decisão sobre a sua morte. Onde está o referendo? Demagogia?
Poderia escrever muito mais sobre esta matéria, mas acho que a vossa cultura geral diz o resto.
Terminei as 12:00 gazes … do meu filho haha
Que fique bem claro que não sou a favor do aborto.
Sou a favor da despenalização do aborto (interrupção voluntárida da gravidez).
A questão aqui é a seguinte:
“Continuamos a levar a tribunal as portuguesas que não têm dinheiro para fazer abortos em Espanha?”
Ou:
“Continuamos a fazer de conta que em Portugal não existe o aborto clandestino?”
O aborto existe, é uma realidade!
Continuar a ignorar o aborto clandestino, muitas das vezes, realizado sem as devidas condições e com consequências nefastas para as mulheres que a ele se vêem obrigadas a recorrer não faz parte dos meus planos.
Também não faz parte dos meus planos incentivar o aborto que, sem dúvidas, é um acto que todos preferíamos que não existisse.
Dos meus planos faz parte o respeito pelas mulheres e pela sua dignidade.
Seria importante formar e informar as pessoas. O planeamento familiar para muitos é só uma quimera e se calhar devíamos começar por aí – dar às pessoas os instrumentos necessários para evitar situações de aborto – falo de educação!
É a minha opinião e vale o que vale.
Não é a verdade, é a minha verdade.
Este referendo está a parecer uma cruzada contra a penalização das mulheres que abortam. Será que é disso que trata o referendo? Não me parece, continuo convicto de que o referendo apenas visa e de um modo muito objectivo a liberalização do aborto e consequente legalização do negócio do aborto pretensamente apenas até às 10 semanas, na práctica será como quiserem. Tal como o Victor referiu é muito fácil rebater os argumentos para justificar o sim, mas eu quero lançar aqui um desafio:
1º quero que digam quantas foram as mulheres
julgadas e condenadas por terem abortado.
2º quero que me digam se existem estimativas
sobre a quantidade de abortos efectuados em
Portugal.
3º quero que me digam quantas adolescentes
deram à luz em Portugal.
Creio que seria mais fácil opinarmos sobre este assunto com dados concretos e agradeço se alguém fizer os “trabalhos de casa”.
Entretanto gostaria de referir que sou a favor da liberalização do aborto no caso de se tratar de adolescentes. Considero no entanto que o Estado deveria promover a educação sexual. Entendo que tal como existe um plano nacional de vacinação, deveriam os centros de saúde promover consultas de sexualidade para os jovens apartir dos 10, 11 anos. Acredito que uma criança de 12anos que engravide, dificilmente o perceberá. É bem provável que quando se aperceber que está grávida, já tenham passado as 10 semanas permitidas por lei para o aborto. Entretanto terá que ganhar coragem para contar aos pais. É uma situação terrivel e quando os pais se apercebem, muitas vezes já é demasiado tarde para abortar dentro da lei. O aborto em adiantado estado de gravidez, é terrivelmente violento e perigoso numa adolescente. Este referendo em nada contribui para ajudar os nossos jovens.
Os jovens deveriam ser informadas, sobre sexualidade, doenças sexualmente transmitidas, gravidez e aborto. Sem tabús e por pessoas qualificadas para lidar com crianças. Isso sim deveria ser um desígnio nacional.
Quanto à despenalização da mulher, não sejam anjinhos que não é isso que está em causa no referendo.
e porque uma mulher não deve ser acusa e julgada pelo crime de homicidio de uma criança?
Continuo a espera que alguem mais ilucidado do que eu me prove que um feto não é uma criança …
Estou a recolher dados pertinentemente pedidos pelo José Pinto, como devem calcular, factos seguros não são faceis de arranjar mas estão a caminho.
Vitor Barros, um feto será uma criança mais tarde quando já tiver condições para sobreviver sem um útero para protejer o seu corpo ainda não formado, se a mãe parar de comer ou de respirar, ao contrário de uma criança(ser completamente formado) esta morrerá porque um feto, enquanto feto, está vitalmente dependente da encubadora chamada mãe. Podes chamar a um rebento de pêssego pêssego, mas não o comes…
BOAS ENTRADAS PRA TODOS(AS)
Este testemunho vale o que vale:
http://www.aboutabortions.com/Confess.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Bernard_Nathanson
não tenho dados estatístios para contribuir para o estado actual deste debate. tenho algumas reflexões pessoais.
a primeira contra a hipocrisia dos movimentos do não. não contra a sua posição, não contra os argumentos e as pessoas que aqui participaram, mas contra a demagogia que se verificou no primeiro referendo e que agora regressa com outros contornos.
na altura do debate do 1.º referendo era a educação sexual que faltava ao país. se se assumisse o compromisso da educação sexual, o problema do aborto não se colocaria. o relatório sobre a educação sexual no nosso país aí está (desse conheço o lonk, regressarei com o mesmo), e expõe todas as lacunas e falta de compromisso real que qualquer pai reconhece. não se faz, não se quer fazer e não serve de nada ou de pouco o que se faz. se era esta a solução para o aborto… o aborto continua a ser um problema.
neste segundo debate temos uma nova solução. o apoio às mães. já vi reportagens sobre as associações que apoiam adolescentes e outras mulheres que sem qualquer preparação se viram na situação de serem mães. é um trabalho excelente, necessário, mas não resolve o problema do aborto. nada o resolve porque não pode o Estado nem a sociedade substituir-se aos pais, a todos os pais que não têm condições para criar filhos. por mais dinheiro que se invista, por mais pessoas que estejam dispostas a isso não coneguimos resolver o problema. basta ver o estado dos processos de adopção no nosso país para perceber que não sabemos, não conseguimos lidar com a questão.
não me parece que a questão do aborto possa ser posta numa balança com qualquer destas “soluções”. e muito embora me arrepie profundamente a ideia de matar uma vida, não consigo deixar de pensar nas vidas que observo diariamente, de crianças e de pais, que podiam ser diferentes se tivesse havido uma alternativa que as pessoas podiam ter escolhido, ou não.
neste longo debate surgem referências a relações onde surgiu uma gravidez. suponho que sejam pessoas relativamente novas. pensemos na mãe de 4, que se mata a trabalhar, cujo marido está na Suiça ou em Espanha a matar-se a trabalhar, e que numa das suas visitas engravida do 5.º. os outros 4 já são criados à custa da solidariedade da vizinhança e do Estado. ouve constantemente conversas de piedade sobre a sua vida e todos acham que têm direito de opiniar sobre tudo o que faz porque todos ajudam. o cenário que a rodeia é de pobreza extrema, igual ao de muitas aldeias no interior norte de Portugal. é a esta pessoa que negamos a possibilidade de escolha. porque ela não pode ir a Espanha. e ela não corre o risco de ser descoberta e presa. ela tem o 5.º. ela não tem vida. os filhos dela vão sair da escola sem acabar a escolaridade obrigatória. desnutridos, sem material escolar, sem ambiente familiar propicio para aprendizagem, passam por burros, coitaditos, mal criados, etc., na escola onde deviam aprender, na escola que devia fazer a diferença. o seu futuro depois disto não é muito brilhante. infelizmente acompanho muito poucos. mas o que ainda estão na escola, à espera do seu destino, esses conheço-os e são muitos mais do que eu, e suponho qualquer pessoa que viva numa cidade, pensava existirem no mesmo país em que vivo. temos bolsas de pobreza e miséria enormes. também consomem muitos impostos! em subsídios, em rendimentos mínimos, em professores de apoio, em horas de trabalho de professores e educadores, assistentes sociais, médicos, a tentar remediar vidas estilhaçadas.
eticamente divido-me entre a vida do feto e a vida da mãe, do pai, dos 4 irmãos, do professor, dos colegas de escola, da aldeia,… será retirar os filhos a esta mãe a solução? é mais ético e humano?
quando uma mulher aborta espontaneamente toda a gente se preocua com a mãe, tenta convencê-la que o problema não é grande, que ela vai poder volar a engravidar quando as condições forem melhores. ninguém, a não ser a mãe, pensa no feto que morreu. que justiça fazemos quando colocamos um feto de semanas à frente de uma pessoa, de um casal, de uma comunidade? são todas vidas, muitas vezes a precisarem de protecção e resguardo mas com formatos diferentes.
sou pela liberdade de escolha porque conheço muitas, demasiadas, situações em que ela podia fazer a diferença. mesmo que para mim nunca a questão se coloque, porque não o faria, reconheço várias situações em que é a solução mais adequada, não a preferível, não a melhor.
quanto a abortar sem critério… não é por o aborto ser despenalizado que isso vai nem melhorar nem piorar. talvez melhore se houver seguimento médico a quem quer e já abortou. se deixar de ser um segredo obscuro e passar a ser tratado como outras situações dolorosas que experienciamos na nossa vida. e acreditemos que o aborto não é a solução que as mulheres preferem ou que mais rapidamente escolhem… basta ver as fotografias…
Bom… finalmente aqui deixo o meu modesto contributo.
Sou a favor da despenalização porque creio que cabe à mulher (não desculpabilizando o papel do homem) o que fazer com o seu corpo. Nenhuma mulher por mais insensível que seja, decide abortar a torto e a direito só porque acha que deve ou só porque uma noite de amor (será que o foi?) correu mal.
E naqueles casos em que o preservativo rompe?
Para além disso, há muita informação hoje em dia e o planeamento familiar serve para isso mesmo. Só fica grávida quem quer. E nós não somos ninguém para obrigar ou permitir que uma criança venha ao mundo para pagar os erros dos pais.
Um filho é sinónimo de amor entre duas pessoas e esse amor deve-lhe ser dado durante toda a vida. Quem é o pai e a mãe que vai ter a coragem de amar uma criança que não foi desejada, nem planeada?
Se há vida desde a concepção, então a criança também sente os pensamentos da mãe, sente a rejeição e está atenta às discussões, aos choros e aos gritos dos pais, sentindo-se mal amada e sobretudo que vem numa altura má porque a mãe ainda está a estudar e o pai não tem um emprego fixo nem formas de a sustentar.
Sou a favor da despenalização, como uma forma de acabar com a miséria que grassa nas famílias pobres de espírito deste país e sem informação que ainda pensam que ter filhos é sinónimo de se aumentar o abono de família.
É claro que devia haver incentivos e uma forma mais saudável de promover a sexualidade. Está-se a fazer isso nas escolas que, espero, venha a reflectir-se no futuro das nossas crianças. O problema que se coloca é o que fazer com a geração actual que não quer saber e que se acha no centro do mundo só porque é giro ir para a cama com um rapaz da nossa cidade.
Veja-se o caso da Tatiana (quem viu a TVI a semana passada sabe do que falo). Uma miserável criança de 12 anos que acabou de ser mãe e que não sabe quem é o pai porque foi para a cama com 2 rapazes ao mesmo tempo. E a mim, com 31 anos, chocou-me ouvi-la falar em sexualidade nos termos que usou como se fosse a coisa mais natural do mundo.
E aqui coloco a questão: quem devia fazer o aborto? Ela, a mãe dela, que não soube dar-lhe qualquer espécie de educação ou ela própria é um aborto por se permitir fazer o que faz, não havendo alguém (homem ou mulher) que a pudesse chamar a atenção ou recriminar o seu comportamento?
Trata-se de uma complexa e falsa questão, esta a do aborto. Mas pesando os prós e os contras vejo-me obrigado a concordar com a despenalização. Podia-se fazer mais mas é o que consta o diploma e temos que nos ujeitar a ele com estas condições. Quem sabe se no futuro não haverá alterações mais vantajosas para todos?
O que mais receio é que tudo isto não vai impedir de continuar a haver abortos clandestinos em Portugal. Já não basta à mulher a humilhação de ter que abortar, ainda ter que se sujeitar à opinião pública, todos ficando a saber o que ela fez e o que não fez…
E todas aquelas famílias que rejeitam a mulher quando aquela é a altura em que ela mais precisa de apoio? O namorado que vai embora; os pais que a expulsam de casa; os “conselhos” dos amigos que lhe dizem para fazer isto ou aquilo.
Só quem já passou por esta situação sabe o que lhe vai na alma e quem somos nós, homens, para lhe dizer que ela deve fazer isto ou aquilo só porque é o melhor para a sociedade?
Obrigado Maria pela disponibilidade em contribuir para a resolução desta confusão com reflexões que são, antes de tudo, um hino ao respeito e ao equilíbrio. Agradeço porque a compreensão sempre me impressionou e acredito que sem ela é que não se vai a lado nenhum.
Ficamos à espera do link para o o relatório sobre a educação sexual no nosso país pois dados como esses são seguramente enriquecedores para este debate.
Bom 2007 para todos(as)!
Já muito foi dito aqui a favor do sim e do não.
Queria deixar aqui a minha opinião mais completa mas neste momento, por falta de tempo, não consigo.
Apenas algumas ideias:
*Pajo, uma mulher tem o direito de decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los, exactamente!, isso não significa, engravidar e depois matar, significa deicidir se na sua vida alguma vez irá engravidar e se sim terá direito de a melhor altura.
*Ser dona de um corpo, não siginifia ser dona de outro corpo/vida que cresce dentro de nós. Sou mulher, e não sinto assim.
*Tenho amigas que abortaram, que só engravidaram porque, simplesmente, não lhes apeteceu usar qualquer método contraceptivo.
*Também conheço outras pessoas que abortaram porque foram obrigadas, porque os maridos não quiseram mais um filho. E caso tivessem esse filho seriam abondonadas.
* E também conheço familias cheias de filhos e miseraveis, a maior parte deseja esses filhos, mas não sabe educar melhor, viver melhor. Porque não um programa do governo para ajudar a educar, a construir, essas familias em vez de patrocinar abortos?
* Se temos direito a matar uma criança que cresce dentro de nós, será errado matar uma que nasceu de nós? Qual a diferença? Eu sinto que não ha nenhuma. É errado porque já a olhámos nos olhos?
ana mar,
gostei muito da tua reflexão, não pelas ideias em si (que concordo) mas pelo seu teor conciso,e factual e acima de tudo directo.
as questões por ti levantadas são pertinentes, já aqui foram referidas no Blog, mas não de uma maneira tão directa.
gostaria k alguém as podesse returquir, sem desvios de pensamento ou retóricas.
Concordo em pleno com o teu discurso.
Bom 2007 e façam com na alemanha … 5.000 contos por cada “rebento”
Nisto do referendo há uma coisa que me deixa confuso. Porque motivo as organizações pelo sim insistem em chamar de hipócritas e demagogos os defensores do não!!!
Hipocrisia creio que é quando alguém defende algo em que não acredita, para obter algo que pretende por interesse. As pessoas que lutam pelo não neste referendo, lutam por princípios em que acreditam convictamente. Poderemos estar errados? Haverá outros valores mais importantes que o direito à vida? Estaremos errados por termos a convicção de que a vida começa antes do nascimento? Demonstrem-me.
Onde está a hipocrisia e a demagogia?
Eu tenho o direito a considerar que uma gravidez é um assunto que terá que ser decidido a dois.
Eu tenho o direito a considerar que mulher alguma tem o poderá decidir sozinha se eu terei que me conformar com o aborto de um filho meu, ou se terei que contribuir para o seu sustento.
Mas entendo que muitos dos que lutam pelo não são hipócritas, pois na realidade lutam pelo negócio. E considero que se servem de demagogias absurdas para fazer prevalecer os seus interesses.
Concordo com tudo o que o josé pinto referiu.
Quem somos nós,para matar alguém?
Se matamos alguém somos chamados criminosos e somos punidos por tal acto, então e se matarmos um bebé, não somos criminosos? ainda para mais um ser indefeso… por favor!
O nosso futuro não são as crianças?
Entao que futuro vai ser o nosso?
Quando nasce uma criança, nasce uma inteligência, uma vida, uma alegria.
O aborto não é a melhor solução, mas sim a solução mais fácil… e nós portugueses vamos sempre pelo mais fácil, para não ter trabalho.
Alguém sabe o que vai acontecer a alguém?
Então como é que podem afirmar que a criança vai ser assim e assado? digam-me como?
Ninguém sabe o que vai acontecer, pode nascer numa familia pobre, na miséria, mas pode vir a ser o “presidente da republica”.
O estado fecha muitas escolas pq dizem eles que não há crianças, então se não há crianças ainda as vamos matar?
Ninguém tem o dieito de tirar a vida a alguém, e a mulher não tem o direito de escolher se vai ou não abortar, ela tem direito de escolher se quer ou não engravidar!
Sempre ouvi dizer que quem anda à chuva molha-se, então à partida que uma pessoa tem relações sexuais,tem consciência ou deve ter, que pode ou não engravidar, então tb sempre ouvi dizer que se não queres confusões, não te metas nelas…
reparei que já existia uma maria,para a próxima escrevo outro nome.
Vou tentar explicar melhor a minha posição perante o referendo. Eu disse na minha 1ª intervenção que me chocava o modo aligeirado como que está a ser tratado este assunto. Creio que já referi diversos aspectos que considero deveriam ser tidos em conta, em vez de se resumir tudo a um sim ou um não e que revelam a minha posição face ao aborto. Mas agora vou centrar a atenção no que está a ser referendado. Diz o Pajo que o referendo não é a favor do aborto, mas sim a favor da despenalização da mulher. E se eu te disser que não me sou contra o teu Sporting ser campeão, apenas quero que o campeão seja o FCP, estarei a ser hipócrita não?
Ou seja, digas o que disser o que está em referendo é uma lei que visa a práctica do aborto, sem critério, sem contôle e dependendo unicamente da capacidade financeira e da vontade da mulher grávida. O parceiro que a engravidou, apenas será legalmente responsável se a mulher decidir parir… se não fosse trágico até daria para rir, não?! É bom que cada um que assuma a sua posição perante este facto, eu oponho-me determinantemente, pois não abdico dos meus direitos e responsabilidades perante um gravidez.
Mas como os defensores do sim afirmam entre outras coisas, que o que está em causa é a defesa das mulheres que sendo o aborto ilegal, estão sujeitas a julgamento e condenação, direi que isso é pura hipocrisia e demagogia. Desde logo porque creio que até hoje, mulher alguma foi condenada por ter abortado, pese embora os milhares de abortos que reconhecidamente se praticam em Portugal. Houve alguns casos que denunciados, deram lugar algum burburinho, mas e corrijam-me se estiver enganado, ninguém foi condenado. Tentar fazer das mulheres as únicas vítimas, é hipocritamente fugir da realidade daquilo que efectivamente é um aborto.
Demagogia é pretender que com a legalização do aborto, a injustiça social de que mulheres e crianças são frequentemente vítimas, irá de algum modo ser minimizada. E claro ignorar os interesses económicos subjacentes ao negócio, de resto bem patentes em iniciativas como o chamado “barco do aborto” (quem subsidia uma clínica ambulante e com que fins?) é pura hipocrisia… ou será distracção?!
Quanto à propalada propaganda de que uma vez legalizado, as pessoas de fracos recursos poderão recorrer à saúde pública para resolver o problema… não me façam rir… com essa nem vou perder tempo, é demasiado evidente que não será viável nem praticável.
Mas o cúmulo da hipocrisia e demagogia é justificação de que o aborto é algo que mulher alguma deseja ou recorre, a não ser por incontornável necessidade, sendo a sua prática já de si suficientemente penalizadora. Eu não sei o que é isso, mas imagino que seja bem pior que tirar um dente e acreditem que eu só tiro se for mesmo imperioso tirar. Só é pena que matar (desculpem o termo, mas é disso que se trata) um feto não seja propriamente o mesmo que tirar um dente. Felizmente o dente é meu, foi-me dado à nascença e não tenho que dar satisfações a ninguém para o tirar. Mas deixem-me acrescentar uma reclamação: EU QUERO PODER TIRAR DENTES NO SERVIÇO DE SAÚDE PÚBLICA. Pelo menos seria bom que as mulheres, homens e crianças de fracos recursos pudessem recorrer aos hospitais para tratar dos dentes e de inúmeros outros cuidados de saúde que deveriam ser assegurados pelos Estado, como por exemplo o de nascer numa maternidade, assistidos por médicos, em vez de em ambulâncias com o auxílio do bombeiro de serviço. Será que transformar os hospitais em clínicas de controlo de natalidade (chamemos-lhe assim), irá resolver os problemas de saúde pública?!!!
Olá a todos só queria rebater alguns argumentos do ultimo post que são frequentemente utilizados..
Maria disse:
“Quem somos nós,para matar alguém?
Se matamos alguém somos chamados criminosos e somos punidos por tal acto, então e se matarmos um bebé, não somos criminosos? ainda para mais um ser indefeso… por favor!”
- Matar um Bébé ou impedir o desenvolvimento de um feto que se tornaria num bebe nao desejado?
“O nosso futuro não são as crianças?”
- São e depois? È mandando as mulheres para a cadeia que aumentas a taxa de natalidade do país?
Entao que futuro vai ser o nosso?
Quando nasce uma criança, nasce uma inteligência, uma vida, uma alegria.
- Uma alegria? uma criança indesejada a passar fome na miseria.. Que algeria tão grande!!
O aborto não é a melhor solução, mas sim a solução mais fácil…
- mais facil?? se o consideres uma opção facil…
“e nós portugueses vamos sempre pelo mais fácil, para não ter trabalho.”
- Que eu saiba nós portugueses (a par dos polocos) somos os unicos da uniao europiea com esta legislação, se votarmos sim vamos atras desses mandriões dos alemaes dos espanhois dos franceses… desses atrasados.
“Alguém sabe o que vai acontecer a alguém?
Então como é que podem afirmar que a criança vai ser assim e assado? digam-me como?
Ninguém sabe o que vai acontecer, pode nascer numa familia pobre, na miséria, mas pode vir a ser o “presidente da republica”.
- Se vier a ser o Presidente da Republica, agora a sua vida ja tem mais valor?
“O estado fecha muitas escolas pq dizem eles que não há crianças, então se não há crianças ainda as vamos matar?”
- Sim porque agora com o a actual lei (do Aborto penalizado) as escolas do interior estão a abarrotar de crinças… Vamos continuar a penalizar o aborto para repovoar Portugal!!
“Ninguém tem o dieito de tirar a vida a alguém, e a mulher não tem o direito de escolher se vai ou não abortar, ela tem direito de escolher se quer ou não engravidar!
Sempre ouvi dizer que quem anda à chuva molha-se, então à partida que uma pessoa tem relações sexuais,tem consciência ou deve ter, que pode ou não engravidar, então tb sempre ouvi dizer que se não queres confusões, não te metas nelas…”
- Viva a Castidade eterna!
as mulheres vão para a prisão? diz-me qts casos conheces.
sim qd nasce uma criança nasce uma alegria,tu não deves gostar de crianças, vais-me dizer que nasce uma tristeza???
Sim o aborto é a opção mais facil, pq é matar e acabou-se, em vez de arranjar condições para as crianças. isso do presidente da republica foi só um exemplo, para bom entendedor meia palavra basta.
Maria (II), talvez sejas uma daquelas pessoas sortudas que nunca testemunharam a total ausencia de qualidade de vida. Refiro-me a necessidades basicas como comida e… carinho; essenciais para se educar uma criança. Não é possível nascer uma tristeza, no teu mundo… lá fora há crianças a morrer devagar e a sentirem todo o processo com os olhos esperançados e bem abertos.
Infelizmente não basta nascer. Pergunta-te porque temos institutos de reenserção social para crianças e adolescentes, já agora, tenta visitar um. Asseguro-te que sairás de lá mais rica, mas o teu mundo mais triste.
Peço-te que leias com calma o post do Jorge, se não te irritares, vais ver o que pertinência quer dizer.
PARA MIM UM NASCIMENTO É UMA ALEGRIA!
JÁ VISITEI MUITOS INSTITUTOS E ESTOU DENTRO DELES E SEI BEM O QUE É QUE SE PASSA!
A questão da prisão está na lei. E se não se cumpre porque então tanta polémica em alterar uma lei ajustada às condiçoes actuais do país?
Infelizemnte tenho te a dizer que ha muita tristeza e nasce todos os dias. Gostava de conhecer esse teu mundo!
É obvio que a maioria dos casos de gravidez corresponde a situações de felecidade ede um desejo comum… mas não são todos.
Quanto ao exeemplo do pobrezinho que chega aPresidente da Republica digo te outros tantos:o hitler ou do bush ou do mozer ou do chico da Barosa ou da Bonifacia de Alenquer.. são tudo vidas que valem o mesmo. A questão está entre ser desejado ou não e não ser ainda mais penalizado perante uma situação desesperada.
Se conseguires dilatar a alegria do nascimento de tal forma que caiba lá o resto da vida… e a consigas distribuir por todas as vidas que anseiam essa alegria… Aí sim, concordo que se prendam as Mulheres (E os respectivos inseminadores) que interropem a gravidez, porque são criminosas e eguístas.
Tenho alguns dados já para apresentar sobre as mulheres presas ou não… estou só à espera da autorização para contextualizar como as li, porque os factos são VIVIDOS por pessoas e, logo, necessitam de contexto.
e digo mais Jorge, matemos também as criancinhas que vivem na miséria. É uma forma de acabar com a miséria que tanto nos incomoda. Acho muito interessante esse raciocínio, devo presumir que a miséria é consequência do o aborto não ser livre? Devo concluir que sendo o aborto livre os pobrezinhos vão deixar de ter filhos para não mais haver miséria? Devo concluir que as crianças pobres foram todas indesejaveis e que só nasceram porque as suas mãezinhas não puderam abortar, coitadinhas?
Eu também ando à chuva e não quero saber de castidade eterna. Mas isso significa que posso andar a pinar sem preocupações, pois a contracepção ou a paternidade é um exclusivo da mulher? Olha que bom!!!
Realmente os espanhois, franceses e alemães são um povo evoluido, de tal modo evoluido que temos mães a irem parir a Espanha porque cá não há condições para isso. Mas isso não é importante, importante é criarmos condições para abortar criancinhas pobres, coitadinhas não devem viver com tanto sofrimento à sua espera. Eu pessoalmente promovia o aborto dos políticos, masgistrados e tantos outros que realmente só ocupam espaço e recursos, mas é dificil reconhecê-los à nascença.
Quanto a ti Pajo, em vez de contestares as questões da Maria, preferes sugerir que ela vive com a Alice no país das maravilhas e não conhece as tristezas da nossa sociedade, coitada.
Pois mas já que não consegues encontrar uma pobre mulher presa por ter abortado, consegues explicar-me porque motivo é esse o mote do referendo? É mais simpático lutar pela defesa da mulher do que pelo aborto, não é? Lanço-te outro desafio, descobre os números do negócio do aborto e talvez percebas porque estás realmente a lutar. Não tenho dúvidas que a maior parte das pessoas que lutam pelo sim, fazem-no com boas intenções, mas ao contrário do que pensa o Victor, estou convicto que toda esta polémica é por causa do negócio.
Peço desculpa se fiz sentir que se trata da maria e a alice no país da maravilha… até porque era mesmo bom que fosse assim… eu sei que há pessoas belas, que o Mundo não é belo pra todos e felizes os que conseguem acreditar, viver e educar os filhos pra esse Mundo lindo. Mas, tens de convir que basear toda a existencia humana à beleza do nascimento mereceu-me um reparo que, esperava eu, não fosse, em hipotese alguma, ofensivo. Até porque, se as pessoas vissem e vivessem o mundo por princípios como os da maria, em relação a uma nova vida, esta questão não estava a ser discutida.
Concordo contigo na questão da medicina dentária no SNS, lá está, temos de lutar, está tudo por fazer.
Não é que não consiga os dados, apenas quero apresentá-los com a autorização das pessoas que os produziram.
Quanto à questão financeira:
Se calhar, sai mais caro fazer um aborto ilegal e sem condições em Portugal do que em Espanha, legal e com melhores condições.
Se calhar, as pessoas com poder de decisão aquando do 1º referendo, não tinham nada a ganhar com a despenalização, e os de agora sim.
Se calhar os negocios que sempre existiram vão continuar a existir, mas mais visíveis… O que é que isso tem a ver com a mulher poder ser penalizada? E, já agora, não é mais simpático lutar pela defesa da mulher do que pelo aborto(?), apenas me é totalmente estranho uma realidade em que a lei decide pelo casal sobre o desejo do filho e depois vira as costas. Onde estar vivo é o mais importante e, depois, já não é culpa nossa. Tu dizes; eu não quero pagar o aborto a ninguem, eu digo; eu não quero decidir por ninguem, apenas por mim e pelos meus.
o aborto é um negócio tremendo, isso é um facto e não é de hoje, é de sempre. O mundo gira à volta do $$ e do sexo, é a realidade e não há como fugir a isso. É uma hipocrisia tremenda a pretensão de que o referendo é a luta pelos desprotegidos, isso é mentira.
O que a malta quer é uma saída para uma situação de gravidez incoveniente. A nossa sociedade é permissiva, o sexo é uma loucura e se tivermos o azar de emprenhar a vizinha, a mulher do amigo ou a prima, teremos que abortar. Se engravidamos a amiga numa noite de copos e loucura, vamos lixar a nossa vidinha toda por causa de um empecilho em gestação? É isso que está em causa e poderemos assumir as coisas como são, sem demagogias. Isto são realidades a ter em conta. Mas se estes e outros problemas a meu vêr poderão justificar a liberalização do aborto, entendo que isso não deve ser deliberado deste modo que considero inconcebivel, selvagem e rresponsável. Desde logo pq ao contrário do que afirmas, não poderás decidir nada, a mulher é que decide tudo e isso considero absurdo, indigno e inaceitavel. Só isto por mim já justifica o não. Para além disso há que ter em conta o que é um aborto e por muito que não queiras admitir é matar uma ser-humano, nos seus primeiros e encantadores momentos de vida. Assim entendo que a liberalização deve ser precedida de medidas profundas, como a formação dos jovens, a responsabilização e consciência das responsabilidades inerentes a uma acto sexual, o apoio às pessoas desfavorecidas, a melhoria do serviço público de saúde, há tanta coisa a ser feita no nosso país. A liberalização do aborto nos moldes que pretendem é selvagem, irresponsavel e absurdo. A despenalização da mulher é uma falsa questão. A comparação com países evoluídos como a Alemanha e Espanha é hipócrita, pois nesses países a saúde, segurança social, nivel de vida, tudo é muito melhor que cá e o aborto por questões de miséria social, nem se coloca. Além disso os países evoluidos também cometem erros e injustiças.
“O que a malta quer é uma saída para uma situação de gravidez incoveniente. A nossa sociedade é permissiva, o sexo é uma loucura e se tivermos o azar de emprenhar a vizinha, a mulher do amigo ou a prima, teremos que abortar. Se engravidamos a amiga numa noite de copos e loucura, vamos lixar a nossa vidinha toda por causa de um empecilho em gestação?…”- Eu conheço outras razões para interromper a gravidez, se calhar, existe mais gente do que só “… a malta”.
Interromper a gravidez é matar o feto de um ser humano em formação e não é a melhor opção. Devia era haver mais apoio concordo. Há interesses economicos concerteza. E o que é que estás pronto para fazer?… NADA! Deixar tudo como tá.
Mudar, mesmo que seja começando pelo fim, não é sempre melhor…?
“Por tudo isto criei este espaço… Gostava que fosse usado para esclarecer e até ajudar a decidir. Que cada um dê a sua opinião e respeite a dos outros e, se quizerem convencer-me a votar não… dêem-me razões conscientes e não demagogias que ouviram na televisão ou receberam por E_mail. Ajudem com as vossas opiniões.”
Fiz o que pediste e procurei dar a minha opinião consciente e sem demagogias. Não quero saber se te convenço ou não, é o que penso. Também tive o cuidado de ler todas as restantes opiniões e considero muito válidas as opiniões da Maria e as do Joel pelo sim. As restantes opiniões pelo sim, francamente não merecem a minha apreciação e algumas considero mesmo ridículas. Quanto às opiniões pelo não, de um modo geral apreciei todas, em particular as da Ana Mar e as da Maria II, talvez por serem mulher conseguiram exprimir bem o sentimento do que é estar grávida. Quanto ao Jorge, o modo como rebateu os argumentos da Maria II considero absurdo, abusivamente deturpador e facilmente rebatível, mas não vou perder tempo com isso. Apenas lhe direi o seguinte, não sei quem é a Maria II, mas quando referiu que uma pessoa mesmo saída de uma família pobre poderia vir a ser presidente, certamente pretendia alertar que ao matarmos uma vida estamos a destruir um potencial humano que poderá ser enorme. Quem pretende seleccionar os que merecem viver em função do valor social, não é a Maria II és tu.
Quanto à tua pergunta Pajo, sobre o que pretendo fazer… votar não, é fazer alguma coisa, pois permite a continuação da luta pela dignidade humana. De resto deixei bem expresso que considero a possibilidade da liberalização do aborto, mas não nestes termos. Tal como o Joel acredito que este é mesmo um mau diploma, mas ao contrário dele entendo que merece ser abortado.
Na minha perspectiva votar sim neste referendo é tal como o aborto, colocar um ponto final na questão e deixar tudo por fazer.
Seja como for é a minha opinião e apenas isso, sendo que pouco mais posso fazer.
“Mudar, mesmo que seja começando pelo fim, não é sempre melhor…?”
não.
Pois foi o que eu tentei fazer… dar a minha opinião rebatendo outros argumentos e se são tão fáceis de rebater… que os rebatam não os deturpando dizes muito bem! Aliás”digo mais Jorge, matemos também as criancinhas que vivem na miséria. É uma forma de acabar com a miséria que tanto nos incomoda. (…) Devo concluir que sendo o aborto livre os pobrezinhos vão deixar de ter filhos para não mais haver miséria?” se isto não é deturpar o que é?
A questão óbvia é evitar ainda mais miséria, se as pessoas querem ter filhos não tenho nada contra, venham eles! O que me parece a mais perfeita estupidez é criminalizar uma mulher por não querer mais miséria na sua família, isto não me parece muito difícil de entender…
Confesso que acredito que a Maria queria dizer isso mesmo: que alguém pobre pode vir a ser presidente da república, algo grande! O que o quis foi desmistificar isso mesmo: um potencial ser humano não é maior ou menor, não se mede. Acredito é que ninguém melhor que a mulher pode decidir qual é a melhor solução.
Um casal com um filho, ambos trabalham na mesma fábrica, recebem ambos o ordenado mínimo, a fabrica vai bem e eles confiantes com a prosperidade da empresa (com 800 euros mensais) resolvem ter outro filho, ela engravida. Enquanto isso os donos da fabrica decidem deslocaliza-la para um país de leste, eles chegam à conclusão que dada esta situação não têem condições para outro filho sem por em causa o bem estar e o desenvolvimento saudável do outro filho)
Solução NÃO
1º A mãe vai a Espanha, estoirar o pouco dinheiro que lhe sobra ou vai a uma parteira num beco sem saída sujeita ás piores condições de higiene.
2º Sujeita se a ser humilhada em tribunal por uma lei arcaica
3º Sofre os problemas traumáticos normais num aborto.
Solução SIM
1º Vai a uma clínica (de preferência pública e com o dinheiro dos meus impostos) em Portugal. (Não me importo de pagar impostos para isto, como não me importaria de pagar para Dentistas o outras Áreas que contribuíssem para a saúde publica)
2º Sofre os problemas traumáticos normais num aborto mas pelo menos não é sujeita ao vexame do tribunal e outros problemas derivados das parcas condições de higiene.
Será tão difícil de acontecer este caso em Portugal? É obvio que se deve lutar por melhores condições, educação sexual, Bla Bla Bla.. mas uma coisa impede a outra?.
E COMO ERA ANTIGAMENTE? CERTAMENTE QUE OS TEUS PAIS ASSIM COMO OS MEUS, PASSARAM POR TREMENDAS DIFICULDADES, E NÃO FOI POR ISSO QUE A MINHA MÃE ABORTOU. ISSO É TRETA! TUDO SE CRIA, MELHOR OU PIOR TUDO SE CRIA!
Jose Pinto, o objectivo deste debate persiste e obrigado pela tua disponibilidade e honestidade na defesa do que acreditas. Confesso que desejo ver-te mudar de opinião quanto à lei, mas não desejo que mudes a tua maneira de ser, nem a tua opinião quanto ao que a sociadade precisa de fazer; não porque eu concordo, mas porque és sensível à questão.
“Que cada um dê a sua opinião e respeite a dos outros” tem sido cumprido mesmo que, por vezes, à tangente.
A questão não é facil de discutir, temos de estar concentrados nas opiniões e não nas pessoas… o objectivo é acabar com a confusão que existe sobre o referendo, continuem a ajudar-me porque, obviamente, a confusão é mais profunda do que aparentava.
Pajo, leu o meu último post?
Mais uma opinião.
Vi as fotos e fiquei muito impressionado. É vida, não é vida? sofre, não sofre?
Nós quanto mais vivemos na cidade mais longe estamos do contacto com a morte e os ciclos da vida. Já tive esta conversa com o Pajó. Quem vive ou viveu numa aldeia, aprendeu, sem querer, a conviver com os ciclos das estações, semear, crescer, fruto, secar. Isto com as plantas mas também com animais. Doovo nasce o pinto, fica galinha e acaba na panela.
Já mataram uma galinha ou assistiram? É duro, é traumatizante, é embrutecedor, é rotineiro …
Já assistiram á morte de um porco, cabra, ovelha, … são mamiferos, têm um sistema nervoso muito semelhante com o nosso. São sensíveis, inteligentes, …
Quando passarem na secção das carnes de um super-mercado pensem em quanto sofrimento está ali em exposição. Leitão. Quanto mais urbanos nos tornamos menos contacto temos com a morte.
As tribos actuais em África sentem o mesmo terror quando têm de matar para comer. Para aliviar esse terror acreditam que o animal deu a sua vida não foram eles que a tiraram, agradecem o alimento que vão tomar porque significou a morte de um animal.
Se um feto com 10 semanas é vida, não sei.
Se uma célula (óvulo ou espermatosoide) é vida, não sei.
Se um feto com 10 semanas sofre, não sei.
Uma criança, sofre.
Um adolescente, sofre.
Uma mulher, sofre.
É uma ideia curiosa que todos fomos um aborto potencial. Também curioso tomarmos consciência que se nascecemos 100 anos antes poderiamos não nos termos safado do parto, das gripes, das febres, das diarreias, das infecções, das faltas de higiene, á fome …
ana mar, eu leio todos os post’s.
Se a ana mar ler os meus vai encontrar a resposta. Para não saturar as pessoas que lêem os comentários todos, não me vou repetir.
é mais que uma ideia curiosa esta do xicote e acrescento que se fossemos gerados daqui por uns anos nem sequer nasciamos, pois certamente muitos seriamos abortados. Efectivamente as pessoas do campo sentem mais solidariedade e dão mais valor à vida. Nas cidades geralmente as pessoas são mais frias e insensiveis.
Olha lá Jorge, tu não defeniste o tempo do entretanto. Para que esse filme ocorresse dentro da lei, teria que essa nova situação da deslocalização da fábrica ocorrer antes das 10 semanas de gravidez. E se já tivesse passado por exemplo 6 meses, iria a senhora ter que fazer o aborto num beco e sujeitar-se a uma lei arcaica, certo? Mas e se já tivessem passado 9 meses, com um recém-nascido para sustentar e não tendo meios económicos, teria que aliviar o sofrimento da família matando o bebé? E porque não matar antes o outro filho, se só pode criar 1 poderia escolher o mais económico? Afinal os motivos que invocastes para esse aborto mantêm-se matemos o bébe, certo? É claro que nesta situação a lei é ainda mais arcaica, pois para além do vexame, seria presa, isto no caso de não ser linchada pela população. E o caso de uma família que, embora o salário do casal seja apertado, resolvam ter um filho. Imaginemos que depois de nascer, descobrem que afinal fizeram mal as contas, pois os putos para além das fraldas, alimentação e essas coisas, também necessitam de cuidados médicos e o filho até sofre de umas doenças esquesitas e dispendiosas. Feitas as contas decidem que é melhor criarem um filho quando tiverem melhores condições, porque não matá-lo?
Desculpa se tou a deturpar o teu exemplo, mas a minha intenção é apenas alargar a tua ideia, dentro do mesmo princípio economicista para justificar a carnificina. Desculpa se este termo te parece exagerado, viste o link que indiquei anteriormente? http://aquihaesperanca.blogspot.com/
Não deixes de vêr as fotos, é a realidade por isso é bom que a encares, pois uma foto vale por mil palavras.
Pajo ainda não me deste argumentos para mudar de opinião, antes pelo contrário.
A seguir apresento a “resposta” quanto à prisão das mulheres, são palavras sobre o País onde vivemos e foi extraido do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo SIM, é um movimento popular, recomendo visita clica aqui
“No nosso país, no ano 2001, ocorreu na Maia um julgamento em que se sentaram no banco dos Réus, 17 mulheres acusadas pelo crime de aborto.
As instalações do tribunal da Maia eram pequenas para proceder ao julgamento. Foi então montada uma tenda gigante onde decorreu a audiência. O espectáculo ia começar. Naquele espaço entraram uma a uma as mulheres, sobre as quais pendia a acusação de terem praticado um crime a que correspondia uma pena que podia ir até 3 anos de cadeia. Estas mulheres viram e ouviram num silêncio obscurecido pelo espanto, os detalhes sórdidos das suas vidas mal vividas; viram e ouviram pela voz sacralizada e bem audível do tribunal, naquele cenário pesado, rígido e hostil, publicitar o que queriam esquecer, como se o pesadelo se renovasse e num fôlego brutal se abatesse de repente a estilhaçar sem rodeios a sua intimidade; viram e ouviram o discurso da lei, nas caras sérias dos juízes de becas pretas, que discursavam numa oralidade técnica sobre o que fizeram e não fizeram, sobre o que deveriam ter feito e deixado de fazer, sobre o seu corpo, a sua vida, o seu útero e os seus encontros e desencontros.
Ninguém perguntou – “E o que têm os Meritíssimos com isso?”, ninguém disse – “No meu corpo mando eu”, ninguém ousou sequer questionar – “onde estão os homens, que nos teriam engravidado?”, a vergonha a cobrir grotescamente aquele friso de mulheres pobres, mãos húmidas e gargantas secas, o coração a bater num galope sem freio, o medo a espreitar e em cada gesto a vergar a espinha das palavras que não saíram e a instalar-se num silêncio expectante de animal ferido.
As mulheres da Maia foram na sua quase totalidade absolvidas porque se calaram.
Das duas que optaram por falar, uma foi absolvida, porquanto o Tribunal entendeu ter já ocorrido a prescrição por terem decorrido 5 anos sobre a prática do alegado “crime”.
A outra foi condenada.
Podíamos ter aprendido alguma coisa com a dolorosa experiência do julgamento da Maia. Mas pelos vistos, os poderes e os poderosos deste país gostaram do evento. E aí o temos de novo reeditado em Aveiro, onde em 2004 decorreu de igual modo um julgamento em que mais uma vez se sentam no banco dos Réus 7 mulheres acusadas da prática de aborto.
Desta vez porém, foi-se mais longe e aí se sentaram também, maridos, namorados, companheiros, pais e até um motorista de táxi que levou uma das mulheres ao local onde alegadamente teria abortado.
Mais uma vez a polícia utilizou escutas telefónicas, vigiou entradas e saídas de mulheres do local onde supostamente se realizariam os abortos, e pasme-se, terá inclusivamente obrigado algumas das mulheres a realizarem exames ginecológicos.
O afã policial, absolutamente digno da Inquisição, denota com nítida evidência até que ponto o fundamentalismo moral dos defensores da actual lei pode chegar.
Setúbal seguiu-se neste roteiro absurdo; mais três mulheres julgadas em 2004, com a polícia a irromper no consultório da parteira, uma polícia ágil no pesadelo que ensombrou durante meses e anos, o tempo de decurso do julgamento e respectivos adiamentos, o dia a dia das arguidas neste processo-crime.
O grande crime das mulheres da Maia, Aveiro e Setúbal, foi o de não terem dinheiro para se deslocarem a Espanha ou a qualquer outro país da Europa, para aí com dignidade e respeito pela sua intimidade e saúde, praticarem este acto médico, que o aborto é.
Aquando do último referendo, todos aqueles que defendiam a continuação desta lei hipócrita, sussurravam numa falsa cordialidade que em Portugal as mulheres nunca seriam nem julgadas nem penalizadas por terem voluntariamente interrompido a gravidez.
Mentiam e pior do que isso, sabiam que mentiam.
Por isso é fundamental a mobilização para o próximo referendo; é fundamental acertar as contas com a dignidade negada, com o cheiro a medo que se exalava destas mulheres mergulhadas num silêncio doloroso que não escondia contudo o barulhar de uma raiva legítima.
Vivemos em democracia há quase trinta anos. A lei que diz que o aborto é um crime é uma excrescência do fascismo que envergonha e humilha o regime democrático.
Mas não só. Envergonha-nos e humilha-nos a todos. Homens e mulheres. E a quem nada fizer para a mudar.”
* Por Alice Brito, Advogada em:
http://cidadaniapelosim.blogspot.com/
Espero que este texto, não completo, ajude a trazer algum realismo aos argumentos que, por vezes, são apresentados.
Jose Pinto, eu fui ao link, vi as imagens chocantes e reafirmo que já vi as mesmas imagens em contextos a favor da despenalização… não estavam menos chocantes. Simultaneamente preocupante a condição em que ficaram as mulheres que tambem fazem parte daquela realidade.
Eu pessoalmente sou a favor da despenalização, o que nao quer dizer que esteja de acordo com o aborto. Porque nao despenalizar? Visto que uma mulher se tiver em vista a prática do aborto dirige-se ao estrangeiro e realiza-o na mesma, ou então faz-lho com falta de condições e elegalmente, aqui. Para isso, mais val despenalizar o aborto em Portugal e assim as mulheres escuzam de ir ao estrangeiro ou passar riscos elevados desnecessários! Todos temos liberdade de escolha. Quem sou eu, nao estando de acordo com aborto, fazer juizos sobre as escolhas de uma mulher, que por ventura nao tem possibilidades de cuidar do bebe, nao tendo outra alternativa? As pessoas devem ter responsabilidade e estar conscientes de que o aborto nao e UM CONTRACEPTIVO! Este causa varios problemas as mulheres, tanto fisicos como psicologicos!
Tal como existem muitas escolhas que temos que fazer na vida, esta é mais uma!
Jose Pinto, ana mar, MariaII e Vitor peço-vos que leiam o link que se segue, se conseguirem, porque é um pouco longo mas, é a reflexão mais equilibrada, sóbria, realista, objectiva, coerente e esclarecedora que li até hoje.
http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2006/12/porque_voto_sim
Pajo, contabilizei 23 mulheres acusadas e 1 condenada. Condenada a quê já agora, qual foi a sentença deliberada? Considerando que desde 2004 não terá havido mais nenhuma situação desta natureza, pergunto se desde 2004 que não se realizam abortos?
Agora gostaria que me apresentasses a estimativa de quantos abortos terão sido ilegalmente realizados em Portugal, desde o referendo de há 10anos. Pergunto porque motivo foram estas senhoras investigadas e levadas a julgamento e tantas outras (imagino eu) tenham sido ignoradas. Pergunto se algumas destas senhoras se enquadravam no tal protótipo de socialmente desprotegidas e pobres e que tanto servem os argumentos de luta pelo sim. Estas são perguntas relevantes, pelo menos para mim que sou da opinião que haverá mulheres (e não só) que merecem ser julgadas e eventualmente condenadas pela prática do crime de aborto. Ao contrário do que afirmas, o aborto não é um acto médico antes pelo contrário. Lê o juramento de Hipócrates e aponta-me de que modo matar uma vida humana se enquadra num acto médico.
Agora assumindo o meu desconhecimento sobre as circunstâncias e condições que levaram essas mulheres a abortar, vou colocar a hipótese de terem sido injustiçadas. Nesse caso terei que lamentar o processo porque passaram, mas não posso deixar de te questionar o seguinte: em 10anos apenas estas mulheres terão sido vítimas de injustiça penal? Eu tenho uma péssima ideia da nossa justiça e como tal questiono sem pretender minimizar esta eventual injustiça, porque motivo a luta por estas mulheres justifica tanto esforço e tantos referendos em contraponto com outras injustiças, porventura mais penosas e com consequências bem mais gravosas. Em minha opinião, a resposta a esta questão está nos interesses das clínicas e nos profissionais do aborto. É um negócio de milhões e que envolve contornos obscuros e duvidosos.
O aborto não é uma situação natural, a incubadora (como anteriormente chamaste) não pode optar por abortar, por não lhe ser conveniente ter um filho, por muito que queiras ignorar e desprezar o valor da vida em gestação. Pode optar por se precaver contra a gravidez. Pode optar por tomar a pílula do dia seguinte no caso de um descuido. Mas a partir daí, se não quiser ter o filho terá que recorrer a quem lhe resolva o problema e no mínimo, deveria ser-lhe exigida a concordância de quem a emprenhou, do mesmo modo que lhe é exigido (pelo menos legalmente) responsabilidades, no caso de levar a gravidez até ao fim. Não é uma opção da mulher, é um acto de destruição de uma vida humana que desenvolve dentro de si. Procriar é uma bênção e muitas pessoas sofrem por não o poderem fazer. Quem tem esse privilégio deve a si próprio respeito e responsabilidade, seja homem ou mulher. Ainda não me definiste os limites de quando consideras o início da identidade e dignidade humana. A partir dos 10 meses? Porquê a partir dos 10 meses?
Mantenho o meu voto contra a banalização do aborto, reafirmo fraudulento e demagogo o pretexto de que o referendo é pela despenalização da mulher e principalmente recuso-me a ser excluído da decisão sobre o destino de um filho meu.
“…vi as imagens chocantes e reafirmo que já vi as mesmas imagens em contextos a favor da despenalização…”
O que pretendes com esta afirmação, desvalorizar as imagens? Baralhar-me? Explica-me em que contexto as imagens de aborto ou de uma feto podem contribuir para a campanha do sim?!!! Quanto a mim essa tua afirmação é pura demagogia, prova-me o contrário.
Realmente Pajó, o blog indicado tem um comment muito esclarecedor e equilibrado. Ainda bem que o li.
Já me esquecia, sou pelo SIM.
José Pinto, segue o link do Pajó e vais ter oportunidade de ver de uma forma esquemática as questões levantadas (e outras não levantadas) com este referendo.
Eu reforço a indicação de lerem o que se diz no link:
http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2006/12/porque_voto_sim
Está tão bem escrito e tão completo que esclerece até do porquê desta grande confusão que fazes. Lê tudo porque eu concordo com TUDO e dá resposta a todas as tuas preguntas, até tem os dados estatisticos a que te agarras.
Agora há uma mulher presa e tu continuas na mesma. Afinal, tu achas que a tua mulher só teve o teu filho porque não queria ser presa, ou porque tu inspiraste-lhe confiança e amor…? Voces têm a familia que quiseram ter, ou a que vos foi imposta?
Quanto às mesmas imagens usadas noutro contexto, serviam as mesmas, para mostrar os resultados e a falta de condições no aborto ilegal. Demagogia e manipulação em qualquer dos casos. O assunto deve ser discutido com consciencia e não com espectacularidade. Isto não é uma competição entre o sim e o não.
Eu sou a favor das soluções mas não a qualquer preço. Sou a favor da liberdade, só com ela pode existir responsabilidade.
Primeiro gostaria de felicitar todos os que até agora manifestaram democraticamente a sua opinião a favor ou não sobre a despenalização voluntária da gravidez.
Vou começar por me apresentar… sou mãe à quase 3 meses e embora tenha 30 anos devo dizer que este tema foi sempre para mim muito claro… no que respeita á questão da despenalização, até porque, segundo o meu companheiro sou meia feminista e por isso a favor dos direitos das mulheres pela sua igualdade, que o amor maternal não é inato (não nasce só porque temos um corpo capaz de reproduzir, etc. … e opor isso nesse contexto votaria a favor… até passar pela minha própria experiência… enquanto grávida e agora mãe.
Ser mãe é muito mais do que alguma vez imaginaria que fosse… relembro agora as palavras da minha própria mãe… é mesmo muito intenso… em todos os aspectos… ao nível dos amor, dos afectos, dos sentimentos, dos medos, das angústias, da felicidade plena, do desconforto, da insegurança, da (in)tranquilidade da mudança no casal, monetariamente, das sensações, etc.… é muito difícil ser-se mãe e pai… mas de facto este é um assunto de dois e não de um só (mulher) … continuo claro, a ser a favor dos direitos igualitários entre o homem e a mulher mas, depois de passar pela minha própria experiência… digo que para mim um embrião já é um ser (célula) com coração é um ponto final (tamanho do embrião com mais ou menos 5 semanas) que se vai desenvolvendo em feto (11 semanas e nesta altura mede cerca de 30mm e pesa sensivelmente 8g) e logo será alguém que partilhará todos estes aspectos que mencionou acima. Não votarei a favor da morte… mas votarei… não deixarei que a abstinência de voto decida por mim. Concordo inteiramente um pouco com o que todos já manifestaram neste blog… concordo com o José Pinto… com a excepção deste ser a favor da despenalização no caso das (pré) adolescentes… acho que o nosso estado deveria passar com contribuir em tantos outros aspectos mencionados por vós… pagamos impostos para isso… no entanto não o faz. Trata-nos com indiferença… não só à Mulher como ao Homem. E olhem que, embora companheira de uma outra pessoa, sinto-me com 30 anos muitas vezes muito só neste meu papel de mãe e mulher… já que na minha própria casa nem sempre existe um sentimento de equipa entre o casal nesta nossa nova fase e caminho a traçar… tenho amigas que já fizeram abortos, pelas mesmas razões mencionadas por Vitor Barros… e continuo a dar-me bem com essas pessoas (não é amizade de hipocrisia) porque respeito a sua opinião, mas não concordo jamais… concordo com o que já está legislado sobre o assunto nesta matéria (acho que se deveriam criar mais condições no acesso à informação quer ao nível mais psicológico, de conhecimento clínico quer de troca de experiências entre outros tantos casais e não casais que passaram … que acham que vão passar… etc.… mais diálogo democrático… sem retaliações… muitos temos a aprender uns com os outros.
Acabo dizendo que já tenho dito, no calor da exaustão e da tortura de horas e horas sem dormir… ao meu companheiro que não quero ter mais filhos e que neste momento ficaria infeliz se voltasse a engravidar… facto sentido por estar à quase 2 meses sem dormir direito, por me sentir cansada, por não ter vida enquanto mulher (vivo exclusivamente 24 horas para o meu filho), por ter saudades daqueles dias quentes de paixão e de descontracção a dois entre casal… embora tenha tantos sentimentos difusos e confusos neste momento (em 48 horas, praticamente dormi 5horas ainda) acho que é um crime matarmos um ser (que de facto sem a sua incubadora, a mãe… esse embrião, porque até às 11 semanas é assim que se chama… morreria) que não tem como se defender e embora ainda não seja um ser humano pensante já bate, já mexe, já cresce para vir a ser alguém. E acreditem a minha gravidez não foi nada mesmo fácil e já houve alturas em que me arrependi por estar grávida e por ser mãe por achar que não aguentaria a pressão a que estive sujeita e estou e até mesmo o risco de vida que de certa forma corri nessa fase e ainda corro. Dêem mais condições a podermos sermos mulheres realizadas e mães felizes sem que para isso a opção do aborto não seja opção… seja só uma coisa que nos ocorre no pensamento em dias maus. Homens contribuam mais no apoio às vossas mulheres ( a todos os níveis) esta fase não é só difíceis para elas e par o casal em si… mais apoiem mais… até nas pequenas coisas… não obrigadas (psicologicamente) a termos mulheres que decidem abortar por falta de suporte familiar. Formem equipas de apoio entre si. Eu votarei Não. (PS desculpem o português e a falta de acentuação, deveria estar a dormir… porque FINALMENTE O MEU FILHO ADORMECEU E NÃO SEI POR QUANTO TEMPO). Feliz ano de 2007 para todos.
Obrigado Sandra por este teu testemunho. Mais que uma opinião, transmitiste o teu sentimento de um modo profundo e pessoalmente achei-o lindo. E concordo com tudo o que dizes, inclusive com a crítica sentida para com a falta de apoio no casamento de que as mulheres são tantas vezes vítimas. Aceito perfeitamente a tua discordância relativamente às adolescentes, gostaria de discutir sobre isso, mas não está em discussão no referendo.
Para mim soube-me particularmente bem lêr o teu texo, pois acabei de lêr o texto que o pajo e o xicote insistiram para eu lêr e digo-te uma coisa: meteu-me nojo, foi o texto mais hipócrita que li até hoje.
http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2006/12/porque_voto_sim
Francamente Pajo… conheço-te à tantos anos e sinto-me surpreendido e desiludido por considerares que esse texto responde às minhas questões, dúvidas e confusões! Para começar eu não tenho dúvidas quanto ao referendo e à minha posição de voto. A minha dúvida no início seria apenas sobre se deveria ir votar e graças a ti, a este blog, ao pensar profundamente e a tudo o que já li a favor e contra, vou votar convictamente no não. A minha desilusão resulta da conclusão de que nada do que tenho dito, terá sido alvo de uma análise crítica tua. Não fossem os restantes participantes e eu teria estado a falar para o boneco. Não pretendo que concordes comigo, nem tomo como certas e inquestionavies as minhas convicções. Procurei sobretudo colocar-te questões e levar-te a pensar o referendo sobre diversas perspectivas que considero fundamentais e muito mais importantes que a falsa questão porque tanto de bates, da protecção às indefesas mulheres que abortam. E depois de que tudo o que escrevi, apresentas-me a opinião desse gajo como o “Santo Graal” do referendo!!!!
Li todo o texto com atenção e considero que é absurdo, pretensioso e completamente desonesto. Anula questões fundamentais, para partir para presupostos errados e demagogos retirando depois conclusões parciais e abusivas. Foi assim deste modo que iniciei a resposta a esse gajo (Daniel Oliveira) e claro que justifiquei aquilo que disse. Vai lá caro amigo e lê o que lhe respondi. É claro que não lhe respondi a tudo pois é um texto muito extenso, mas facilmente lhe desmonto todos os argumentos, assim eu me dê ao trabalho.
detesto pôr as coisas em termos tão simplistas, mas não consigo votar “não” porque não me sinto capaz de impedir pessoas cujas condições não conheço, nem posso nunca, nunca, nunca antecipar, de tomar uma decisão livre. não posso decidir por toda a população portuguesa, tenho que confiar na responsabilidade de cada um.
estive com atenção ao noticiário em que reportaram que a legislação em Espanha é muito semelhante à nossa mas os médicos são mais sensíveis, ou liberais…, no entendimento do risco psicológico da gravidez para a mãe. se este está previsto na lei, na lei que temos agora, podemos realmente fingir que ele não existe?… e não é a destruição da vida da mãe e do pai, e dos irmãos, que acarreta risco psicológico?
matar um feto não é matar uma pessoa, ou todos os abortos espontâneos eram alvo de investigação criminal e alguns resultavam em homicídio por negligência. certamente que os defensores da vida não levam as suas crenças ao ponto de perseguir as mulheres que viajam até Espanha… se não têm essa preocupação com essas vidas, porquê tanta determinação em proteger as dos fetos cujas mães e/ou pais não têm recursos financeiros? para mim, é aqui que reside a hipocrisia. não quer dizer que todos os defensores do não estejam pejados do mesmo.
vou ler o texto para o qual o comentário do José Pinto me aguçou a curiosidade!
Maria aprecio bastante a honestidade das tuas ideias e respeito a tua opinião. No início desta discussão estava inclinado a não votar, por ter as mesmas dúvidas (ou parecidas) que tu (e bem no meu entender) apresentas. Sendo certo que nunca votaria no sim, por ser contra os meus princípios. Não vou contrapor os teus argumentos, pois merecem o meu respeito embora no geral discorde e me considere capaz de os contestar. Mas devo dizer que considero estares errada nalgumas considerações. O aborto expontâneo não é uma opção, sendo tão criminoso, como por exemplo um ataque cardíaco. Quanto à justificação das dificuldades económicas para legitimar o aborto, isso considero um argumento de enorme hipocrisia, por parte das organizações que tanto pugnam pela liberalização. Esse argumento é facilmente rebativel e de diversas formas. Mas pergunto-te 2 coisas a esse respeito:
1ª quem vai a Espanha abortar, fá-lo por dificuldades financeiras para criar um filho?!!!
2º é apresentado como bandeira e exemplo para a liberalização do aborto, o facto de isso ser uma realidade nos países mais evoluidos, como Alemanha, França ou Espanha, certo? Como explicas o aborto em países onde falar-se de miséria social e dificuldades económicas para criar um filho, é diria eu um absurdo?
Quanto ao texto que referiste, lê também a minha resposta. O gajo também já me respondeu, mas não vai ficar sem resposta e da próxima vou ser ainda mais incisivo, na denúncia da falsidade e da hipocrisia das suas considerações.
OLA A TODOS, NÃO TENHO ESCRITO MAIS COMENTÁRIOS PORQUE AGORA NESTA ÉPOCA DE TRABALHOS E FREQUÊNCIAS É COMPLICADO, MAS TODOS OS DIAS VENHO LER OS COMENTÁRIOS.
NÃO SEI SE VIRAM ESTA SEMANA UMA REPORTAGEM QUE DEU NA TV, DE UMA MULHER QUE TINHA FEITO 23 ABORTOS, REPITO 23 ABORTOS!
PAJÓ DIZ-ME O QUE MERECIA ESTA MULHER?
http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2006/12/porque_voto_sim, a conclusão a que cheguei quando li este texto, foi a seguinte, “Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio… então cala-te”
Não estás a falar sozinho Jose Pinto, se não dou resposta é porque alguem respondeu e se eu concordo, não vou repetir. Por exemplo, a questão dos interesses financeiros hoje existe mas não te importa, amanha é que será pior… é a tua convicção = eu não tenho resposta, dou-te a minha opinião mas tu não “ouves”…! Aparentemente a verdade está contigo e já tens as respostas todas mas, não é por isso que vou desistir desta luta, porque tu mereces.
Chamar hipocrita, julgar os outros à distancia é muito facil. Maria II, para saber o que a mulher merecia tinha de conhecer as situações, TODAS, mas asseguro-te que começava pelas pessoas que educaram essa mulher.
Esta Maria II agora deixou-me ficar mal
Tive eu até tão tarde a gastar um paleio e um tempo precioso com esse Daniel Oliveira e tu Maria em 2 linhas arrumaste com o gajo. Sim porque aqueles argumentos não merecem mais que o desprezo. Depois da tua intervenção, já nem sei se lhe vou dar resposta.
pajo e falas tu em demagogia e hipocrisia?!!!
Não és capaz de condenar uma mulher que praticou 23 abortos, dás-lhe o benefício da dúvida, mas absolves sem reservas as 23 mulheres que foram a julgamento pelo crime do aborto num país em que 2º o Daniel Oliveira, se praticam 18.000 abortos/ano!!!
Julgas errado o direito do Estado a julgar pessoas pela prática de um crime, mesmo sem conheceres os contornos dos casos.
Já pensaste se muitas dessas mulheres não terão sido denunciadas pelos parceiros por exemplo, por se sentirem violentados nos seus direitos de progenitores?
Não a verdade não está comigo, mas ainda não me respondeste às questões primordiais, aquelas que convenientemente recusas analisar, para fazer prevalecer a tua posição. E continuo À espera de resposta por ti ou por quem quiser.
Eu acho que é exactamente aí que discordamos, quais as questões primordiais.
Vem aí um referendo, que só por sí já deu origem a algo positivo: a discussão. Nós podemos viver solidariamente, refilar que as coisas estão mal, podemos até gritar por apoio, alguns, mais generosos, voluntariam-se para ajudar como podem e o que podemos mudar é sempre o muito pouco que está mais perto de nós… mas mesmo muito perto. Os outros, fica-mos a saber pelos meios de comunicação; tarde de mais para se fazer algo que não condenar (porque eu não disse que não condenava aquela mulher, apenas gostava de conhecer o ambiente quando esta mulher nasceu, para saber mais sobre essa alegria, quando é que desapareceu).
Com um referendo para alterar uma lei que afecta a Todos, tens a oportunidade de, pelo menos, torná-las visíveis (pergunto-me se não fosse o referendo se se saberia desta mulher ou, daquela menina com 12 anos, grávida…?) e assim, poderes estender a tua/nossa capacidade de ajudar.
Para se fazer algo, temos de conhecer e identificar as causas sem complexos ou medos.
Não podemos ir no “andor” do espectáculo. Isto não é um campeonato.
É mais facil condenar esta mulher do que tentar conhecer o valor da vida dela. Ela fez mais do que nascer, ela viveu e podia ter sido mãe 23 vezes, não o foi porquê? Não me interessa se ela vai ser condenada ou não, o que me interessa é que enquanto o show acontece, muitas outras mulheres estão a caminhar para lá, mas ninguem quer ver.
Eu vou votar sim, só porque o sim muda muita coisa MEU AMIGO. O sim torna visível e eu quero ver melhor, tu não? Voces não?
José Pinto, tratas o Pajó como se fosse um oráculo com respostas para tudo (desde que as respostas sejam do teu agrado)!
Ter dúvidas é o primeiro passo para o conhecimento.
Face a uma mulher com 23 abortos ás costas não consegues reconhecer a grandeza de alguem que prefere recuar e querer saber mais detalhes e resistir á tentação de afunilar (colocar oculos de cabedal) e condenar sem mais. Francamente!!
Isto parece mais uma questão pessoal entre vocês os dois do que uma discussão sobre a despenalização do aborto.
“…alterar uma lei que afecta a Todos, tens a oportunidade de, pelo menos, torná-las visíveis…Eu vou votar sim, só porque o sim muda muita coisa MEU AMIGO. O sim torna visível e eu quero ver melhor, tu não? Voces não?…”
Se isto não é demagogia é o quê?!!!
1. Explica-me de modo a que eu perceba, de que forma a liberalização do aborto vai tornar visíveis os problemas que levam ao aborto e qual o contributo para a eliminação dos seus factores?
2. Explica-me como poderás analisar o problema se nas clínicas privadas de aborto vai imperar o sigilo?
3. Explica-me qual o contributo que esperas das clínicas de aborto para a melhoria de vida das famílias necessitadas? Irão patrocinar abortos gratuitos a quem não os puder pagar?
4. Diz-me concretamente o que fica visível no sim, ou o que queres tu ver melhor?
5. Explica-me porque deve o estado financiar abortos, se fecha maternidades, não constrói hospitais pediátricos que tanta falta fazem, não presta os cuidados médicos básicos às crianças e tantas outras carências a nível do SNS, carência de serviços de INEM na província, etc. Isto para não falar em tantas outras carências estruturais que nos mantêm a anos-luz de países como a França, Alemanha ou Espanha e que os defensores do sim gostam de usar como exemplo para justificar as suas pretensões. Lembro-te que ainda esta semana morreram vários chefes de família afogados junto à costa, por manifesta falta de meios de socorro. Presumo que se alguma das suas viúvas estiver grávida a solução é fácil, ela que aborte pois assim não terá que passar por dificuldades para sustentar o órfão. E se ela pese o desgosto e a falta de meios quiser que o filho nasça, por amor e respeito pelo falecido pai, haverá quem a ajude? Não o melhor será definitivamente abortar. Isto se tiver a sorte de ter menos de 10 meses de gravidez. Será que na Espanha sentiria essa necessidade? Eu tenho uma tia espanhola cujo marido pescador morreu no mar, deixando-lhe 3 filhas de 6meses, 6anos e 8anos. Hoje são adultas e muito bonitas, têm a sua vida, uma delas casada e já com um filho. A mãe delas nunca na vida trabalhou e não precisou da solidariedade de ninguém para criar as filhas sozinhas. O Estado pagou-lhe o sustento e sempre viveram bem. Achas que é justo comparar a situação do aborto com Espanha ou Alemanha? Nesses países aborta-se por dificuldades financeiras?
Partir de pressupostos errados para fazer prevalecer a nossa razão, não é correcto. Começas este blog sublinhando a vermelho uma frase da declaração dos direitos da mulher à qual lhe empregas um significado que seguramente não tem. Isso é deturpação.
Depois dizes que criaste este espaço para ajudar a esclarecer e pedes que usemos argumentos conscientes em vez de usarmos frases gastas da tv ou recebidas por email e depois rejeitas os meus argumentos sem os conseguires refutar e em vez disso usas tu próprio frases gastas e demagogas e remetes-me para o blog de um jornalistazeco, comuna (sim já me informei sobre o gajo), que de isento e desinteressado é zero.
Mas afinal que queres tu ver esclarecido?
Nunca te disse que serei intolerante para com o aborto por opção apesar de ser contra, simplesmente entendo que o que pretendem é uma barbaridade e antes de se despenalizar o aborto, há um longo caminho a percorrer no sentido do desenvolvimento.
Votar NÃO é fazer muito, é lutar pela dignidade humana, lutar pelo valor da vida, lutar pelos direitos das pessoas desfavorecidas, lutar pela vida indefesa que cresce no ventre na mulher, lutar contra a frieza e a irresponsabilidade, lutar contra a demagogia, hipocrisia e contra a inversão dos valores meus morais. Serão diferentes dos teus, mas não abdico de ser quem sou. Quanto à defesa das pobres mulheres, também não tou de acordo contigo. Acho convictamente que devem ser julgadas, bem como todos os que incentivem, promovam, coajam, ou realizem abortos. O aborto é matar e eu prezo a vida como um direito inalienável. Quanto a serem condenadas, considero que caberá aos tribunais decidirem as penas a aplicar. Haverá atenuantes para muitas, mas essa que fez 23 abortos merecia prisão perpétua. Se esta opinião te choca, paciência, a mim choca-me a liberalização e o financiamento público do aborto.
não xicote isto não é 1 questão pessoal e tanto respondo ao pajo, pessoa que muito estimo e de há muitos anos, como respondo a ti e a qualquer outra pessoa. Respeito todas as opiniões, mas uma discussão é isto mesmo. Apenas limito-me a analisar as outras opiniões e a pensar pela minha cabeça. Que detalhes precisas saber de uma pessoa que abortou 23 vezes? Terá uma vida miserável?
Provavelmente sim ou então é uma assassina fria, mas mal está uma sociedade que permite a impunidade desta mulher. E de facto a nossa sociedade está realmente doente a vários niveis.
As questões que coloco ao pajo, são para toda a gente. São questões que coloco a mim próprio e que me permitem avaliar e formar uma opinião mais abrangente. A questão do aborto não deve ser reduzida à simples pergunta sobre a despenalização, há muitas implicações e consequências resultantes do sim. Haverá muita gente que será afectada directa e indirectamente com o sim e deves ter tudo em conta antes de te decidires. Não se pode convenientemente eliminar questões fundamentais sobre o aborto como fez o Daniel Oliveira, para de seguida dissertar como bem entende e concluir o que lhe apetece.
Não basta afirmar que toda a gente é contra o aborto, pois se ganhar o sim isso deixa de ser relevante já que abortar ou procriar será apenas uma escolha da mulher. Pode parecer uma vantagem para as mulheres mas é o contrário, pois desse modo estamos a abandoná-las ainda mais, estamos a excluirmo-nos de algo que deveria unir homens e mulheres.
Ter dúvidas é o 1º passo para o conhecimento tamos de acordo, então procura tu questões em vez de dares como certo aquilo que te dizem que é certo. Procura ver para lá da fumaça e vota em consciência, seja qual for o teu voto.
… Bem, já não sei é se quero ver-te a mudar de sentido de voto; não gostava nada de ver alguem defender dessa forma a mudança.
Decididamente não entendo a agressividade, pior, não entendo algumas coisas que dizes: -”Nunca te disse que serei intolerante para com o aborto por opção apesar de ser contra, simplesmente entendo que o que pretendem é uma barbaridade e antes de se despenalizar o aborto, há um longo caminho a percorrer no sentido do desenvolvimento.”-(???) Não é disso que eu estou a falar no caso da mulher? Tu demonstraste o quão longo é o caminho a percorrer no sentido do desenvolvimento.
A tua opimião choca-me pela irritação manifestada, desconheço a causa mas, visto daqui, parece que tens um torno de chumbo
á volta desse imenso cerebro e, sempre que alguem te refuta tu apertas mais uma volta…!
As respostas às tuas perguntas já as escrevi, tu chamas demagogias… tudo bem pra ti, eu não tenho outra resposta. Eu tenho é muitas perguntas.
Asseguro-te que este debate tem ajudado a esclarecer… Todos(as) ajudaram e ainda bem que te convidei.
Não vejo onde está a agressividade! Defender convictamente os meus princípios não é ser agressivo. Agressividade é por exemplo matar. Isso é agressivo, o aborto é um acto agressivo e atentatório da dignidade humana. Argumenta contra isto, em vez de teceres considerações pessoais sobre mim. Não concordo que tenhas respondido às minhas questões e afirmares isso é demagogia e não me queria repetir, mas responde:
1. quando defines os limites da vida e da dignidade humana? Esta é a questão de base. Não faças como o Daniel Oliveira que covardemente afirma que não sabe, para de seguida justificar a tolerância pelo aborto. A vida tem 1 princípio e um fim, não é algo abstrato.
2. O aborto é matar. É a destruição de um ser humano nos seus primeiros instantes de vida. consegues desmentir isto?
“Não é disso que eu estou a falar no caso da mulher?”
Pajo o aborto é um acto de destruição de uma vida. É crime e punivel por lei. Continuará a sê-lo depois do referendo, pelo menos a partir das 10 semanas de gravidez. Não podes restringir a questão para o caso das mulheres, quando em causa está a destruição de uma vida gerada por 1 homem e 1 mulher. São 3 vidas directamente implicadas numa gravidez, sendo que a mais indefesa é aquela que está em discussão e não a mulher. Tu preconizas a ditadura da mulher sobre os direitos dessa vida, eu não.
Vou-me ficar por aqui e peço-te uma coisa: este blog é para discutir o aborto, não é para discutir a minha personalidade. Evita teceres considerações pessoais, como essas da agressividade, da irritabilidade ou essa treta do torno. Contesta-me, não me classifiques.
Pajó tu disses-te que querias que te ajudassem com as nossas opiniões, mas tu és o primeiro a não aceitá-las… Simplesmente o josé pinto é uma pessoa convicta, que te quis mostrar aquilo em que acredita plenamente.
Jose Pinto.
1. já respondi sobre a dignidade humana e quem é que a pode garantir pra todos, até afastei os conceitos de vida e de dignidade… Tu é que não quiseste ler ou responder ou outra coisa qualquer, para poderes insistir que não te respondo.
2. Já vos respondi que o aborto é matar uma possibilidade de vida mas a vida não é so nascer… não vos vi comentar a isto e insistes que não te dou resposta.
Não é uma critica à tua pessoa, seguramente se te for a tecer elogios nunca mais parava, tu sabes o carinho que tenho por ti e toda a tua familia mas, nesta materia, não concordo com as tuas opiniões, de todo e, de vez em quando és extremamente agressivo e cego a responder(como te mostro nas linhas acima), caracteristicas autoritarias em que eu não me revejo e ainda me lembro de um Jose Pinto averso a autoridades instituidas que tratam a todos por igual.
A do torno foi à boa maneira de tasqueiro, parti o côco… sozinho. Desculpa.
Mas chamo-te a atenção para o facto de que a maneira como defendes o não assusta-me, como ja fiz parte de uma minoria… os absolutos metem-me muito medo.
Mas ao matar o ser humano quando está no ventre da sua mãe, estás a fazer com que ele não viva mais. Se a vida não é só nascer, tens que dar oportunidade ao ser humano para descobrir o resto…
E se tu o matas, acabou-se!
Se ele nasce, tem oportunidade de nascer, e a partir daí descobrir todo o resto!
O filósofo Julián Marías afirma que “interrupção voluntária de gravidez” é uma expressão de refinada hipocrisia.
E ele tem toda a razão, porque quando se provoca o aborto ou se enforca alguém, não se interrompe a gravidez, em ambos os casos mata-se alguém.
Tanto para os que me conhecem melhor, e já sabem um pouco da minha vida, como para os que não, passo a explicar. Tenho 36 anos e sou mãe de três crianças. Uma de onze, outra de seis e a última de dois. A última nasceu com Trissomia 21 (síndrome de Down – vulgo Mongolismo). Soubemos isso no ínicio da gravidez, o que nos fez passar por determinadas situações dolorosas, difíceis e muito “estranhas”….
Este tornou-se para mim num assunto “delicado” e incrível. Sempre fui leve em relação ao assunto do aborto, até me ver na situação.
Como já disse, nós soubemos da deficiência da nossa filha Leonor às 16 semanas de gravidez. Foi um enorme choque, como devem calcular…Imediatamente após a notícia, foi-nos IMEDIATAMENTE comunicado pelo médico que poderíamos abortar e teríamos de decidir até às 24 semanas… Por lei eu podia “abortar”.
De repente, sem mais nem menos, estava nas minhas mãos a vida de alguém… No que quer que eu decidisse a lei apoiava-me, tal como a maioria da sociedade… É desconcertante este sentimento…
Poder “anular” uma vida à vontade, sabendo que toda a gente me entende e apoia (mesmo que não concorde). Tudo isto porque ela não é normal…; é diferente, tem um atraso mental que nunca a vai deixar tirar um curso superior, casar e ter filhos… Por estas razões eu posso matá-la. A sociedade apoia, paga e assina por baixo!!!
Achámos (o Zeca e eu) que temos os filhos para ELES serem felizes (e não nós – Pais – como muita gente acha). A felicidade é relativa e não passa obrigatoriamente por cursos superiores nem casamentos. Além de que, aprofundando o assunto, estas crianças mongolóides são tão mais descomplicadas que naturalmente são felizes. Fiquei radiante quando me apercebi e me consciencializei de que dos meus três filhos uma já ia ser feliz…aos outros dois eu ainda tinha muito que os ajudar… E isso deu-me imenso conforto!! A mongolóide era certamente a feliz!!! Que bom e maravilhoso ter essa certeza! Quantos de vocês têm essa segurança em relação aos vossos filhos ditos normais?
Bom, isto tudo para dizer que apesar de não desejarmos uma criança deficiente, não querermos, não nada, nunca (apesar de neste caso a lei dizer que sim) pensámos em matá-la! Além de matar, viver uma vida de família em cima de uma morte seria muito duro para nós, e uma grande cobardia em relação àquela criança na minha barriga que não pediu NADA. Com olhos em bico ou não, mais lenta ou não, eu não posso matar a minha filha!!! NÃO TENHO ESSE DIREITO, independentemente de haver quem ache que sim.
A minha vida vai mudar? Sim.
Vou estar enfiada em terapias? Sim.
O coração dela está bem? não sei.
Os outros orgãos? Não sei.
Ouvirá bem? não sei.
Verá bem? não sei.
Vocês sabem antes dos vossos filhos nascerem? Têm certezas?
A partir desse momento e desses meses, a história do aborto tornou-se tão clara para mim que gostava que lessem para ver se concordam… Estou um pouco cansada destes mail’s todos muito técnicos (apesar de válidos), cheios de leis e palavras difíceis, quando no fundo tudo se trata de RESPEITO À VIDA. Se é das 10 semanas ou 12 ou 24. Se é despenalizar ou liberalizar, se é psd, pp, ps, ou bloco, se, se, se…
A pergunta que nos vão fazer é, (esqueçam o que os a favor chamam “despenalização” e os contra “liberalização”): Qualquer mulher (pobre ou rica, com ou sem problemas) se não quer ter um filho pode matá-lo até às 10 semanas de idade? Sim ou não?
Podem ou não?
Comecei a pensar: há tanta gente que tem pena destas mulheres… eu também tenho… elas não queriam engravidar… não têm dinheiro… não têm casa… são drogadas… têm 15 anos… Qual a solução? Matar o filho, claro!
É efectivamente uma solução, que tanta gente apoia e está pronta a pagar essa morte do seu próprio bolso.
Lembrei-me depois, no seguimento deste raciocínio, que há outras mães nessas condições… Lembram-se da mãe da Joaninha? Aquela mãe que matou a filha de 5 anos e que está presa? E que Portugal INTEIRO se revoltou contra ela? Mas ela, coitada, também não tinha condições de ter a Joaninha… Perdeu o emprego, não conseguia ajudá-la… e achou que para ela ter uma vida assim, mais valia matá-la; no fundo era um acto de amor e proteger a sua filhota de sofrer…. E dentro do mesmo contexto, achou bem. Matou-a. Provavelmente ela não deu por nada, tal como os bébés na barriga, e acabou-se o problema.
São dois casos idênticos, mas vocês reagem de maneira diferente… É engraçado… num revoltam-se… noutro, ainda estão a pensar nas pobres mães que não os podem criar. QUAL É A DIFERENÇA???? A diferença é que vocês viram a cara da Joaninha na TV, sentiram-se “atingidos e sensibilizados”, e o bébé de 10 semanas não o viram. É mais fácil matar quem não se conhece a cara. É cobardia. O coração bate em ambas. Pensem bem… duas mães que matam os seus filhos pela mesma razão. Exactamente.
Uma pode e deve ir para a cadeia… outra nem pensar… coitadinha. Além de que isto tudo é secundário. A mãe, lamento, não está em causa no referendo, ao contrário do que nos impigem. O que está em causa é o filho. Pode-se matar ou não? É sobre ele que vamos decidir.
Há quem lhe chame “despenalização”, eu (Bita) chamo MATAR.
Vocês consideram que a vida de um ser humano tem valor menor do que a dignidade da mãe? Acaso assassinar um ser humano inocente e indefeso não seria um crime maior do que o estrupo sofrido pela mãe?
O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não. Mas desde que uma vida foi gerada no seu seio, é outro ser humano, em relação ao qual tem particular obrigação de o proteger e defender.
Meus queridos amigos, gostava que quem ainda não pensou no assunto, pensasse.
Vamos brevemente decidir sobre a ética do nosso País. Sobre se podemos ou não abortar livremente até às 10 semanas. Segundo alguns, quase toda a Europa já aborta, matando as suas crianças… só Portugal é que está atrasado. Fico radiante por o nosso atraso ser bom em algumas situações. E tal como fazemos com os nossos filhos, dos colegas da escola devemos copiar os bons alunos e não os maus. Temos de saber o que devemos trazer de exemplo da Europa e o que NÃO DEVEMOS copiar. Além de que muitos deles já estão arrependidos das decisões tomadas, mas agora é tarde demais para voltar atrás. Nós é que estamos SUPER ATRASADOS!!!
Votem contra a morte.
Não se abstenham, é uma vergonha.
Na dúvida, escolham a VIDA!
Tenham tomates para dizer a vossa opinião em público.
E mais, acabou-se o modernismo de “eu sou contra, mas cada um sabe de si”. NÃO! Se é contra, explique e convença os outros. Abra-lhes a mente. Vocês têm essa obrigação, de ajudar os indecisos, e quem não vê nem entende, a entender.
E não metam isto nas mãos dos católicos. Este assunto da vida tem a ver com Budistas, Católicos, Ateus, etc…é um assunto de ética moral da mais simples… Desde que nascemos que aprendemos: – Não se mata. Matar é mau.
Chega de estar tudo no seu canto a opinar e os políticos a decidir se matamos ou não os nossos filhos.
E vocês, Pais (homens) , mais do que ninguém, falem! Alguém vos perguntou se podem matar os vossos filhos? Vocês nem têm voz. A mulher decide tudo sozinha! (coitadinha)
Desculpem se me exalto na escrita, mas realmente acho que andamos todos a brincar às leis e com a vida das pessoas.
MariaII.
Não respondeste à questão… reduziste a vida e o seu valor ao nascimento, usaste um chavão filosófico lindo e pronto já está.
Aquela mulher também nasceu e agora, nem sequer queres ver como viveu, apenas ficam para ti os actos criminosos: condenem a mulher e quantas houver (pois se há lei há que cumprir) e sigamos com as nossas vidas ricas de moral e princípios… e de indiferença.
Um aparte: Eu tenho poucos, mas bons amigos, o Jose Pinto é um dos melhores. Sobre isto, não se fala mais.
para reflectir, obrigado pelo seu testemunho e pela pessoa que demonstra ser.
Perdoe-me mas eu acho importante que tenham dado a opção e extraordinario que tenham, ambos, optado pela vida. Tem a sua família e tudo faz para que sejam felizes.
desculpa pajó,mas entao não entendi o que quiseste dizer que a vida não é só nascer.
claro que a vida não é só nascer, é mt mais que isso.
Tu afirmas que a vida não é só nascer, porque te deram oportunidade de perceberes isso, porque se os teus pais te tivessem abortado, nunca chegarias a saber!
“…o aborto é matar uma possibilidade de vida mas a vida não é so nascer…”
Paulo desculpa mas eu não faço selecção de quem merece ou não viver. Eu respondi-te a todas essas questões e algumas até repetidas vezes, não vou fazê-lo novamente. Se tens a capacidade de decidir quem merece e quem não merece o direito à vida, eu não tenho. Quando afirmas que um bebé não desejado não será amado nem será feliz, estás completamente equivocado. Este mundo está cheio de filhos indesejados e que depois de nascidos foram tratados com todo o amor que um filho pode e merece ter. Até te digo o seguinte: eu não fui desejado e a minha existência deu cabo da vida dos meus pais. Tudo teria sido mais fácil e melhor para eles se me tivessem abortado, não tenho dúvidas disso. Ou seja eu só não sou um aborto porque os meus pais se sacrificaram por mim. O referendo teria perdido um voto no não e tu não me estarias a aturar. E eu não devo ser o único gajo que pelos teus princípios não iria votar no referendo, pois acredita que no sim também vão haver muitos votos de abortos que se hoje vivem é porque a lei que preconizas não existia, ou porque os seus pais não concordam com isso.
Quanto a isso das minorias não me atinges, pois eu não faço nem nunca fiz descriminações. Respeito as pessoas pelo que são. E também sei o que é pertencer a uma minoria, ou não tenha eu crescido no Algarve, no meio de benfiquistas e sportinguistas. Como disse uma vez o Sousa Tavares, Ser portista em Lisboa é como ser croata na Sérvia. E no Algarve é igual e várias vezes me senti descriminado e até insultado. Faz-te confusão a minha falta de abertura para as tuas convicções? Eu posso dizer o mesmo de ti, pois não vejo nenhuma abertura em ti para aceitares outra perspectiva sobre o referendo, nem para aceitares como válidas questões em defesa do não. Pretendias ser esclarecido ou convencer os teus amigos a votar no sim?
http://grupos.com.pt/Blogopedia/Daniel_Oliveira
O gajo é um político e comunista! Sabes bem que a posição mais extremada de luta pela liberalização do aborto, sempre foram as dos comunistas. E este é dos da extrema esquerda. E tu que criticaste o site que te indiquei, só porque viste lá um post do Manuel Monteiro, que sendo político não te merecia crédito, indicas-me a opinião deste gajo como a consciência suprema do referendo!
O gajo com todo esse curriculum e experiência, deu-me uma resposta que me surpreendeu pela incapacidade de argumentação. Pois vai lá ver a minha contra-resposta. Tou para ver como vai desta vez fugir às minhas questões e às minhas críticas.
E reafirmo que o texto dele é a argumentação mais hipócrita, demagoga e pretensiosa que vi até hoje. Até mete nojo mas é fácil de desmontar.
Quero dar os meus parabéns à Bita e ao Zeca pela coragem e pelo desassombro com que enfrentaram uma situação que vulgarmente classificamos de infortunada. Depois de lêr este extraordinário testemunho, não sei se é ou não infortúnio, sei que é um notável exemplo de amor e respeito pela dignidade da vida humana. Quanto às considerações da Bita sobre o referendo, não há argumentos que a possam contradizer e nem é preciso acrescentar mais nada, pelo menos assim o penso. Há coisas que o são e outras que não o são. Matar é matar e ponto final.
Sobre o Daniel Oliveira:
Não vejo a mesma pessoa que tu.
Ainda não li aquilo que chamas de contra-resposta, fica pra logo. Da resposta que levaste, mais uma vez, não fazemos a mesma leitura… caro amigo.
Continuo a não perceber a maior parte das coisas que dizes, sei que ando um pouco lerdo mas, tu podias fazer um pouco mais de sentido.
Fico preocupado com a ideia que dá de que isto é uma competição…
Numa conversa com a minha avó, ela disse-me que a mãe dela teve 11 filhos, e acrescentou, que com muitas dificuldades,criou-os todos,esforçou-se para lhes dar o melhor etc. cresceram sem condições, mas com todo o amor!
Hoje são homens e mulheres (alguns já faleceram) nem mais nem menos que as outras pessoas.
Isto para dizer que, mts argumentam-se que como não há condições à que abortar!
Como é que as pessoas faziam antigamente, que tinham 11, 12, 14 filhos?
Todas as pessoas com mais idade com quem eu lido diariamente, tiveram 6, 8, 10 filhos, e criaram-nos.
Pergunto-me como é que uma pessoa que tem um filho vai abortar, porque diz que não tem condições, como?
Será que ter condições, é ter ar condicionado, microondas etc.?
A maioria das pílulas contraceptivas permite a ovulação e a fecundação do óvulo.
Depois não permite afixação do óvulo ás paredes do útero.
Então isto também é um aborto?
José Pinto, um dia aconteceu algo na tua vida que não estava planeado e tomaste uma decisão. Hoje imaginas o que seria se a decisão tivesse sido outra e quando olhas para o lado lembraste de toda a felicidade e prazer que te traz esse rebento. Creio que é este cenário que condiciona profundamente os teus comentários.
Se a tua decisão tivesse sido outra sinto que não tenho nada a ver com a tua vida, não posso criticar, não quero.
Bita, meus parabêns pela coragem.
Bita, meus parabéns pela coragem.
(tinha de ficar bem escrito)
Já li a tua longuissima contra-resposta e, são palavras tuas… Sentes-te bem com elas e isso é o mais importante. No conteudo, julgo que lhe facilitaste a vida.
Exemplo de agressividade são as classificações menos cordiais que usas como: “Não me faça perder tempo com parvoíces destas”- Penso que chamar ao outro de parvo, não prestigia um bom argumento mas, mais uma vez, faz parte da liberdade de cada um logo, apenas como amigo te digo que é agressivo.
Explica-me porquê um fecto resultado de violação, para ti e perante a lei actual, pode não ter direito à vida? Que culpa tem a futura criança e porquê que fica fora dos teus principios e valores morais?
Desde já dou os parabéns a todos pelas suas convicções e por as exprimirem, mesmos q sejam mal interpretados na maneira como as exprimem.
Eu sou contra o aborto e a favor da vida e estas são as minhas mais profundas convicções.
No primeiro referendo votei SIM e se pudesse votar neste tb votaria SIM… Confusos??? talvez, também eu fico confusa com todas as situações aqui apresentadas, mas o refendo não nos pergunta se somos a favor ou contra o aborto mas sim à questão da despenalização.
Eu não faria um aborto pq dou mto valor à vida, principalmente a uma vida a ser gerada dentro de mim, mas não posso forçar as minhas convicções sobre os outros. Cada caso é um caso e se nós temos direito de decidir sobre como viver a nossa vida, tb devemos dar esse direito aos outros.. agora lembrei-me q se vivessemos na china, onde se pode ter só um filho por casal e se quiseres ter mais, ou pagas ou o estado aborta-o.. mesmo q já tenha 8 meses… já tinhamos todos mudado para um país livre… um país q não nos obriga a tomar passos q não podemos tomar.
Acredito q cabe a cada um ter a responsabilidade de tomar as suas proprias decisões e não ser perseguido pela justiça por isso, pois para mim, acedito q quem faz um aborto fica com uma sentença pesada para toda a vida.
Posso dizer q gostei mto das questões aqui levantadas.
Qto as semanas para mim não interessam, pq no fundo, se pensarmos bem, já é viva desde do momento da fusão do ovulo com o espermatozoide e é ridiculo as pessoas se convencerem que assim não é… talvez para ficarem mais tranquilas na sua consciência.
Como pq é se só cabe à mulher decidir sobre a vida dentro dela, o q acontece qdo o pai deseja essa criança? não existem leis q obriguem a mãe a ter o filho mas existem leis q obriguem o pai a manter-lo financeiramente, mesmo q não o deseje. Pq?
Falo-vos de dois casos recentes em italia, nos dois casos os pais não queriam os filhos mas as mães prosseguiram com a gravidez, em ambos os casos tanto elas como os bebes foram mortos, alias num dos casos faltavam 8 dias para o bebe nascer (data prevista do parto) mas nos dois casos só vão ser julgados por um homicidio… pq não dois homicidios?
Quem vai a espanha, nao aborta por problemas financeiros, quem tem pbs financeiros, acaba num local mto sujo ou mesmo na morgue, por um aborto mal feito…eu pergunto pq tenho de ser eu a pagar as irresponsabilidades dos outros, pq é q tem q ser o estado a pagar?
posso vos dizer q é demasiado facil recorrer a um aborto, principalmente para quem tem dinheiro e para quem tem informação, alias eu fico chocada como é tão facil e tão frio… como quem vai tomar a vacina anti-tetano… por isso acredito q talvez com acompanhamento não seja tão frio, em q as mulheres falem com um psicologo e tenham consciencia do passo q vão tomar.. q não seja como no matadouro, entra-se e sai-se como se não tivesse acontecido nada, como se tivesse sido só um sonho… ou um pesadelo… se calhar sou inocente ao pensar q com a ajuda e o acompanhamento necessario essas mulheres q por qq razão da vida se encontrem nessa situação possam aperceber-se q não estao sozinhas e q se calhar tem as fundações e os apoios necessarios para terem essa criança.
A minha resposta à questão se o aborto iria resolver a situação das mães adolescentes é não… o aborto nao é solução para quem engravidou mto cedo para quem queria… assim como não acho q a pilula do dia seguinte seja um metodo contraceptivo, mas infelizmente há em demasia quem o use desse modo.. e não são só as meninas do liceu… Não, o aborto não é solução, a solução a meu ver é a informação, como a educação sexual.. quem me dera a mim fazer educação sexual nas escolas… pq a educação sexual não é ensinar os adolescentes a fazerem sexo mas sim a responsabilidade do sexo.
Se não estas completamente informado sobre o sexo, os seus perigos, as suas complicações, então pq andas a fazer o q não sabes? quem não esta preparado para ser pai tb não esta preparado para ter relações sexuais.. fico chocada como há tanta gente q inicia a sua vida sexal antes dos 18… eu nem sequer me sentia preparada nessa altura e o q me “assustava” não era o facto de poder ficar gravida mas sim as DST-doenças sexualmente transmissiveis… pq a irresponsabilidade de um pode significar a morte de muitos..
Por isso vamos educar os nossos jovens a serem mais responsaveis, a fazerem exames antes de iniciarem a ter relações com o seu parceiro, a usarem metodos contracepcionais, a manterem uma relação baseada na honestidd e na confiança… já devia ir longe aquela mentalidd da “facadinha no matrimonio”…
Respeito a opinião de todos vos… mas não acredito em absolutismos, acredito na responsabilização dos individuos.. temos q parar de desresponsabilizar as pessoas só pq tiveram infancias dificeis e vidas complicadas… se isso fosse desculpa eramos todos uma cambada de mau-feitores
bom 2007 e juizo, q com a liberdd vem a responsabilidade
“…O aborto não é apenas proibido. É crime. E nem tudo o que não é proibido está liberalizado. A venda de tabaco ou do álcool é legal e não é livre, por exemplo. Tem mais umas dezenas de exemplos iguais. Juridicamente, o que diz não faz qualquer sentido…”
Isto não é parcoices?!!! Além disso há uma diferença muito grande entre chamar parvo a alguém e afirmar que foi dita uma parvoíce.
Eu pus em causa as regras que o gajo definiu à partida para o debate e justifiquei. Coloco-lhe questões pertinentes, afirmo que ao contrário do que afirma, o que está em causa é a liberalização do aborto e não a despenalização das mulheres. O gajo em vez de responder às questões que lhe coloquei, prefere pegar numa frase minha “O aborto é penalizado, porque é proibido. Será despenalizado se for livre.” faz essa observação parva e descontextualizada, seguida da afirmação de que o que eu digo não faz sentido juridicamente! Que conveniente não? Eu percebo que o gajo não queira assumir que em causa está o aborto. Eu percebo que queiram desviar a discussão do referendo do aborto para as pobres mulheres condenadas (aliás um mito pq a lei nem sequer tem sido aplicada). De resto é essa a estratégia do BE (partido do qual é co-fundador), PCP e todas as organizações que lutam pelo sim. Não falemos das criancinhas, falemos das mulheres penalizadas. Penalizadas porquê? Pela justiça que as persegue, coitadas? Mas e porque são perseguidas pela justiça? Vocês não querem que se fale nisso mas eu digo-te: PELO ABORTO, POR MATAREM A VIDA QUE GERARAM! E como disse a Bita MATAR É MAU, ou será que não? Nisto não há meio-termo, ou é mau ou é bom. Para mim é mau e para ti? E manifestas-te tu contra a hipocrisia! Haverá nesta questão do referendo maior hipocrisia que a afirmação de que o aborto não está em referendo?
Classificar aquilo de parvoíce é ser agressivo? O gajo chamar-me agressivo, por eu ter afirmado que ele não foi honesto no modo como coloca as questões e como baliza o debate, definindo regras para o condicionar não é desonesto? Fazer considerações pessoais é uma forma tosca de fugir às questões, quando não se tem argumentos. O facto é que esse gajo não foi ainda capaz de colocar em causa nenhuma das minhas críticas, nem nenhuma das minhas considerações.
Esperavas que o gajo me deixasse sem argumentos, mas enganaste-te completamente. Mas em vez de afirmares demagogicamente que o conteúdo das minhas afirmações lhe facilitou a vida, contesta-las. Assim terei que dizer que estás a ser parcial na tua apreciação. De resto é coerente com a tua posição perante o referendo. Colocas-te determinantemente do lado das mulheres que abortam e ignoras liminarmente as pessoas que vão parar ao caixote do lixo, bem como os homens que como eu pretendem ter o direito a decidir o destino do seu filho. Quando não consegues desmentir que estamos a falar de matar uma vida humana, optas por a depreciar, ora afirmando que não tem dignidade, ora afirmando que não merece viver. Eu não tenho a capacidade de fazer selecção natural, tu tens?
Tu não pretendes ser esclarecido, pretendes convencer os outros de que o aborto deve ser uma opção da mulher. Eu não concordo com isso e tu ainda não conseguiste deixar-me sequer em dúvida perante as minhas convicções. Podes continuar a tentar.
Quanto à questão da violação, que pretendes? Deixar-me em contradição, ou deixar-me sem palavras? Seja o que for estás enganado e vou responder a isso.
Eu acho que um feto resultado de uma violação, bem como os outros 2 casos previstos na lei, merecem tanto nascer como eu ou tu o merecemos. Mantenho que não tenho o direito a fazer selecção natural. Nestes casos apenas me abstenho de fazer juízos de valor a quem nestas circunstâncias resolva abortar. Nunca te disse que concordo ou que acho bem abortar nestas circunstâncias ou no caso da gravidez de uma adolescente, digo que aceito que sejam permitidas por lei. Não te posso dizer o que faria numa situação dessas porque nunca a vivi e estas são daquelas situações que só vivendo-as saberemos quem somos. Mas uma coisa te digo, se é certo que tolero e até apoio quem pretenda abortar numa circunstância destas, admiro muito mais quem opta por deixar nascer um filho deficiente, resultado de violação, ou colocando em risco a própria vida. Há maior acto de amor que dar a vida por um filho que nunca se conhecerá? Uma coisa tenho a certeza, estas serão sempre crianças amadas e nem todos os filhos saudáveis o podem dizer.
A Bita e o Zeca não desejaram ter um filho mongloide, mas aceitaram-no e amaram-no desde o início. Que grande exemplo meu amigo! Não os conheço, mas tou certo que mogloide ou não é mais feliz que muitos ditos normais.
Que mais te hei-de dizer, se tu dizes que não me percebes?
Faz o seguinte pajo: apaga tudo o que aqui foi dito, esquece aquele enorme texto do Daniel Oliveira e tudo o que lá se escreveu e comenta estas simples e lúcidas palavras da Bita:
“… Estou um pouco cansada destes mail’s todos muito técnicos (apesar de válidos), cheios de leis e palavras difíceis, quando no fundo tudo se trata de RESPEITO À VIDA. Se é das 10 semanas ou 12 ou 24. Se é despenalizar ou liberalizar, se é psd, pp, ps, ou bloco, se, se, se…
A pergunta que nos vão fazer é, (esqueçam o que os a favor chamam “despenalização” e os contra “liberalização”): Qualquer mulher (pobre ou rica, com ou sem problemas) se não quer ter um filho pode matá-lo até às 10 semanas de idade? Sim ou não?
Podem ou não? … Acaso assassinar um ser humano inocente e indefeso não seria um crime maior do que o estrupo sofrido pela mãe?
O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não. Mas desde que uma vida foi gerada no seu seio, é outro ser humano, em relação ao qual tem particular obrigação de o proteger e defender.”
Se eu pudesse, espalhava cartazes com estas frazes da Bita, por este Portugal inteiro. São poucas frases, mas arrumam por ko toda a argumentação desse Daniel Carvalho e tudo o quanto tem sido dito.
Xicote, estás muito equivocado se pensas que foram as minhas circunstâncias de vida, que ditam as minhas convicções. É o contrário. São as minhas convicções que ditaram as minhas opções perante as circunstâncias. De facto eu não escolhi engravidar a minha namorada que na altura estava no 1º ano de faculdade e estando eu na tropa, sem trabalho. Foi complicado admito e condicionou toda a nossa vida. Teria sido tudo muito mais fácil se tivéssemos tido outra opção. Assim tive que me matar a trabalhar, para suportar a família e o curso da minha mulher. Como deves imaginar foi complicado para ela fazer o curso com um puto em cima e isso custou-lhe a carreira, embora tenha acabado o curso. Privamo-nos de muita coisa e hoje temos um filho de 15 anos. Não imagino o que seria se a decisão tivesse sido outra, pois essa nunca foi sequer uma hipótese e só lamento que devido às dificuldades financeiras, não tenhamos tido a opção de procurar um 2º filho. Sim isso foi uma opção, pois a contracepção é uma opção e não creio que seja um aborto, tu crês que é? Mas afinal admites que estamos a referendar o aborto ou a despenalização! Será um avanço o que é bom.
Quanto ao meu filho, pergunta ao pajo que o conhece e com quem já brincou bastante, o que acha se tivesse sido abortado. E já agora o que acham do caso da Joana que a mãe matou aos 5 anos… porque não tinha condições financeiras para a criar. Deve ser despenalizada? Se esta deve ser condenada, qual deverá ser o limite para a despenalização da morte? Esta questão dos limites coloquei-a na minha 1ª intervenção e ainda não obtive resposta! Até quando deveremos tolerar a matança de um filho? Também coloquei esta questão ao Daniel Oliveira de quem tanto apreciaste e ainda não obtive resposta. Se vais votar em consciência, deverás ter definido a questão dos limites, pois qualquer que seja o resultado do referendo, vai continuar a haver mulheres penalizadas nem que seja por matar filhos já nascidos. Só espero que não te arrependas e que uma namorada tua, não venha um dia a abortar um filho teu contra a tua vontade. Uma coisa é certa se isso acontecer não poderás acusar ninguém, apenas lamentares-te de te teres excluído da decisão da paternidade.
Continuo sem perceber as pessoas que votam sim…. tenho muita pena que vejam na prática do aborto a solução para problemas sociais.
Bem, apenas quero que me esclareçam…. Porque havemos nós de condenar pessoas/pais que matam os seus filhos? Porquê? Esses pais de familia miseraveis que resolvem espancar os seus filhos até à morte? Porquê? Não entendo qual a diferença…. Vamos votar uma lei que permita a esses pais decidirem, depois da nascença, a permanência ou não dos seus filhos na terra. Quem somos nós para julgar esses pais? Muito provavelmente sentiram dificuldades económicas ou demasiada pressão psicológica por terem mais um filho e com toda a legitimidade deicidiram acabar com a vida desse ser. Temos o direito de condenar Pajo? Acha macabro o que fazem esses pais? É macabro porquê? Porque viu a cara dessa criança? Qual a diferença? Explica-me que não percebo.
Ps_ Pajo apesar de ter dito que leu o meu post, não vi qualquer resposta a algumas das minhas questões.
Ps2_ Não tenho partido político nem sequer religião!!
Declaro que também não tenho partido político, pois há muito que deixei de acreditar na política.
Quanto a religião, apenas sigo o que dita a minha consciência. Essa é a minha religião e acredito que evolui com a idade, porque viver é um processo de aprendizagem constante até à hora da morte. Depois… não me acredito em depois.
Olá a todos
gostava de participar porque ainda acredito nas potencialidades dos debates e das discussões para melhorarmos o mundo. Por honestidade intelectual (e para evitar algumas questões ou dúvidas), deixem que comece por dizer que vou votar sim, sou ateu e gosto de pensar que sou de esquerda (não vou discutir o significado deste epíteto mas acho importante avisar porque esta discussão tb tem implicações políticas).
Se não se importassem
Parece-me que muita gente defendeu a existência de um referendo sobre esta questão (há quem não concorde com o referendo, quem considere que os deputados da república têm legitimidade suficiente para legislar sobre o tema) com o argumento que a questão do aborto tinha um carácter fracturante, pessoal, individual, que ultrapassa a representatividade parlamentar. Curiosamente, a maior parte dos defensores do referendo alinham pelo “Não”, o que me parece uma contradição. Aquilo que vai ser referendado não é se somos a favor ou contra o aborto (sou contra), se somos pela vida ou pela morte (sou pela vida), se gostamos ou não do aborto (não gosto), se o aborto é bom ou mau (acho que é mau)… Aquilo que vai ser referendado é se concordamos com a prisão das mulheres que abortam, se achamos que as mulheres têm o direito de optar (independentemente do caminho que escolham). O que vai ser referendado é se achamos que as pessoas podem optar ou se devem ser obrigadas a seguir um caminho (como a lei actual obriga) que alguns (não me interessa se são muitos ou poucos, maioria ou minoria) consideram ser o mais correcto. A actual lei não permite opção, se o Sim vencer o referendo, a alteração da lei vai permitir que as pessoas optem, não vai obrigar as pessoas a abortar…
Se se considera que é uma questão de consciência individual (argumento para existir um referendo sobre o assunto), então não percebo porque se vota a favor de uma lei que obriga alguns a aceitar aquilo que outros consideram ser correcto. O que vai ser referendado é se achamos que as pessoas têm direito a ter opinião diferente da nossa ou se achamos que temos o direito de “obrigar”.
Inicialmente, até pensava que a plataforma “Não obrigada” era uma forma original de apelar ao voto no Sim, destacando que o voto no Sim era votar para que as mulheres pudessem fazer a sua opção, votar para permitir que as mulheres não fossem obrigadas a escolher uma via. Depois percebi que tinha sido apenas ignorância, não saber o valor da vírgula…
Só me parece coerente votar no “Não, obrigada” se se defender que as mulheres que abortam devem ir parar à cadeia (é pouco honesto dizer-se que se é contra a prisão – actual lei – mas não votar Sim). Eu acho que existem razões de ambos os lados, que existem razões/crenças/valores que justificam estarmos de um lado e de outro, porque respeito as opiniões de todos, porque acho que as mulheres têm direito a ter opção, porque acho que ninguém tem o direito de impôr a sua visão, vou votar Sim.
Quanto aos últimos argumento que li/vi a favor do Não:
> António Borges – “Cada vez que o Estado financiar 2,3 abortos está a não pagar, a adiar ou a excluir uma operação.”
> Maria José Nogueira Pinto – “É preciso saber se é justo desviar verbas do SNS para quem não está doente e tem apenas uma vontade”
Eu pensava que estes senhores eram a favor do Não por uma questão de princípio, de consciência… Afinal vejam bem quem foi buscar o argumento “dos trocos”. Miserável…
fonte: http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?idCanal=0&id=226390
«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».
É esta a pergunta do referendo, certo senhor nafergo?
As opções são apenas estas: SIM e NÃO
Não encontro na pergunta do referendo a questão: “se concordamos com a prisão das mulheres que abortam”
Votar NÃO significa que concordamos com a prisão das mulheres que abortam tanto quanto o votar no SIM significa que concordamos ou gostamos do aborto. Estarei errado Sr. nafergo?
Concordo que a maior parte (talvez até toda a gente) de quem vota no SIM, abomina o aborto. Mas acredite que a maior parte de quem vota no NÃO também não quer as mulheres presas por abortar. Pelo menos não quererá que mulheres que abortem por desespero sejam presas. O problema é que o NÃO ou o SIM têm implicações. As pessoas que votam NÃO, acreditam que a vida é um bem inalienável e merece ser protegido. Acreditam que ninguém tem o direito de interromper a vida e que todos merecem ser protegidos. Há muitos motivos para se votar no NÃO, para além do desejo que alguns poderão ter em enviar para a cadeia mulheres por abortar. Mas essa ao contrário do que afirma, não é a questão do referendo. Quanto às consequências se o NÃO ganhar, é um facto poderá haver mulheres julgadas e condenadas pelo crime de aborto. Mulheres ou homens, já que o referendo não explicita que havendo aborto a responsabilidade pertence por exclusivo à mulher que o praticou. Mas se ganhar o SIM, significa que a responsabilidade da gravidez será exclusiva da mulher, pelo menos até às 10 semanas. Você define-se ateu, temos isso em comum. Define-se comunista, nada tenho contra, mas reconheço que esta tem sido uma batalha dos comunistas de há muitos anos, estou certo Sr. Nafergo? E sem pretender ofender, deixe-me sublinhar mais uma vez que é tremendamente hipócrita o argumento de que o referendo não é sobre o aborto, mas apenas pela despenalização das mulheres.
Deixemos agora de lado as diferentes interpretações da questão do referendo, para analisar as consequências do SIM ou do NÃO.
O que está em causa neste referendo é:
1- A possibilidade de qualquer mulher até às 10 semanas de gravidez, poder abortar sem constrangimentos legais e sem ter que justificar ou dar satisfações a quem quer que seja, inclusive ao progenitor. Ou seja é a liberalização do aborto dentro desse prazo, por opção exclusiva da mulher.
2- A atribuição de legalidade a estabelecimentos onde se pratique o aborto desde que devidamente autorizados. Ou seja possibilidade legal de criação do negócio do aborto.
3- Embora não esteja explícito no referendo (e porque não?), está igualmente em discussão a possibilidade de o SNS assegurar o aborto por opção da mulher, dentro do tal prazo de 10 semanas.
Conclusão o que está em causa é o aborto e não a despenalização da mulher. Essa é uma questão legal e lateral e que nem sequer tem sido colocada em prática.
Não faz sentido falar em despenalização sem falar em aborto, por muito que os apoiantes do SIM, o pretendam.
Você afirma:
“Se se considera que é uma questão de consciência individual (argumento para existir um referendo sobre o assunto), então não percebo porque se vota a favor de uma lei que obriga alguns a aceitar aquilo que outros consideram ser correcto. O que vai ser referendado é se achamos que as pessoas têm direito a ter opinião diferente da nossa ou se achamos que temos o direito de “obrigar”.
Mais uma vez não posso concordar consigo Sr. Nafergo. Para mim o direito à vida não é uma questão de consciência individual, mas antes uma questão de consciência colectiva.
Todas as pessoas têm o direito a ter opinião nisso estou de acordo, mas numa sociedade democrática a opinião individual perde para a opinião colectiva, estarei errado?
Na nossa sociedade matar não é um direito, nem uma questão de opinião. Abortar pelo menos por enquanto também não é um direito nem uma questão de opinião. Para mim abortar é matar e espero que assim continue, por isso vou votar NÃO.
Quanto à questão de prender mulheres por abortar, eu não tenho problemas em afirmar que estou de acordo com isso, desde que sejam julgadas e consideradas culpadas. Eu quero que todos os responsáveis por abortos sejam julgados e condenados em função das suas responsabilidades no acto. E também quero julgados e condenados, todos aqueles que abandonam mulheres grávidas, todos aqueles que de algum modo levam mulheres ou jovens em desespero para o aborto. Há muito a fazer pelos desfavorecidos e desprotegidos, mas seguramente que o patrocínio do aborto não é o caminho correcto, nem a melhor via para uma sociedade mais solidária. De resto sociedade solidária sendo um princípio comum a todos os comunistas, deveria inspirar-vos com toda essa energia com que lutam pela liberalização do aborto, para algo mais digno do que entregar às mulheres o exclusivo da responsabilidade da gravidez e patrocinar o abominável negócio do aborto.
Realmente, já não percebo se isto é um blog de troca de opiniões ou de discusão ao estilo western americano… será q não podemos ser um pouco mais civilizados e respeitar as opiniões do outros, será que qdo alguém discorda de nós.. é automaticamente um ignorante, ignobil e outras coisas más começadas com ign…
vamos respeitar as outras opiniões…
No q respeita a este raciocinio:
« «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».É esta a pergunta do referendo, certo senhor nafergo?
As opções são apenas estas: SIM e NÃO
Não encontro na pergunta do referendo a questão: “se concordamos com a prisão das mulheres que abortam”
Votar NÃO significa que concordamos com a prisão das mulheres que abortam tanto quanto o votar no SIM significa que concordamos ou gostamos do aborto. Estarei errado Sr. nafergo?»
Não percebi mto bem esta questão… assim como não compreendo a questão pessoal q vai de vento em popa neste site… mas permitem-me só dizer q trocando por miudos a pergunta do referendo é exactamente esta:
- Concorda q deixe de ser crime punido com uma pena (ou seja, despenalização) o aborto da livre vontade da mulher…etc?
SIM, CONCORDO Q DEIXE DE SER CRIME…esta é a minha opinião pessoal, assim como sou totalmente contra o aborto… e fazer de conta q este não existe é ridiculo, é das praticas mais antigas na sociedade, assim como temos a profissão mais antiga do mundo… ATENÇÃO!!! nao quero dizer com isto q o facto de ser uma pratica fundamentada durante toda a nossa historia, seja correcta… mto pelo contrario. Apenas penso q no momento esta descontrolada pela sociedade e o facto de existirem instituições legalizadas e devidamente autorizadas, pudessemos de alguma forma controlar e fornecer apoio a quem se encontra nessa situação… e o apoio ao qual me referia seria um apoio de forma a q as pessoas mudassem a sua opinião e q tivessem a possibilidade de manter a criança.
E desculpem-me lá os radicais, quer do sim, quer do não… mas é um pouco como a prostituição, enqto houver procura, vai existir oferta… então legalizem os bordeis q assim elas e eles saiem da rua, pagam impostos e existe uma maior segurança e controle sanitario… o infanticio vai existir sempre enqto nos como sociedade nada fizermos para melhorar as condições de mtas familas… e só atraves da informação é q as pessoas poderam ter uma opção pela uma vida melhor…
ana mar, insisto na leitura não diagonal dos meus comentarios. Não é esta a melhor forma mas, cá vai:
“Apenas algumas ideias:
*Pajo, uma mulher tem o direito de decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los, exactamente!, isso não significa, engravidar e depois matar, significa deicidir se na sua vida alguma vez irá engravidar e se sim terá direito de a melhor altura.”
– Concordo e pergunto se a ana mar é o garante que essa realidade é para todas mulheres igual; ou seja, todos têm a mesma educação e as mesmas circunstancias.
“*Ser dona de um corpo, não siginifia ser dona de outro corpo/vida que cresce dentro de nós. Sou mulher, e não sinto assim.”
– Biologicamente é uma contradição, emotivamente ainda bem que existem mulheres como a ana mar.
“*Tenho amigas que abortaram, que só engravidaram porque, simplesmente, não lhes apeteceu usar qualquer método contraceptivo.”
– Se são suas amigas e o sim ganhar, a ana mar vai ter de dar o seu melhor para demonstrar o seu argumento anterior. Se o não ganhar (ou já, pra sermos coerentes), faça uma queixa crime contra elas… é isso que defende como solução, não entendo a hesitação.
“*Também conheço outras pessoas que abortaram porque foram obrigadas, porque os maridos não quiseram mais um filho. E caso tivessem esse filho seriam abondonadas.”
– E se a coisa ainda for feita na clandestinidade… melhor para o homem, pior para essas mártires silenciosas.
“* E também conheço familias cheias de filhos e miseraveis, a maior parte deseja esses filhos, mas não sabe educar melhor, viver melhor. Porque não um programa do governo para ajudar a educar, a construir, essas familias em vez de patrocinar abortos?”
– Nisto… TODOS CONCORDAMOS! Perdoe-me “gritar” mas, ainda não li ninguem discordar disto. Para mim só poderá acontecer quando deixarmos de nos esconder atrás de uma lei que serve a todos.
“* Se temos direito a matar uma criança que cresce dentro de nós, será errado matar uma que nasceu de nós? Qual a diferença? Eu sinto que não ha nenhuma. É errado porque já a olhámos nos olhos?”
– NÃO!!!… Uma das diferenças que me parecem evidentes, é que enquanto feto, depende, unica e exclusivamente da mãe, depois, depende das suas circunstancias, de tudo o que a rodeia. Biologicamente é um ser humano individual, dependerá da sorte e da Humanidade que o rodeia.
No entanto, repito que a minha resposta a estas suas questões pertinentes, está melhor expressa nos meus outros comentarios.
Jose pinto, tu e a tua mulher são daqueles seres Humanos com “H” grande de quem sinto muito orgulho em ter como amigos, como disse, se começo a elogiar-te, não saberei onde acabar.
Tu e todos(as) os(as) que se disponibilizam para discutir este assunto difícil, demonstram com isso, ter os mesmos principios e valores em relação à vida e ao aborto… Mas todo o nosso merito não nos dá o direito de decidir pelos outros, ou pior, julgar os outros.
Eu acredito que, a diferença entre um heroi e um covarde esta na circunstancia e que essa mesma circunstancia será mais controlavel quanto melhor for a formação (conhecimento) e o caracter das pessoas.
Tem tudo a ver com educação e nada a ver com o julgamento e exepções contraditorias.
A capacidade de identificar as causas dos problemas por que TODOS se batem é fundamental e, com a lei actual, porque é ilegal, sendo clandestino ou realizado lá fora… ficamos a saber dados estatisticos e um ou outro caso que, porque está a dar, são referidos nos meios de comunicação. Não pode ser melhor ficar como está.
Rute Barros eu explico melhor.
«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».
Esta é a pergunta do referendo, certo?
Alguém consegue encontar nesta afirmação a pergunta: “concorda com a prisão das mulheres que abortam?”
E coloquei esta questão para contestar a seguinte afirmação do nafergo:
“Aquilo que vai ser referendado não é se somos a favor ou contra o aborto (sou contra), se somos pela vida ou pela morte (sou pela vida), se gostamos ou não do aborto (não gosto), se o aborto é bom ou mau (acho que é mau)… Aquilo que vai ser referendado é se concordamos com a prisão das mulheres que abortam”
Coloco esta questão, porque esta tem sido a principal bandeira da luta pelo SIM.
Afirmam que não está em referendo o aborto, mas a despenalização da mulher. Despenalização de quê pergunto eu? Do aborto meus amigos. Por muito que queiram fugir à questão, é da liberalização do aborto que estamos a falar e que vamos referendar.
Quanto ao resto não vou comentar, porque estaria a repetir-me. Respeito a sua opinião embora não concorde.
Jose Pinto, porque lutas por uma lei que não queres ver aplicada? E, comparares esta contradição com a afirmação de que cada um deve ter a liberdade e a responsabilidade para decidir…? Concordo com Rute Barros, não faz sentido. Eu tento mas, não te entendo.
Se não te conhecesse melhor, diria que revelas alguns complexos, repara: Chamares comunista a Nafergo porque, não sendo politico, tem a honestidade de se colocar num pensamento de esquerda para melhor ser entendido, é, se não agressivo… redutor. Insisto que não prstigia os teus melhores argumentos.
pajo deves estar a brincar!
eu não chamei comunista, ele é comunista. Qual é o problema, isso é redutor em quê? Eu não vejo o comunismo como algo depreciativo e até aprecio as pessoas com convicções e muitos dos princípios defendidos pelos comunistas.
Eu referi o comunismo dentro de um contexto e principalmente porque a luta pela liberalização do aborto, tem sido (digo eu se calhar erradamente) uma luta partidária dos comunistas. E digo isto a ti, que te dizes apartidário e não pretendes politizar o referendo, sem com isso pretender que os comunistas não tenham legitimidade para tomarem a posição que entenderem. Não queiras é que eu aceite como isento e desinteressado, a reflexão do referendo por parte do Daniel Oliveira.
Onde é que eu disse que não quero ver a lei aplicada?!!! lê melhor o que tenho escrito, porque eu tenho dito que que quero ver a lei aplicada, qual é a dúvida?
Quanto a cada um ter a liberdade e responsabilidade de decidir… esbarra no princípio de que a liberdade de cada um, acaba onde começa a liberdade do outro.
Nós vivemos em democracia, não vivemos numa anarquia. Em democracia, a opinião colectiva sobrepõe-se à opinião individual. Na nossa sociedade, matar é crime, seja assassinar, eutanásia ou abortar. Depois do referendo vai continuar a ser, qualquer que seja o resultado. A diferença será que em caso de vitória do SIM, abortar até às 10 semanas, passará a ser uma opinião pessoal da mulher grávida. Depois desse prazo, continuará a ser crime, as mulheres grávidas deixarão de ter o direito a decidir sobre a sua gravidez e no caso de abortarem incorrerão num crime punivel por lei. qual a tua posição perante isto? Quem abortar depois das 10 semanas, deverá ser presa ou despenalizada? Responde, define a tua posição.
Se não me entendes, não posso fazer nada por isso. Já falei muito mais do que queria e por vezes até me tenho repetido para te dar resposta. Pouco mais tenho a dizer sobre este tema, por isso sugiro que te concentres nas tuas ideias sobre o referendo e deixes de lado os meus pensamentos. Não vale a pena continuarmos nisto e eu pretendo ler outras opiniões.
Concordo que começa a haver alguma repetição. Por exemplo: as perguntas que fazes já foram feitas, com outras palavras mas o mesmo conteudo… responder, obrigava-me a repetir não só os meus argumentos, como os de outros com quem concordei.
Por outro lado, mais um pouco e ficaria a parecer que é uma discussão entre nós
Vamos dar espaço para outras pessoas comentarem pois ainda não foi tudo dito e há sempre algo novo. Como a reflexão do Nafergo, mais uma face do prisma neste debate.
Pajo, perdoe-me, mas parece-me que há coisas que, não consegue entender, e sinto- me cansada de me repetir…
Também sinto que, para quem queria opiniões para decidir se sim se não, se sente um pouco aborrecido com as opiniões a favor do não… não percebo porquê..
Mas vou tentar outra vez porque tenho esperança na mudança da sua opinião.
1-Pajo, uma mulher tem o direito de decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los, exactamente!, isso não significa, engravidar e depois matar, significa decidir se na sua vida alguma vez irá engravidar e se sim, terá direito de escolher a melhor altura.”
“- Concordo e pergunto se a ana mar é o garante que essa realidade é para todas mulheres igual; ou seja, todos têm a mesma educação e as mesmas circunstancias.”
* Esta frase dos Direitos das Mulheres siginifica aquilo que lhe expliquei. Não confunda. Não se trata de educação. Pajo, já não vivemos sem informação… quem faz asneiras sabe bem o que anda a fazer… eu própria já cometi erros e sempre assumi o que fiz. Se ha mulheres oprimidas (olhe, que apesar de muito nova, já vivi uma situação de opressão, sei bem o que isso é), ha sempre uma solução. E parte logo de nós.
2-*Também conheço outras pessoas que abortaram porque foram obrigadas, porque os maridos não quiseram mais um filho. E caso tivessem esse filho seriam abondonadas.
“- E se a coisa ainda for feita na clandestinidade… melhor para o homem, pior para essas mártires silenciosas.”
* Acredita mesmo que, sendo o aborto legal, estas situações deixaram de existir? Acredite que serão em uito maior número já que a coisa é legal!! Muitos mais pais, maridos farão as suas filhas/mulheres abortar! Acredite! E nesses centros de aborto não ha ninguem que questione se está lá porque foi obrigada. E se são tão oprimidas (coisa que tem solução!) não terão coragem de denunciar.
3-* Se temos direito a matar uma criança que cresce dentro de nós, será errado matar uma que nasceu de nós? Qual a diferença? Eu sinto que não ha nenhuma. É errado porque já a olhámos nos olhos?
“- NÃO!!!… Uma das diferenças que me parecem evidentes, é que enquanto feto, depende, unica e exclusivamente da mãe, depois, depende das suas circunstancias, de tudo o que a rodeia. Biologicamente é um ser humano individual, dependerá da sorte e da Humanidade que o rodeia.”
*Oh Pajo como pode ver as coisas assim? Como? Compreenda então a barriga de uma mulher como uma casa que se aluga. Sabe que um feto pode sobreviver na barriga de outra mãe que não a biológica?
Sabe como acontece um aborto Pajo? Procure saber como é. Depois diga-me se existe diferença entre matar um bébé que se encontra dentro de uma barriga e outro que acabou de nascer.
Tenho uma amiga que acabou de ter um bébé. Cada vez que olho para aquela menina não consigo perceber a diferença entre agora e o dia antes do parto… apenas esta: agora conheço-lhe o rosto. É só.
Depois de votar sim, não condene os pais das Joanas por esse mundo afora! Vote uma lei que dê o mesmo direito de matar a esses pais porque como diz a “Lembram-se da mãe da Joaninha? (…)”….
“Mas vou tentar outra vez porque tenho esperança na mudança da sua opinião.”
oh Ana Mar…francamente… com essa fartei-me de rir
o pajo muder de opinião… lol
eu vou dizer-lhe uma coisa: o pajo quando teima uma coisa, convence-se que de tal modo que é assim que nada o fará mudar de ideias. Se você disser que um barco está a afundar, o pajo afunda com o barco a tentar provar-lhe que o barco tá bom. E afunda convictamente, porque ele acredita que sim, o barco está bom.
Até tou a imaginá-lo: “ana mar, volte glub o bar..glub blub..co tá glub.. bom.. confie glub em mim glub glub glub
[...] as minhas dúvidas expressam-se claramente aqui. Com calma irei ler todos os comentários deste post… Posted by João Silva Filed in [...]
Cara Ana Mar, permita-me de descordar consigo mas não vivemos uma sociedade informada, se assim fosse todas as pessoas ao lerem a pergunta do referendo, não liam “Gosta do Aborto?”, mas liam exactamente p q está escrito:
«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».
Despenalização significa tão só e apenas que a prática de aborto deixa de ser crime, ou seja, deixa de ser punivel com pena de prisão e não significa que as as pessoas possam fazer abortos sem restrições e acredite q actualmente nem sequer fazem perguntas qdo uma mulher vai fazer um aborto, mto pelo contrario é um processo tipo matadouro… o q se propoem são clinicas onde as mulheres terão acesso a apoio psicologico e depois de uma reflexão, tomasse a melhor decisão… que do fundo do meu coração, eu desejaria, que fosse NÃO AO ABORTO, mas cada um é q tem de ser responsavel pelos seus actos.
Mais uma vez vejo q o Não à DESPENALIZAÇÃO, vai ganhar, mas se assim for espero q todos q vão votar não que denunciem todas as amigas e familiares e alguns conhecidos que vcs sabem que efectuaram um aborto… vamos meter todas essas pessoas na cadeia.
Eu pensei q fosse um blog de debate sobre esta questão mas rápido me apercebi q apenas é mais um de discusão.. (quem não sabe a diferença, pegue num dicionário e cultive-se um pouco)… onde as pessoas tentam forçar o seu pensamento sobre os outros.
Eu gostaria de ler soluções e não criticas… é inocente pensar-se q por ser crime o aborto não acontece, ou por deixar de ser crime, este irá aumentar sem freio… quem pensa em fazer um aborto não pará pq é crime, só pará se a sua própria consciência assim demandar… pelo menos assim ficariamos a saber os números reais e se calhar criar medidas para solucionar algumas das causas do aborto.
Fiquei bastante desiludida com as confrontações pessoais deste blog.. por isso esta é a minha ultima visita, pelo q quero-vos desejar o dobro da felicidade que me desejam a mim… e q o vosso 2007 seja estupendo, que não se preocupem com as miserias do mundo… que só pensem nas vossas…
Rute Barros, pessoalmente fico com pena que deixe de aparecer, embora no geral eu discorde das suas opiniões. Qualquer debate gera discussões, pois se não houvesse divergências de opiniões nem sequer haveria referendo. Não me parece que tenha havido neste blog faltas de respeito ou confrontações pessoais. Eu por exemplo tenho tido as maiores discussões (ou o que lhe quiser chamar) com o pajo, que por sinal era, é e continuará a ser um dos meus melhores amigos, qualquer que seja o resultado do referendo.
E claro que lhe desejo as maiores felicidades.
Concordo com Jode pinto, fico com pena que Rute Barros deixe de aparecer. Não é uma discussão fácil, mas é necessaria e até aqui foi tida com respeito e de nehuma outra maneira poderia ser.
Bem haja, Rute Barros, pela sua contribuição e bom 2007 para si e os seus.
ana mar, obrigado pela aposta em mim
Desculpe se a fiz pensar que me aborrecia a discordancia.
Quanto ao que escreveu, concordo com Rute Barros e chamo a sua atenção para o 1º comentario de xicote, não tenho duvidas de que será visivel o que hoje é clandestino.
No entanto, repito que a minha resposta a estas suas questões pertinentes, está melhor expressa nos meus outros comentarios.
… o blog do João Silva recorda-nos porque discutimos.
Bem vindo.
“não tenho duvidas de que será visivel o que hoje é clandestino”
pajo isso é puro lirismo. As pessoas quando abortam, geralmente pretendem o sigilo. As clínicas do aborto naturalmente que o irão garantir e não os vejo a terem o papel social que preconiza. É um negócio pajo e terás sempre que ter isso em conta. Para as clínicas será sempre uma questão económica e nem lhes será dificil contornar a questão das semanas. E claro que para o negócio do aborto, o cliente é a mulher, o feto claramente não conta. Possivelmente a cliente será despedida com um “esperemos que tenha apreciado o nosso serviço e volte sempre que quiser” e ainda receberá um cartão de boas festas e um postal no dia do aniversário.
e lembra-te que o que está em referendo é se somos ou não a favor que o aborto até às 10 semanas seja uma opção da mulher. As questões sociais também me preocupam mas não estão em referendo, nem me parece que sejam ultrapassados os problemas com a liberalização do aborto.
As vicissitudes da retórica emocional…
Se as coisas estão bem, porquê mudar?
Em virtude da grande confusão manifestada, a Escola Superior de Educação de Viseu, atraves da sua associação de estudantes, vai realizar na 3ª feira, dia 23, pela 18 horas, no auditorio da propria instituição, um debate com 6 convidados palestrantes, entre os quais está confirmada a presença do Bispo de Viseu D. Ilídio Pinto Leandro.
Logo que tenha a confirmação dos outros palestrantes, deixarei a informação.
Tambem confirmo a minha presença e aqui fica o convite a todos(as).
Bom fim-de-semana
retirado do correio da manhã:
Nos últimos nove anos nenhuma mulher foi presa por ter feito um aborto. Esta foi a resposta enviada ontem pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, ao movimento Independentes pelo Não, que esta semana criticou o cartaz do PS que colocava a questão: “Abstenção para manter a prisão?”
Apesar de nenhuma mulher ter sido presa, segundo o Ministério da Justiça (MJ), nove tiveram a pena de prisão suspensa ou substituída por multa. Os últimos três casos registaram-se em 2001.
No total, desde 1997, foram constituídas arguidas 37 mulheres e condenadas 17. O MJ sublinha, no entanto, que os dados de 2005 e 2006 não estão disponíveis.
Abortar é um acto cobarde de desistência… todos os que votam SIM nao estão lá … sim lá naquela posição…em que posição ?! naquela posição vulnerável aonde todos nós já passamos naquelas primeiras semanas dentro do utero, estou a ver centenas de crianças a vetarem .lhe o direito de nascer por causas estupidas, e meus amigos se acham que a razão de votar no sim é economica como explicam que na Alemanha o estado está a pagar 5000 contos a quem tenha um filho quer dizer à 20 anos depenalizaram o aborto … mataram os seus filhos agora que encaram a extinção dos alemaes eles estao dispostos a pagar fortunas para que nasca gesnte aqui em portugal como sempre atrazados ainda estamos na fase de abortar daqui a uns 5 anos quando perceberam que nos vamos extingir porque ja nao nasce mais criança la vamos gastar mais fortunas para pagar as mulheres para teres os filhos … oh gente estupida…
É verdade Carlos, concordo consigo.
Espero estar cá, para depois me rir…
… E no entanto, a população Portuguesa, sem despenalizar o aborto, há já muito tempo que está a envelhecer(em alguns locais, já dão subsídios, mais modesto que os da Alemanhã… os estúpidos.)… Visto daqui, se calhar, não tem nada a ver uma coisa com outra.
Mas concordo que abortar é um acto cobarde de desistência… não acredito é que a coragem se impõe aos outros e, sabendo que a lei não os evita, apenas os esconde, vou votar sim porque confio mais no SNS do que na justiça para ajudar a dar coragem a quem não a tem.
“…abortar é um acto cobarde de desistência…”
será pajo?!!! Serão diversas as razões para abortar mas ao dizer que será cobardia, estamos a formar juízos de valor e isso sim é impor aos outros os nossos valores morais, não tendo sequer em conta as circunstâncias individuais de cada caso. Isso não pretendo impor a ninguém, mas pretendo que em Portugal o aborto seja encarado por aquilo que realmente é: A DESTRUIÇÃO DE UM VIDA HUMANA. ABORTAR É MATAR UM SER-HUMANO INDEFESO.
Perante uma gravidez, as pessoas envolvidas e o próprio Estado, devem ter uma atitude de responsabilidade e de protecção, tal como acontece quando nasce uma criança. É isso tão só que eu pretendo e por isso vou votar NÃO.
“…confio mais no SNS do que na justiça para ajudar a dar coragem a quem não a tem…”
pajo a justiça está mal? Estou de acordo. E o SNS está bem?!!! pajo, eu gostaria de ter visto estas organizações ditas de defesa das mulheres, nas ruas a lutarem contra o encerramento de maternidades que eram vitais para a vasta população que serviam. Gostaria de ver estas organizações a lutarem para a construção de hospitais pediátricos que tanta falta fazem. Francamente pajo há tantas carências no SNS, que pretender que o Estado patrocine o aborto, chega a ser ofensivo. O Estado deve patrocinar a vida e não a morte. Deve auxiliar as jovens que pretendem levar a gravidez até ao fim, isso sim seria um apoio digno e bem-vindo. Deve investir na formação dos nossos adolescentes de modo a evitar inúmeros casos de gravidez nesta faixa etária, que são sempre situações terríveis.
Quanto à despenalização das mulheres, bastaria tão só alterar a letra da lei, para que mulher alguma pudesse ser julgada pelo crime de aborto. Poderia a prática do aborto continuar a ser crime, criminalizando apenas todos quantos pratiquem o negócio de aborto. E claro investigando e prendendo os criminosos. Se uma jovem adolescente consegue abortar na clandestinidade, não deve ser difícil descobrir quem vive desse negócio. Continuariam a haver mulheres a ir a Espanha abortar sem dúvida, mas essas pelo menos não poderão dizer que é por problemas económicos.
Podes votar SIM, mas é bom que tenhas a consciência de que tás a votar na liberdade da mulher de decidir sobre a sua gravidez, excluindo-te a ti próprio da decisão sobre um eventual filho que possas gerar. Também deves ter em conta que ao votar SIM, estás a dar liberdade à prática do negócio do aborto, pois é isso que basicamente vai mudar no caso do sim ganhar. Quanto aos problemas de miséria social, vai continuar tudo na mesma. Quanto ao SNS dar coragem a quem não a tem! Coragem para quê? Para abortar? Para prosseguir com a gravidez? Tretas pajo, isso são tretas. Se pretenderes o aborto no SNS, vais ver a coisa tão complicada que irás procurar a clínica mais perto, antes que se esgotem as 10 semanas. Claro que na clínica as 10 semanas não será limitativo, alteram-se as datas e não haverá crise. E claro que quem não tiver dinheiro para as clínicas, procura os mesmos sítios clandestinos que hoje procuram.
Mas tá bem pajo, tu acreditas que a nossa sociedade vai melhorar com o advento do negócio do aborto e com a liberalização do aborto até às 10 semanas por decisão exclusiva da mulher, vai lá votar SIM.
Mas já agora alguém me esclarece como será no caso de a grávida ser menor? Quem toma a decisão, é a própria, a mãe ou o pai? A ser a própria será no mínimo curioso que uma miuda que nem sequer pode votar, possa entrar no hospital e exigir o aborto. Mas claro presumo que isso não seja importante, até porque o mais certo é que nestes casos a miuda recorra à clínica e aí desde que haja quem passe o cheque, tá tudo conforme.
Isolar uma frase do seu contexto permite a interpretação que se quer e melhor convem. Embora te dirijas a mim, não identifico, no teu comentario, resposta ao meu.
Por exemplo: Eu não disse que o SNS está bem, disse que confio mais no SNS do que na justiça para ajudar a dar coragem a quem não a tem.
De resto, agradeço a tua participação e preocupação. Tirando o teu sentido de voto, concordo com muitas coisas que dizes.
“…vou votar sim porque confio mais no SNS do que na justiça para ajudar a dar coragem a quem não a tem…”
foi esta a tua frase, certo?
E o SNS está bem?!!! Eu coloco-te esta questão (não te atribui nenhuma afirmação), seguida de um comentário meu chamando-te a atenção para questões de carência do SNS, que considero ser mais importantes que dotar os hospitais para abortos por opção. Considero ofensivo que um país onde se fecham maternidades (poderia citar inúmeros outros exemplos de carências, mas este é bem adequado ao tema do referendo), se prepare para pagar abortos por opção de quem teve um descuido.
Continuo sem saber que tipo de coragem vai o SNS dar a quem opta pelo aborto!
Muito se tem falado acerca deste tema.. =)
Eu não concordo com algumas campanhas que têm sido feitas pelo “Não”..e antes de vos deixar alguns links, quero dizer que votarei “SIM”..pois acredito que a vitória do “Não”..nada alterará, ou seja, abortos clandestinos continuarão a ser feitos e todas as consequências que daí vêm..não terão fim!!!
Tal como prometi..aqui ficam alguns links:
http://jn.sapo.pt/2007/01/11/preto_no_branco/
http://jn.sapo.pt/2007/01/17/ultimas/Aborto_ilegal_um_neg_cio_de.html
http://xl.sapo.pt/?play=/MTE2ODk2MzE2OQ==/bmFv/ZGY4ZjJkZDZlY2UxZTUwMWYzZDI5YTIwMzk5NGQ4MDY=
http://jn.sapo.pt/2007/01/14/dossier/dossier_aborto.html
Só mais uma “coisa”..concordo plenamente com José Pinto quando diz : “…vou votar sim porque confio mais no SNS do que na justiça para ajudar a dar coragem a quem não a tem…”!
Obrigado bruno pela participação, o segundo link, concordo, refere uma consequencia directa da lei existente.
peço desculpa pelo atraso nas respostas
mas não consigo participar com tanta frequência quanto o tema merece…
- quanto ao “fait divers” da minha orientação política, para saciar a curisosidade do José Pinto (julgo que podemos abandonar o Sr.
de facto, não afirmei que era comunista. Se quiser, as minhas referências “de esquerda” encontram-se entre o anarco-sindicalismo, IV Internacional trostskista e correntes libertárias
Fico muito orgulhoso de ter “descoberto” a minha simpatia. Significa que faço parte daqueles que mesmo se quisessem (e não quero) não conseguiam esconder as suas orientações e opções políticas.
Argumento cristão pelo Sim: Jesus Cristo ensinou que não devemos julgar os outros porque todos nós erramos (atire a 1ª pedra quem nunca errou). Sendo assim, não percebo como existem defensores do Não cristãos, dado que a actual lei mais não faz do que julgar as mulheres que abortam. Eu não julgo e condeno as mulheres que abortam. Discordo mas não “atiro pedras”. A pena de prisão não é mais do que uma “metáfora moderna da lapidação”.
Argumento legalista (constituição da rep) pelo Sim: o tribunal constitucional considerou que a pergunta do referendo não fere os princípios constitucionais (nomeadamente no que se refere aos dois pontos do seu artº 24). Ou seja, o referendo não é sobre se “A vida humana é inviolável” ou sobre instaurar a “pena de morte.”. Situações inconstitucionais.
Argumento legalista (código penal) pelo Sim: abortar e assassinar ou infanticídio não são comparáveis à luz da lei (penas diferentes)e já existem excepções na lei para abortar:
a) Constitua o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
b) Se mostre indicado para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e seja realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez;
c) Haja seguros motivos para prever que o nascituro venha a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação, e seja realizado nas primeiras 16 semanas de gravidez;
d) Haja sérios indícios de que a gravidez resultou de violação da mulher, e seja realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez.
Ou seja, pretende-se incluir mais uma excepção. Não se pode falar em liberalizar ou legalizar porque continua a ser ilegal. Não existe qualquer diferença entre um feto de uma mãe violada e o de uma mãe não-violada (em termos simples, o feto de uma mulher violada também não tem culpa e no entanto a sua mãe pode abortar, acresce o facto de não existir qualquer projecto de lei ou movimento que defenda a eliminação desta excepção).
Argumento legalista (estado de direito) pelo Sim: que sentido faz manter uma Lei que não é cumprida (não existem mulheres presas por terem abortado) e que ninguém pretende que seja cumprida? Que estado de direito é este que tem uma lei que ninguém quer ver cumprida? Há alguma pessoa/movimento que defenda que a mulher que abortou deve ser presa? Se a resposta é negativa, então qual o objectivo de manter a lei tal como ela está?
Argumento de “princípio da lei” pelo Sim: sei bem que não há mulheres presas por terem abortado mas a lei permite-o. A qualquer momento um juiz pode condenar uma mãe que abortou à pena de cadeia.
Podemos criar milhares de argumentos contra/favor alteração da lei. No entanto, julgo que todos concordarão comigo quando digo que a actual lei não permite ” a IVG, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado”
e a alteração permite que mulher possa não fazer ou fazer uma “IVG, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado”. Ou seja, a alteração que se pretende é no sentido de dar maior opção, escolha, à mulher. A actual lei não permite optar, impõe um caminho, proíbe outro, impõe uma determinada concepção. Se vencer o Não, impõe a concepção da maioria a uma minoria. Se vencer o Sim permite as duas concepções e cada uma escolhe em consciência.
Terminando, actualmente há mulheres que decidem não abortar e mulheres que decidem abortar. As que decidem abortar só têm uma via: o aborto ilegal, o aborto “no vão de escada”.
Independentemente de concordarem ou não com a decisão da mulher que optou por abortar, se ela morrer pelas complicações de um aborto pesa alguma coisa na vossa consciência?
Dado retirado de “Panorama Geral – Relatório Mundial da Saúde 2005″ (da OMS)
http://www.who.int/whr/2005/media_centre/overview_pt.pdf
68.000 mortes atribuíveis ao aborto inseguro… Quantas portuguesas?
O aborto é o único crime que se quer legalizar para que deixe de ser crime. Como ouvi num debate faz uns dias, “legalizemos então a fuga aos impostos, os furtos, etc para que deixem de ser considerados crimes”. Pois não sabemos quais as razões que leva o homem a roubar, a fugir aos impostos, a cometer um homicídio etc etc etc.
E legalizemos também os roubos. Se uma pessoa que mata não é punida por isso, então porque é que um ladrão deve ser?
o que é pior? roubar ou matar?
Obrigado nafergo por este comentario tão completo, sobrio e descomplexado que só prestigia o debate e com o qual me identifico plenamente.
Sobre esclarecimentos:
A Escola Superior de Educação de Viseu, atraves da sua associação de estudantes, vai realizar na 3ª feira, dia 23, pela 18 horas, no auditorio da propria instituição, um debate com 4 convidados palestrantes, está confirmada a presença, em representação do NÃo, o Bispo de Viseu D. Ilídio Pinto Leandro e o Dr. José Luís Antunes – Presidente da ADAV. Pelo SIM, Magda ALves – Dirigente da associaçõa “Não te prives” e Dra Lira Keil do Amaral – Professora.
Podem confirmar a vossa presença :
Fax: 232 419 002
Tmovel: 969 653 898
E_mail: aeesev@esev.ipv.pt
Apareçam, vamo-nos esclarecer… ou pelo menos, tentar.
Este debate de dizer que o aborto é matar e é crime, o que dizer da eutanásia? Matar um feto com 20 semanas é crime; uma pessoa que esteja acorrentada a uma cama e que tenha o direito de escolher o que fazer do seu corpo e da sua vida, já não o é?
Quem escolhe o melhor para os filhos são os pais; a partir do maioridade somos nós que decidimos o que fazer da nossa vida!
Se um pai ou uma mãe decide matar o seu filho ainda por nascer, ou se um acamado quer que lhe acabem com a vida, qual a diferença?
Parecem-me absurdos certos argumentos que aqui tenho visto.
E se eu quiser acabar com a minha vida? Quem é que tem o direito de dizer que não o posso fazer? Vão-me prender por isso?
Há certas coisas que, por mais que tentemos explicar não o conseguimos; apenas a nossa consciência o diz para fazermos/pensarmos de uma maneira ou de outra.
Eis a defesa do Não que eu não respeito:
“Os cristãos que vão votar ‘sim’ no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas”, garante o cónego Tarcísio Alves
http://dn.sapo.pt/2007/01/19/nacional/quem_votar_sim_fica_funeral_religios.html
joaquim antónio de aguiar volta que ainda és necessário…
Não sou católica mas acho que um católico deve votar não ou então não é um verdadeiro católico.
não sei bem o que é um “verdadeiro católico” mas parece-me que concordar com a prisão de uma mulher que tenha abortado é uma atitude “pouco católica”. Nunca erraram? deverão os católicos seguir o Pai Nosso?
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
“A misericórdia penetra no nosso coração só se também nós soubermos perdoar, até aos nossos inimigos.”
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – Compêndio
http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.html
parece-me que mandar prender e excomungar não são bem compatíveis com perdoar… mas graças a deus sou ateu portanto deve ser incapacidade minha
Alguém sugeriu que se revogasse a lei que nos obriga a usar cintos de segurança… mas porque é que o estado me obriga a usar cinto? Mas a vida não é minha? Há qualquer coisa aqui que não percebo.
ai ai ai ai….
Mas nafergo, concordar com a morte de um ser indefeso, isso sim é que é pouco católico.
Joel tu podes fazer o queres da tua vida mas não podes fazer o que queres da vida dos outros…
Não podes decidir quem vem ou não ao mundo, quem merece ou não viver!!!
CLARO QUE ERRAMOS, TODA A GENTE ERRA, NINGUÉM É PERFEITO. MAS HÁ ERROS QUE TU PODES EVITAR, MUITAS VEZES SABES QUE O QUE VAIS FAZER VAI SER UM ERRO, MAS FAZES… E DEPOIS DE FEITO JÁ NÃO HÁ NADA A FAZER… E NO FINAL CHAMAS ISSO ERRO?
O facto de concordar com a despenalização não significa que concorde com quem opta por esse caminho. São duas discussões diferentes. Significa que apesar de discordar acho que não merece ir para a cadeia.
Sempre associei os ensinamentos de cristo à capacidade de perdoar, à tolerância e ao amor. Dar a outra face? Cristo perdoou aos que o crucificaram… Eu não sinto qualquer “obrigação” em perfilhar esta abordagem, mas também não sou eu quem se assume como católico… Apenas assinalei SEM PRECISAR DE GRITAR que me parece haver alguma contradição. Sem hipocrisias nem agressividades, apenas pretendi partilhar a minha crença que se Cristo fosse vivo e português votava no Sim (e era excomungado…).
ana mar e maria II
a actual lei permite excepções (art 140):
http://www.pgdlisboa.pt/pgdl/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=104&tabela=leis&ficha=1&pagina=1
Sem maldade nem hipocrisia, apenas simples curiosidade de quem está a discutir o tema de boa fé: gostava de saber a vossa opinião sobre estas excepções, concordam com a sua existência? ou acham que não deveriam existir quaisquer excepções?
Nafergo,
*o católico deve perdoar essas mulheres, claro. Mas não deve votar para que essas mulheres possam abortar livremente. (Porque despenalizar, é liberalizar. E não me digam que não percebo a questão do referendo… percebo-a perfeitamente.) Ou estarão a criar condições para que se cometam crimes. Uma coisa nada tem a ver com a outra.
*sou contra o aborto. de todo. como sou contra qualquer outro tipo de homicídio.
*Questiono-me a mim própria, apenas, no caso de risco de morte para mãe e feto, o que se deve fazer. Não sei.
* para que é a favor do aborto, pergunto-vos, então, qual a diferença de um feto com 10 semanas e um com 10 semanas e 1 dia? e um com 11 semanas?
nafergo, li os seus textos atentamente (como de resto leio todos). É a sua opinião, a sua forma de ver a questão de um modo que me parece honesto, sem pretensiosismo mas numa perspectiva que a mim me parece demasiado redutora nalguns aspectos.
1ª A questão católica: Portugal é reconhecidamente um país de orientação católica. È sabida a posição da igreja. Para a igreja matar é proibido, o aborto é matar e como tal estamos perante um dogma do catolicismo contra o qual não há como argumentar, nem creio que haja volta a dar quanto a isso. Quem é católico ou assume o não, ou terá que analisar a questão de um modo mais profundo, pois para além do que lhe dita a sua consciência e liberdade de pensamento, irá colocar em causa a sua própria fé. Felizmente esse para mim não é um problema, pois sou ateu. Parece-me no entanto que confrontarmos os católicos com as contradições do catolicismo, não ajuda nem beneficia o debate sobre o referendo. Pessoalmente concordo consigo na questão de que condenar, não é compatível com a doutrina cristã. Mas isso é quanto a mim uma das maiores contradições do catolicismo. Se por um lado afirmam que devemos perdoar a quem nos tenha ofendido, falam-nos de um deus justo, bom e misericordioso, por outro acenam-nos com o inferno como sentença final para quem não leve em consideração os seus princípios. Pretende colocar em causa o catolicismo para justificar a sua posição sobre o referendo? Pode fazê-lo, mas creio que será uma tarefa muito mais árdua e infrutífera.
2ª O referendo não é apenas pela despenalização da mulher que aborta. Isso é um argumento objectivamente redutor daquilo que está verdadeiramente em referendo. Para despenalizar a mulher, bastaria tão só eliminar do artigo sobre o aborto o 3º ponto (Na mesma pena incorre a mulher grávida que, fora dos casos previstos no artigo seguinte, der consentimento ao aborto causado por terceiro, ou que, por facto próprio ou de outrem, se fizer abortar.). Por muito que não queiram admitir estamos perante a liberalização do aborto até às 10 semanas (e será muito fácil depois contornar esta limitação) e por opção única e exclusiva da mulher. Mais grave ainda (em minha opinião), o facto de estar em referendo a liberalização do negócio do aborto. É um facto por muito que pretendam escamotear, que a vitória do sim terá como consequência a legalização desse negócio, para mim abominável. É redutora a afirmação de que o voto no não, pretende condenar as mulheres que abortam por opção. O meu voto no não, reflecte as minhas convicções quanto ao valor da vida humana, o direito a nascer e os meus direitos de progenitor. Creio que são suficientemente válidos para os considerar acima dos direitos das mulheres decidirem o que fazer com a sua gravidez. Quanto à penalização ou não das mulheres, não é a questão principal do referendo, antes uma questão lateral e uma das muitas e graves consequências a que se sujeitam as mulheres ao abortar, sendo que nem sequer é a mais grave. A mais grave será sem dúvida as consequências para a saúde, pois por vezes resultam na própria morte.
3ª Com a vitória do sim, resolveríamos sem dúvida a questão da penalização das mulheres que abortam. Seriam igualmente derrubadas muitas das barreiras que levam muitas mulheres ao aborto clandestino, sem dúvida um grave problema de saúde pública. Neste ponto estamos de acordo e são duas situações que me incomodam. Deverão justificar a aprovação desta lei. Em minha opinião não, por motivos que já desenvolvi sobejamente neste blog, pelo não me vou repetir. Mas não posso deixar de referir o seguinte: não devemos considerar abolir uma lei, apenas porque existem muitas pessoas a prevaricar. Se assim fosse era bonito. O que aconteceria com o código da estrada ou a fuga aos impostos, por exemplo? Liberalizemos? Olhe que muitas pessoas fogem aos impostos pelos mesmos motivos que muitas mulheres fazem abortos. Necessidades financeiras ou procura de melhor qualidade de vida, não é? Não creio que seja um argumento que mereça grande consideração. A questão do aborto deve ser analisada de modo sério e devem-se procurar soluções que até admito poderem passar pela liberalização, mas não nestes moldes, nem sem antes serem criadas medidas que visem ajudar as mulheres e as pessoas desfavorecidas, de um modo mais positivo como alternativa à opção pelo aborto. Esta lei apenas beneficia o negócio e porventura as finanças públicas, pois pelo menos espero que as clínicas paguem os seus impostos. Dará mais liberdade às mulheres, mas de um modo que não me parece que as dignifique.
4ª A minha opinião sobre as excepções à lei e que possibilitam o aborto, é que embora igualmente discutíveis, merecem a minha tolerância e compreensão. A minha posição perante esses casos é muito semelhante à sua posição perante a liberalização. Ou seja, não faço julgamentos e deixo ao critério do cada um, pois são situações deveras complicadas de gerir e com implicações por vezes terríveis no futuro das pessoas envolvidas. Acrescento inclusive que deveria haver mais uma excepção à lei, pois considero que a gravidez nas adolescentes, deveria ser igualmente considerada como válido para abortar, por motivos psíquicos, físicos e sociais. Considero no entanto que deveriam ser tomadas medidas ao nível do SNS, eficazes na formação dos nossos jovens em questões de sexualidade e planeamento familiar. Seria um modo muito válido e eficaz no combate ao aborto clandestino e duvido que alguém questionasse o custo em termos de impostos.
Pergunto-me se realmente se entende a questão do referendo.
«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»
A palavra interrupção significa o seguinte ( retirado do http://priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
Interrupção:
do Lat. interruptione
s. f.,
suspensão;
acto ou efeito de interromper;
intermissão;
reticência.
interromper:
do Lat. interrumpere
v. tr.,
suspender;
atalhar;
fazer parar por algum tempo;
estorvar;
obstar a.
Fazer um aborto, parece-me que não é interromper uma gravidez, porque interromper significa suspender por algum tempo. Ora fazendo um aborto não estarei a suspender por algum tempo a gravidez para depois retomá-la. Portanto o aborto sgnifica matar, cometer homicidio e não, interromper gravidez, certo? Estarei errada ou a questão do aborto é que está mal formulada?
Concordo com a análise semantica da ana mar, mas, neste caso, creio que mais importante do que as palavras, estão os actos inerentes: queremos ou não prender as Mulheres por abortarem…?
“queremos ou não prender as Mulheres por abortarem…?”
Responde tu a isso pajo. Afinal a liberalização é apenas até às 10 semanas. O que pretendes que aconteça a quem abortar para lá desse prazo? Pretendes que se prendam as mulheres que abortem para lá das 10 semanas ou não? Define os teus limites, pois continuo à espera que te manifestes a esse respeito.
Vou falar agora de direitos individuais e saúde pública, mas numa outra faceta na nossa sociedade.
A prostituição também é um caso procupante de saúde pública e de direitos individuais. Porque motivo não pode uma mulher decidir prestar serviços com o seu próprio corpo em troca de dinheiro? Porque não legalizar a prostituição e permitir que as mulheres que optem pela mais antiga profissão do mundo, benificiem de segurança social, protecção jurídica, cuidados médicos, etc, em vez de viverem na clandestinidade, vítimas de maus-tratos, tráficadas e todo tipo de indignidades a que estão sujeitas? A mim choca-me menos do que a liberdade de destruir um ser-humano em gestação. Porque motivo se prendem as prostitutas, pelo menos não matam ninguém. Curioso no entanto que uma mulher seja obrigada a esconder a sua condição de prostituta para não ser presa, mas se engravidar não tenha problemas em recorrer aos hospitais para abortar. Imaginemos então as prostitutas, que por força da sua condição social não pagam impostos, a recorrerem ao SNS e benificiarem de cuidados médicos para abortar. E imaginemos a fazerem-no com relativa frequência, até por força das circunstâncias. Irónico, não? Os nossos impostos que deveriam ser utilizados em benifício de pessoas necessitadas e doentes, a serem utilizados para destruir vidas inocentes. As maternidades a fecharem na província e os hospitais a equiparem-se para abortar!!!! Operações vitais para tanta gente, constantemente adiadas e o aborto com prioridade máxima. Que interessante, não?
Pajo, eu vou responder objectivamente à tua pergunta.
Prezo muito viver num país onde o direito à vida é um princípio fundamental. Prezo muito que em Portugal, matar seja considerado crime e como tal punido por lei.
Considero que o único inocente no crime do aborto é a pessoa que foi impedida de nascer. Como tal considero que as mulheres que abortam devem ser julgadas e se consideradas culpadas, condenadas. As mulheres que abortam só são inocentes, se coagidas, maltratadas ou pressionadas seja de que modo for. Infelizmente essa é uma triste realidade, pois muitas mulheres são literalmente violadas no seu próprio lar, violentadas e se engravidam não têm outro remédio senão abortar. Urge lutar pela protecção e dignidade da mulher. Urge lutar pela protecção das crianças maltratadas. Há muitas causas nobres e muitas pessoas que carecem de apoios e organizações que se interessem e lutem pelos seus direitos. As mulheres que abortam por desespero, não o fariam se encontrassem alternativas e apoio. Há muito a fazer para melhorar a sociedade e muito a fazer em prol da dignidade da mulher. A liberalização do aborto, a legalização do negócio e o patrocínio do aborto no SNS, não é, estou convicto disso, uma causa que mereça todo esse esforço e não terá seguramente o meu apoio.
Depois destes textos que mais há a dizer?
Só com um bloqueio mental é que não se vê a evidencia.
Nada mais se pode acrescentar, excelente debate mas, desculpem lá, o trabalho do José Pinto é demasiado fácil, apesar de teclar muito.
Como tinha referido anteriormente todos os argumentos apresentados pelo SIM são fácilmente rebativeis, como se prova pelos textos aqui apresentados.
Nunca errei … posso então atirar pedras …
Não concordo Vitor Barros, a quantidade não é sinonimo de qualidade e pode ser o resultado de alguma repetição. De qualquer forma, não se trata de uma competição mas sim de uma enorme discussão na tentativa de nos esclarecermos.
Tendo lido TODOS os comentarios até agora, retem-se o seguinte: Ninguem quer ver as Mulheres na prisão, ninguem concorda com o aborto, todos gostariam de contribuir para uma sociadade melhor e todos concordam que, de uma maneira ou de outra, os abortos não vão acabar… estas tomadas de posição são contrarias à lei existente.
Sobre a sessão de esclarecimento na ESEV foi de uma elevação exemplar e teve repercuções… uma organização excelente da Associação de Estudantes da ESEV.
pajo desculpa lá, mas não sabes ler.
senão tinhas lido k tanto eu como o ze pinto queremos as mulheres na prisão.
“Concordo que a maior parte (talvez até toda a gente) de quem vota no SIM, abomina o aborto. Mas acredite que a maior parte de quem vota no NÃO também não quer as mulheres presas por abortar. Pelo menos não quererá que mulheres que abortem por desespero sejam presas.”-José Pinto disse:
Janeiro 7th, 2007 às 10:11 pm.
O Vitor Barros não diz muita coisa, mas teve a presença de espírito em revelar a contradição do José Pinto. Quanto à solução que preconiza para o problema: – “queremos as mulheres na prisão.”-… é a sua opinião. Se por educação devo comentar, lamento que pense assim.
Onde está a contradição pajo?!!!
Será contradição afirmares que és contra o aborto e no entanto vais votar pela sua liberalização?
Em causa no referendo não está a despenalização da mulher, mas a liberalização do aborto, a legalização do negócio e o patrocínio do aborto pelo SNS, por muito que não o queiras considerar. E é fundamentalmente contra isso que vou votar.
Sobre a penalização vê lá se entendes uma coisa. O Victor não quer as mulheres presas, é um homem de bem e não deseja o mal de ninguém. Simplesmente tal como eu (e muitos mais) abomina o aborto. Eu pretendo que o aborto continue a ser crime e nesse sentido quero e creio que o Victor também pensa assim, que a lei seja cumprida. Quero que quando haja um aborto, haja julgamento e os culpados sejam punidos. Quero o fim da impunidade e considero inclusive que 3 anos são pena demasiado leve para a morte de um ser humano. Pelo menos o executante deveria apanhar pena bem mais pesada. E as mulheres que abortam repetidamente, no mínimo revelam desleixo e fazem-no precisamente devido à impunidade e merecem ser punidas.
A prisão das mulheres é mau, mas pior é o aborto.
O aborto clandestino é mau por ser clandestino e perigoso para a saúde, mas horrível é o aborto em si. O Estado deve patrocinar a vida e não a morte e tem a obrigação de fazer cumprir as leis, pois as leis são o garante da democracia.
Espero no dia 11 sentir orgulho por viver num país em que matar é crime, mesmo que chamem a isso interrupção voluntária de gravidez. Espero também que a maioria dos portugueses mostrem ao José Sócrates, que não somos tão burros como ele pensa, ao tentar camuflar um projecto-lei absurdo, por detrás da pergunta falaciosa do referendo.
Sou contra o aborto, por isso vou votar no NÃO.
Termino com esta simples frase, com a qual espero encerrar a minha participação no teu blog e espero que não digas que é uma contradição.
Este último comentario resume a tua participação, sobre ele, não preciso dizer nada, basta ler; sobre ti…apenas digo muito obrigado pela tua participação, foste o que mais comentou neste blog (não dá direito a premio).
O facto de discordar de ti não implica que não admire a tua veemencia e interesse nesta materia.
Pois é… uma questão nada fácil de julgar…mas também quem somos nós, simples mortais, para julgar alguém!!! Pois muito bem…então aqui vai a minha opinião. Recente mamã posso afirmar que não existe nada melhor do que ter nos braços um ser que durante 9 meses transformou-se, cresceu, ganhou vida própria, dentro de nós (mulheres).Não imaginava que a minha relação com esta pequena e indefesa criatura fosse tão forte, assim como o torbilhão de sentimentos que vivi quando pela primeira vez o colocaram nos meus braços…tão pequeno,tão…é muito dificil de exprimir por palavras tudo o que senti…estou completamente maravilhada e rendida ao Afonso!!!
Mas não é para falar da minha recente experiência materna que estou aqui… O que quero dizer com este pequeno episódio da minha vida, é que todos temos direito a fazer as nossas próprias escolhas, vivemos numa democracia, e o facto de existirem mulheres a serem julgadas por um aborto, sinceramente assusta-me…pois cada um sabe de si, e tem condições mentais, morais e bom senso q.b. para decidir o que fazer quando ocorre, na maioria dos casos, uma gravidez não desejada…Não se faz um aborto por simplesmente querer!!! Existe por detrás dessa decisão factores que determinam que se faça… Ninguém se sujeita a um aborto por prazer, penso que seja uma decisão ponderada. É claro, que inicialmente poderá ter existido irresponsabilidade, falta de condições financeiras, atitudes precoces não pensadas…Facto é que antes de se tomar uma decisão, acreditem, que todas as mulheres pensam nas várias possibilidades que têm ao seu dispor, antes de partirem para a decisão de fazer um aborto!!!
Não estou a querer dizer que sou a favor do aborto, mas sou sim, a favor da sua despenalização…É vergonhoso numa sociedade como a nossa vermos casos de mulheres a tapar a cara por estarem a sair de um tribunal onde foram julgadas, e que logo `a partida não têm qualquer forma de se defenderem ou argumentarem o porquê daquela decisão, daquela atitude, porque em PORTUGAL, o ABORTO é considerado um CRIME…Afinal que mentalidade andamos nós a tentar encutir quando formamos jovens com espírito crítico e capacidade de tomarem decisões por iniciativa própria, quando existem tantas contradições no modo de pensar, por vezes mesquinho da nossa sociedade???!!!Valores??? Os valores/as atitudes são de quem as pratica, e não devem ser julgados, pelos menos quando se trata de algo tão íntimo de uma mulher (ou casal), em que só esta pode tomar decisões que podem mudar para sempre o rumo da sua vida…
A minha opinião é um pouco radical, pelo menos ao olhos de alguns, sempre tive uma minha linha de pensamento liberal até que tomei consiencia que estavamos a falar não na vida de uma mulher mas na de um ser humano que tem o direito ao nascimento.
Sou contra a pena de morte, apesar de haver muitos casos onde acho que o infractor só mercecia nada mais do que a execução. Mas como acredito que ninguem, mas mesmo ninguem, tem a direito de decidir sobre a “VIDA ou MORTE”, logo a pena de morte é inaceitavél.
Na mesma linha de pensamento, é inaceitavél que alguem ceife a vida de um ser humano, sem ele mesmo se poder defender, lutar ou mesmo ter um julgamento justo.
Em todos os comentários, aqui ou noutros sitios, e entrevistas, com os mais diversos intervinientes, um ponto em como todos tem para defender o ABORTO ou a sua despenalização, é que todos acreditam que o feto não é mais do que um aglomerado de celulas, e não o consegue identificar como seu semelhante.
A 20 anos aceitava-se esta intepretação, visto a tecnologia produzir ecografias distorces e disformes, hoje temos ecografias que provam / demonstram que a realidade é muito diferente do que se suponham, afinal temos vida as “8 semanas de vida”.
Esse bloqueio mental é a unica justificação,que eu vejo, para aceitar que uma pessoa aceite fazer um aborto ou defender o direito ao mesmo. Porque o contrario é monstruoso. Eu acredito na raça HUMANA apesar da historia me contradizer, mas como na história fica muito mais facilmente registado as atrocidades do que as beneficiencias dou o beneficio da dúvida. O mesmo principio (bloqueio mental) foi utilizado na 2ª grande guerra pelo povo alemão, que quando confrontado com as suas atrocidades respondiam: “eu nunca faria isso a um ser humano”.
Desculpem a repetitividade presente no meu discurso, varios posts, mas tento fazer valer o meu ponto de vista, talvez desta forma consiga ultrapassar a barreira linguista, porque acho que afinal não falamos a mesma lingua, porque se assim fosse este debate já estaria terminado a muito tempo, ou o mesmo nunca teria começado.
Acabei de apagar um comentario anónimo que dizia apenas “Morre.” porque não percebi o contributo para o debate em causa.
Obrigado Marina Rebelo pelo comentario tão cheio de vida e de tolerância.
Marina nós podemos fazer a nossa escolha, mas não podemos escolher quem mercere ou não viver!
Não se faz um aborto simplesmente porque quer?
Eu não concordo,se vais fazer um aborto é porque queres…
Pajo,
dizes: “Concordo com a análise semantica da ana mar, mas, neste caso, creio que mais importante do que as palavras, estão os actos inerentes: queremos ou não prender as Mulheres por abortarem…?”
Sabes que a questão não implica, só e apenas a condenação/prisão das mulheres? Por isso faço esta análise, para que se compreenda que esta questão está cheia de subterfúgios. Um deles é dizer “interrupção” para não dizer “término ou pôr termo a”. Não te podes esquecer que se o Sim ganhar, o aborto até ás 10 semanas é livre, matar um bébé de 10 semanas _ desde que em estabelecimento de saúde legalmente autorizado_ é livre. Única e exclusivamente por opção da Mulher.
Pajo, tu que vais votar Sim, o que farás, se souberes de uma Mulher/Jovem/Adolescente que teve vergonha de ir a um estabelecimento de saúde legalmente autorizado, e fizer um aborto clandestino? E a uma que o fez com 10 semanas e 1 dia? Pela lei que tu vais votar essas mulheres serão consideradas criminosas.
Fala-se de mortes, preocupações com a morte de mulheres… e a morte desses milhares de bébés? Não percebo que os apoiantes do Sim queiram proteger essas Mulheres do sofrimento e se esqueçam do sofrimento causado durante o processo abortivo ao bébé. Não teremos o dever de proteger do sofrimento o bébé? O sim pretende proteger apenas a Mulher (ou não, tendo em conta as Mulheres que são obrigadas pelos seus maridos/ familias) que mata.
Pajo, espero que reflitas bem sobre a vida. Este referendo trás muita coisa escondida nesta questão que muita gente não consegue ver. Não está em jogo apenas o fim da condenação dessas mulheres.
Ana mar, eu penso que o tempo (10 semanas) é o suficiente para se tomar uma decisão.
Quanto à Mulher/Jovem/Adolescente que teve vergonha de ir a um estabelecimento de saúde legalmente autorizado, e fizer um aborto clandestino… Hoje acontece isso e não parece incomodar-te pois vais votar para a lei continuar a existir. Penso que podem não acabar abortos clandestinos, mas acaba a falta de opção a que a lei obriga.
Despenalizar o aborto não é convidar ao aborto…! Muito menos obrigar a tal! Ana mar, trata-se de dar uma opção.
pajo a lei não permite opções, a lei defende a vida e isso não é uma questão opcional é isso que tu não percebes pajo. Sempre tiveste tendência a defender os mais fracos, mas num aborto o mais fraco é o que vai parar ao caixote do lixo, não é a mulher. Quanto ao aborto clandestino, a única forma de acabar com esse flagelo, é as pessoas consciencializarem-se que matar é errado, seja ou não criminalizado pelo Estado. Se as pessoas considerarem que o aborto, para além do mal em si pode levar à prisão, pensarão noutras possibilidades que não a morte do ser que se desenvolve no seio materno. Considerando o aborto como opção, as pessoas tendem inclusive a facilitar nas suas relações, pois em caso de azar, há sempre essa alternativa. Mas isso só é possivel, desconsiderando a criatura como se fosse uma pedra num rim. A história está cheia de exemplos de atrocidades cometidas por quem se achando superior e tendo poder, se achava no direito de optar pela vida daqueles a quem não reconheciam como humanos.
Maria II
A opção é tua,nossa, enfim da mulher obviamente…Mas tal como referiste o querer, poderias ter referido o prazer… a opção de querer fazer 1aborto, vai associada ás opções e prioridades que tens na tua vida…
Existe para todas as mulheres 1período de reflexão onde, penso eu, estas avaliam as suas condições económicas, sociais e psicológicas para tomarem uma decisão!
Torno a repetir porque acho que é a ideia principal da minha opinião: Ninguém faz 1aborto por prazer (se esta é opção que alguém tomou, acredito que não tinha outra opção/escolha a fazer).
Eu não concordo. É a minha opinião.
Há muitas opções a escolher, só que o problema está em escolher a opção mais fácil – abortar!
Porque hoje em dia muitas mulheres, não estão para passar o seu tempo em casa a cuidar de um filho, preferem ter o seu tempo livre para outras coisas. E não se estão para chatear.
Hoje em dia dá-se muita importância aos bens materiais, e pouca importância às pessoas.
“pajo a lei não permite opções, a lei defende a vida e isso não é uma questão opcional é isso que tu não percebes pajo.” – Este argumento vale o que vale se considerarmos que no caso de violação (por exemplo), a Mulher pode “desconsiderar a criatura como se fosse uma pedra num rim”.
“Quanto ao aborto clandestino, a única forma de acabar com esse flagelo, é as pessoas consciencializarem-se que matar é errado, seja ou não criminalizado pelo Estado.” – Com isto TODOS aqui concordamos e no entanto os abortos não páram de acontecer. Que fazer? Nada, dizes tú, porque esta lei está a fazer efeito e há-de resolver o drama que algumas mulheres vivem… logo que se deixe de falar no assunto. Se não concordas com isto, ajuda a reformar a lei.
“A história está cheia de exemplos de atrocidades cometidas por quem se achando superior e tendo poder, se achava no direito de optar pela vida daqueles a quem não reconheciam como humanos.” – Este é o melhor argumento para votar SIM, porque não queres decidir pelos outros.
Temos de valorizar as intenções e o mais importante se queremos de facto ajudar é reconhecer o seguinte:
Como o poderemos fazer com uma lei repressora que leva à clandestinidade os casos merecedores de ajuda? Se não vemos o inimigo, como o vamos combater?
“Como o poderemos fazer com uma lei repressora que leva à clandestinidade os casos merecedores de ajuda? ”
Toda a lei é represora para o não cumpridor.
Downloads de sofware pirata e a sua utilização, excesso de velocidade, crimes de colarinho branco, corrupção do futebol, corrupção politica, corrupção policial, touros de morte, eutanasia, facturação falsa, etc etc …, todos são crimes e milhares senão milhões de infractores existem, vamos legalizalos?!?!
Exitem, todos sabem que exitem, porque não legalizalos para sabermos quem são os infractores?
Roubo até 10.000€ não é crime, 11.000 cadeia.
Downloads ate 50 GB por mes não é crime, 51 GB cadeia.
Homicidios até 3 mortes não é crime, homicidio a partir de 3 mortes e uma arranhadela cadeia.
Em que Pai´s de merda queremos viver, ou queremos enganar e ludribriar o proximo?
Oh Pajo, acho que tens que atentar mais naquilo que se escreve…. fazes grandes confusões!!! Desculpa que te diga!
Disse o José Pinto:
“A história está cheia de exemplos de atrocidades cometidas por quem se achando superior e tendo poder, se achava no direito de optar pela vida daqueles a quem não reconheciam como humanos.”
E tu replicaste:
- Este é o melhor argumento para votar SIM, porque não queres decidir pelos outros.
Oh Pajo… .. … E essas mulheres que decidem pela vida do ser que trazem no ventre? É disto que o José fala, Pajo.
Se não tomassemos partido por nada, se não se votassem leis, cada um decidia o que queria conforme a sua consciência… e aí viveria a anarquia, e depois Pajo, e depois?
Gostava de obter algumas respostas suas… respostas… e não contra argumentos
Apenas te digo que não estou a ver como vamos impedir os abortos se eles acontecem na clandestinidade… e o que é que, especificamente, despenalizar o aborto tem a ver com anarquia…?!
Quanto à questão do José Pinto, eu simplesmente não quero acreditar na comparação entre quem vota SIM e opta por abortar com um hitler ou uma estalina, porque quem quer decidir a vida dos outros e da mesma forma para todos são os que vão votar NÃO… porque o SIM, quer gostem ou não, apenas deixa essa decisão para o casal… se houver. Se não houver casal, a decisão cabe à única, e muitas vezes solitaria Mulher, que terá de fazer muito mais que deixar nascer a criança. Terá que dar um valor àquela nova vida. E eu acho que cabe a cada um decidir, para depois podermos responsabilizar.
Confusão é comparar a despenalização com vamos-lá-todos-a-abortar que é o que tem sido feito. Só me magoa porque tambem sou a favor da despenalização.
Pajo consideras que um feto resultado de violação também tem direito à vida? Já é um progresso da tua parte! E porque não há-de ter? É sem dúvida uma vida inocente. Mas uma violação é algo violento e traumatizante para a vítima. Consideras que permitir o aborto num caso violação é comparável a liberalizar o aborto sem qualquer critério?!!! Se esse argumento não é hipócrita, é no mínimo demagogia, aliás é uma das frases gastas da campanha pelo sim, por falta de melhores argumentos.
O que te move é acabar com o aborto clandestino? Para isso entendes que o único meio é liberalizar? Francamente pajo! Diz-me uma coisa o fim da lei seca acabou com os bêbados? Eu vou dizer-te como se acaba com o aborto clandestino:
1º educar os pré-adolescentes com campanhas de informação sobre sexualidade. Chamar as nossas crianças, aos centros de saúde (tal como se faz com a vacinação) para os alertar e ensinar a lidarem com a sua sexualidade, sem tabus, preconceitos ou falsos moralismos. Um programa devidamente pensado e ministrado por pessoas qualificadas e sem a presença dos pais. A gravidez na adolescência é um problema demasiado sério e dramático para continuar a ser ignorado pelo Estado. Além disso acredito que esteja na base da maior parte dos abortos clandestinos. Seria um papel muito mais nobre e útil por parte do SNS, do que patrocinar o aborto como opção. Decerto que iria reduzir drasticamente o número de abortos. Além disso, o referendo não indica quem decide a opção pelo aborto no caso da grávida ser menor, o que é no mínimo curioso!
2º Acredito que considerar o aborto como opção aceitável, resulta directamente da falta de formação que a população em geral tem, sobre o que é a gravidez e a vida. Eu não tive essa formação, tu também não, fomos formando a nossa opinião de acordo com a nossa sensibilidade e pouco mais. Daí resulta toda esta confusão e discussão demagógica e porque não dizer interesseira e conveniente, sobre o valor do feto. É um ser humano, digas o que disseres é um facto e de resto hoje em dia é inclusive visível aos olhos de quem quiser ver, graças à tecnologia existente. Acredito que se os jovens hoje recebessem formação como referi no ponto anterior, esta questão do aborto, tenderia no futuro a desaparecer. Porquê? Simplesmente porque no geral as pessoas consideram a vida um valor inalienável e como tal defenderiam-na desde a gravidez, como acredito que deve ser feito. No fundo hoje em dia todos acreditam nisso, dado que todos consideram o aborto algo errado e negativo. As atrocidades que me referi, não eram propriamente o nazismo, pois isso foi algo muito localizado no tempo e no espaço e resultado de circunstâncias muito históricas específicas. Pensei na escravatura. Os antigos egípcios, gregos, romanos e os povos ocidentais que escravizavam os negros. Repara que estamos a falar de pessoas de bem, comuns, vivendo em democracia, mas que se consideravam no direito inclusive de matar outras pessoas, simplesmente porque não lhes reconheciam dignidade humana. Estou convicto que os nossos descendentes hão-de olhar para o aborto, com a mesma repulsa com que hoje olhamos para a escravatura, porque um feto tem e merece ver reconhecida a sua dignidade e direito a nascer. No futuro não haverá aborto clandestino, simplesmente porque ninguém encarará isso como uma opção. Deve ser esse o caminho para o fim desse flagelo.
3º Desburocratizar e humanizar os processos de adopção. É outro dos assuntos em que os nossos governantes assobiam para o ar. Acredito que muitas mulheres por iniciativa ou sensíveis a um devido aconselhamento, prefeririam oferecer o filho a um casal capaz de lhe proporcionar uma vida, do que optarem pela sua condenação à morte.
4º Penalizar ainda mais o aborto e punir efectivamente a sua prática. Isso não significa condenar a mulher, mas sem dúvida que quem na clandestinidade vive abastadamente à custa do mal dos outros, deve ser perseguido e efectivamente preso. Quanto às mulheres que abortam, devem ser julgadas, tal como os homens e todos quanto sejam cúmplices dessa atrocidade. Caberá aos juízes avaliar a culpa de cada um e respectivas penas. A impunidade contribui para a prática sem pudor do aborto e porque não dizer para muita irresponsabilidade de muitas pessoas (homens e mulheres) que facilitam nas suas relações.
5º Qual a diferença do aborto clandestino para o que pretendem legalizar? Mas que grande hipocrisia! Hoje em dia fazem-se abortos clandestinamente em clínicas especializadas, com todas as condições e medicamente assistidas. Querem enganar quem? É verdade que também há curiosos a fazerem abortos em vãos de escada. A liberalização vai acabar com isso? Claro que não, é tudo uma questão de mercado e de dinheiro. Quem tem mais, procura clínicas especializadas, quem não tem continuará a recorrer aos curiosos.
6º É falso que o sim não deixe a decisão com o casal. Essa é de resto a grande alteração que pretendem com o referendo. Hoje em dia a decisão é efectivamente do casal, se ganhar o sim, deixará de o ser. Afinal as mulheres já engravidam sozinhas?!!! Achas que devem ficar sozinhas com o peso da decisão? E porque não criarem os filhos sozinhos, já que a decisão lhes cabe por inteiro? Mas que grande absurdo pajo!
Em suma, acabar com o aborto clandestino, consegue-se criando a consciência social de que abortar é um crime e um atentado contra a humanidade, porque de facto assim é. Levará o seu tempo, é certo, mas liberalizar o aborto é um enorme passo atrás na humanização da sociedade e nos nossos direitos, liberdades e garantias, ou não tivéssemos sido todos nós um feto.
Vou tentar não repetir os argumentos já aqui apresentados assumindo, desde já, que prefiro ser feliz a ter razão.
O 1º ponto, concordo contigo mas, é a segunda vez que somos chamados a opinar sobre esta lei porque o conservadorismo ganhou e nada mudou. As soluções que apresentas (com as quais eu concordo), não são ineditas e não foram aplicadas numa dimensão representativa. Porque, existe uma lei que salvaguarda a nossa moral e pronto, podemos esquecer o assunto.
Acredito mais na aplicabilidade dessas soluções num ambiente não penalizador… é nisto que eu acredito.
O 2º ponto, “…Daí resulta toda esta confusão e discussão demagógica e porque não dizer interesseira e conveniente, sobre o valor do feto…”- Com isto é que eu não concordo. Penso que sim, é isso que tens feito.
Eu tenho tentado descutir apenas a penalização. Até porque, já te disse, acho que o heroismo não está no nascer, mas sim no viver, como vives é que nos separa, une e define o que somos. Herois ou covardes.
O 3º ponto, concordo plenamente. Só não explica porque vais votar não.
O 4º ponto, não concordo… muito.
Das contradições deste ponto já se teclou aqui muito, é só ler alguns comentários acima.
O 5º ponto, tambem não concordo. Nas clinicas especializadas que te referes, os abortos têm sido a grande e maior fonte de rendimentos. Negocio absolutamente e apenas rentavel é o que se passa agora!… Mas disto tambem já falámos.
O 6º ponto, decididamente, às vezes não percebo o que dizes. Então agora há opção…? Quanto mais capazes de retórica, mais nos enterramos nas contradições, quando responder se torna mais importante do que fazer sentido. Não vou repetir o que disse para tu dares esta resposta…
A tua conclusão é louvavel mas só te serve a ti e aos teus, os dramas do aborto clandestino e das crianças abandonadas vão continuar a existir… se nada mudar.
desisto de ti Pajo… apenas repito que deves estar mais atento à língua, ao que se escreve. vou passando por aqui… com esperança…!
1º “…o heroismo não está no nascer, mas sim no viver…” pois é pajo, mas para viver têm que te deixar nascer. Criar um ser humano, pode sim ser um acto heróico, recusar isso é que é um acto de covardia, ou não concordas?
2º Não podes discutir apenas a penalização, tens que discutir o aborto pois é efectivamente isso que está em referendo. Vamos aceitar a legalização ou não do aborto? É isso que vamos votar no dia 11, não há confusão nenhuma.
3º Apresentar o aborto como única alternativa para uma gravidez indesejada, não é seguramente a única solução, muito menos a melhor. Não te parece que entregar um filho indesejado para adopção é uma medida mais aceitável do que destruí-lo?
4º O que é que não percebeste no ponto 6?!!! Tu afirmas-te que o aborto será uma decisão do casal e eu corrigi-te, porque em caso de vitória do sim, toda a mulher poderá fazê-lo, sem qualquer critério ou constrangimento e sem dar satisfação ao parceiro. Continuo a achar um absurdo, pois a gravidez não é assunto exclusivo da mulher. Acrescentei ainda que hoje em dia, embora ilegal o aborto é na prática uma opção para quem não pretende o filho. É uma das consequências da impunidade que se verifica. E será uma opção do casal, porque acredito que a mulher tenha algum constrangimento em o fazer, se o parceiro não concordar. O que pretendem muitas mulheres é poderem tomar essa decisão sem ter que dar satisfação a ninguém e como já disse anteriormente, recuso-me a abdicar dos meus direitos e responsabilidades paternais.
5º Eu concordo que algo tem que mudar mas a liberalização não é o caminho, nem esse problema se resolve com o sim ou com o não. É demagogia afirmar que o resultado do último referendo é responsável pelo aborto clandestino. Se tivesse ganho a liberalização teria acabado?!!! Possivelmente nunca acabará, mas muita coisa foi feita desde 98 para ajudar mulheres a terem filhos indesejados e creio que nunca se arrependeram dessa opção. Certamente que muito há ainda por fazer. Liberalizar só resolve, se considerares que matar o feto é a solução, mas aí não acabas com o aborto pelo contrário e havendo aborto, continuará a ser praticado também clandestinamente.
6º O aborto é ou não um mal? Eu ouço os partidários do sim afirmarem-no repetidamente e muitos afirmam inclusive que não concordam com o aborto. Presumo que neste ponto estamos de acordo, o que deveria acabar então seria o aborto e consequentemente acabaria o clandestino e a penalização, certo? Acabar com o mal é acabar com a opção do aborto e não inclui-lo no SNS. Porque consideram o aborto errado? Porque motivo devemos aceitar como válido algo que é errado? Quando se faz algo que se considera errado e causador de sofrimento, é porque se considera que a outra opção seria ainda mais errada. Ou seja, a mulher (o homem é automaticamente excluído em caso de vitória do sim) tem apenas 2 hipóteses, ou leva a gravidez até ao fim, ou interrompe-a matando o pequeno ser que ela própria gerou e que dela depende.
Conclusão: abortar é um mal menor que permitir que nasça o filho! Eu não consigo perceber isso, peço desculpa. Não consigo compreender que ter um filho seja um mal tão terrível que tenhamos que o matar e aceitar isso como válido. Acabar com a gravidez é algo que não permite qualquer outra opção, coloca um ponto final no assunto, pelo contrário ter o filho deixa em aberto diversas opções e todas elas seguramente mais válida que a morte . Não consigo compreender que o Estado continue a entender aceitável essa prática, muito menos que a patrocine, seja sob que pretexto for. Considero que o aborto livre é um retrocesso civilizacional tremendo. Quanto ao aborto clandestino e a eventual penalização da sua prática, são questões preocupantes e graves, de um mal muito maior que é o fim da protecção do direito à vida. Será que é assim tão difícil perceber estes princípios?
Eu entendo a angústia de quem se vê na situação de uma gravidez indesejada. Os motivos podem ser os mais variados e para mim são todos válidos, mesmo os considerados supérfluos, materialistas ou o que quiserem, mas permitir o aborto sem critério, sem constrangimentos, sem responsabilização, acho inaceitável.
Neste caso, não acho que a repressão traga algo de positivo. Concordamos que discordamos.
Ana mar, podias ser mais específica…?
Repressão de quem pajo? Há muito que deixou de haver julgamentos e continuam-se a fazer abortos. Os portugueses não vão decidir a repressão de ninguém, mas antes decidir se o aborto deve ser aceite como um acto médico e embora não esteja no referendo, será comparticipado pelo Estado mesmo que feito em establecimento privado, no caso de o SNS não o poder garantir (que é o mais certo).
Será inclusive o único acto médico opcional, assegurado pelo Estado, o que não deixa de ser incrivel, atendendo às inúmeras e graves carências do SNS e tendo em conta que inclusive tratamentos médicos importantes para a saude de muitos portugueses, são negados por falta de verbas.
E não esqueças que a lei a aprovar em caso de vitória do sim é essencialmente a legalização do aborto e consequentemente esse negócio abominavel.
José Pinto,
Em caso de vitória do sim é essencialmente a legalização do aborto e consequentemente esse negócio abominavel, com o dizes?
E a vitória do não, o que nos traz de novo? Em que é que vai mudar o actual estado das coisas?
É, segundo a tua opinião, preferível manter tudo como está do que fazer algo de diferente?
Agradeço uma resposta sincera, tal como têm sido sinceros os teus comentários.
1º – Joel Pinto, em primeiro lugar o aborto é um mal, creio que estamos de acordo quanto a isso. O que tem que mudar essencialmente é a mentalidade das pessoas. O aborto não deveria ser visto como um mal menor, em contraponto com o nascimento de um filho imprevisto e indesejado. A maior parte das pessoas que considera o aborto como uma saída, apenas o faz porque se permite desvalorizar o feto, pois de outro modo nunca o faria. Se virmos o feto como o ser humano que de facto é, o aborto tenderia a diminuir drasticamente. Não creio que a liberalização do aborto contribua para a mudança de mentalidade e para um aumento do sentido de responsabilidade das pessoas face ao sexo, antes pelo contrário. A mudança que pretendem, considero absurda e desumana, por motivos que já expus neste blog, pelo acho preferível ficar tudo como está, pois para pior já basta assim.
2º Votar NÃO, não significa que continue tudo na mesma. Com o referendo de 98, surgiram diversas organizações de defesa pela vida, que procuraram ajudar pessoas necessitadas. Este referendo tem tido o mesmo mérito, unir as pessoas e fazê-las pensar que é preciso fazer algo. O líder do PSD já afirmou que depois do referendo e no caso de ganhar o não, vai propor a mudança da lei que prevê a penalização das mulheres que abortam, sem despenalizar o aborto.
Em conclusão votar sim eventualmente acabará com a discussão, mas isso não significa que fiquemos com uma sociedade melhor, nem acabará com o aborto clandestino, nem ajudará as mulheres que necessitem de ajuda se a sua opção for ter o filho. Votar não, poderá deixar tudo como está ou não, tudo depende da vontade política e claro de como a sociedade resolver encarar estas questões.
José Pinto, ao escreveres:”A maior parte das pessoas que considera o aborto como uma saída, apenas o faz porque se permite desvalorizar o feto, pois de outro modo nunca o faria” – Estás tu a desvalorizar todas as razões que levaram ao aborto, como iguais. As tuas circunstancias permintem-te faze-lo, mas se um dia, fosses uma Mulher desesperada e sozinha, a dicidir algo que pode ser proibido, a quem vais pedir ajuda? Acreditas mesmo que resulta qualquer tipo de ajuda sem compreensão? A lei só compreende matar em três situações… não te parece que o pricipio que defendemos tem falhas?
“… tudo depende da vontade política…” – Sempre foi assim. Não esperes milagres.
não pajo, não estou a desvalorizar as razões que levam ao aborto, tou a afirmar que se as pessoas considerarem que ao abortar estão a matar uma vida humana, jamais o farão quaisquer que sejam as suas razões para desejar não ter engravidado. Acredito nisto, como acredito que a maior parte das pessoas condenam todas as mulheres que matam os filhos recem-nascidos por não o terem desejado. Nestes casos, ninguém quer saber das razões para um acto desta natureza e os motivos são geralmente os mesmo ou quiça até mais gravosos do que os motivos para abortar. Para mim abortar ou matar um recem-nascido é igual, pois um feto tem o mesmo valor. As pessoas valorizam e desejam que o Estado proteja a vida, os mais fracos e indefesos. Por isso fiz a afirmação que fiz, mas tu, como sempre até aqui, não consegues perceber nada do que eu digo. Espero que outros o consigam pois contigo por vezes parece que falo chinês.
Quanto aos políticos, realmente estão sempre a desiludir-me, tal como com esta questão do referendo para aprovar uma lei idiota e desumanizante e que tinha sido chumbada apenas há 8 anos. Mas que se há-de fazer é o que temos, são eles que ditam as leis e pelos vistos és tu que pelo menos nesta questão, depositas grande entusiasmo nos políticos.
Meu amigo José Pinto, em resumo tu dizes que “…Para mim abortar ou matar um recem-nascido é igual, pois um feto tem o mesmo valor.” – eu digo que é preferivel o aborto ao abandono na lixeira; tu vais votar NÃO e eu vou votar SIM. Ambos percebemos que, quanto a isto, não há nada a fazer.
O segundo parágrafo, tu conheces-me e, se estás de facto a falar de mim, percebes porque, às vezes, não te entendo…
e não consegues encontrar alternativas ao caixote do lixo das clínicas ou às lixeiras! Tu és muito mais imaginativo que isso pajo.
Este referendo só benificia verdadeiramente as mulheres que realmente necessitam de sigilo. Por exemplo as mulheres que engravidam em resultado de relações extra-conjugais, ou que por motivos de pessoais, não querem ficar condicionadas e com a lei que pretendem aprovar, o parceiro nem chega a saber. Nada tenho contra isso, simplesmente entendo que a mulher não é proprietária do feto e como tal não deve ter esse direito, tal como não tem a responsabilidade de sozinha criar o filho se optar por o ter. A gravidez é um assunto muito sério e a sua destruição não deve ser banalizada como pretendem, é a minha opinião.
Tu vês as coisas de modo diferente, tenho pena mas não posso acrescentar muito mais.
Só espero que um dia não sintas a felicidade de engravidar uma namorada, seguido do desgosto de ela entender que não está na altura de ser mãe e resolva abortar contra a tua vontade, ignorando os teus argumentos, desejos e sentimentos.
CONCORDO COM TUDO O QUE DIZES JOSÉ PINTO.
É MAIS DINHEIRO QUE VAI ENTRAR NOS BOLSOS DAQUELES XULOS, QUE VIVEM Á CUSTA DO TRABALHO DOS OUTROS.
GANHAR DINHEIRO À CUSTA DE ABORTOS? O QUE É ISSO? ONDE É QUE ESTÁ A DIGNIDADE E RESPEITO PELA VIDA?
É UMA VERGONHA!!!
Exite um filme chamado “Rob Roy”, que além de ser um grande classico, tem uma frase que me marca para a minha vida.
Robert Roy MacGregor (Liam Neeson) anda fugido, o Lord Inglês enviou tropas a sua casa para o capturar. Archibald Cunningham (Tim Roth) nessa ocasião viola Mary MacGregor (Jessica Lange). Posteriormente Mary conta ao Roy e diz-lhe que não teve coragem de matar o feto, ao k Roy responde algo “que culpa tem o bebe? além de ser filho de quem é.”
Gostei muito dos vossos comentarios, só não concordo com a imposição aos demais de decisões que deveriam ser de cada um… eu é que sei da minha vida e não gosto que outros decidam o que é melhor pra mim.
Por respeito pela vida dos outros e por esperar mais da sociadade, vou votar SIM.
Fazer abortos era coisa que nunca teria como trabalho, mas, não acho que seja crime tal como penso o mesmo de quem ajuda outro a cometer a eutanasia. Já o escrevi e volto a fazê-lo – Viver é muito, mas muito mais, do que estar vivo. – Esta é a minha convicção.
Quem pensar que esta lei, a ser aprovada, vai acabar com os abortos clandestinos, ou é cego ou não mora neste país…
O aborto clandestino vai continuar; com a diferença de que vai reduzir e o nº de mulheres a morrer em consequência disso vai ser menor.
Se uma mulher quiser abortar num hospital público essa sua “passagem” pelo sitio em questão vai ficar lá registada na sua ficha de paciente e muitas delas vão continuar a abortar de forma clandestina.
O problema como já aqui foi dito, e não quero com isto desvalorizar o trabalho que as várias associações têm vindo a desempenhar no terreno, tem a ver com a mentalidade dos portugueses.
A mulher enghravida; não tem dinheiro mas há uma organização que até lhe paga as fraldas e o leite duranten 1 ano. E depois? Ao fim desse tempo, o que vai ser dessa criançinha? Vai ser mais feliz por isso? Vai ser mais amada pelos pais por isso? De certeza que vai ter mais um maninho a caminho e o ciclo repete-se. É um vício. O português está habituado ao comodismo e a esperar que o estado resolva os seus problemas.
Aja maturidade, bom senso e acima de tudo, deixem que cada um resolva os seus problemas à sua maneira. Estou, muito sinceramente, farto que sejam outros a resolver os meus problemas. Porque eu tenho que os resolver. E até sei que sou capaz de os resolver. Mas se há outros que se disponibilizam para os resolver por mim (segundo as suas ideologias, apesar de contrárias às minhas) e eu não me chatear a mínima, para quê preocupar-me???
Ao fim e ao cabo, é isto que está em causa. E, ao votar Não, não acredito que as coisas melhores. E o facto de a mulger ser penalizada ainda mais vai agravar o aborto clandestino. Esta é que é a verdade.
Ao votar Sim, ninguém espera que uma mulher entre por um hospital adentro, abanar oa cabelos e rebolar a anca e dizer muito contente que quer abortar e, 5 minutos depois, o trabalho está feito.
Não é isso que está em causa: pretende-se um aborto consciente, pensado e depois da mulher estar muito bem aconselhada, quer psicologica, quer clinicamente. E depois disso, se ela quiser continuar com os seus planos avante, ninguém deve estar por trás para lhe atirar com qualquer pedra ou qualquer acusação.
Quem somos nós para criticar o que quer que seja ou para apontar o dedo a alguém?
pajo tenho que insistir nestes pontos:
1º Eu não aceito que uma mulher engravidada por mim, decida o que fazer com o meu filho e se eu vou ser ou não pai. Até porque este ponto implica que caso ela resolva ter o filho, eu serei obrigado pela lei portuguesa a sustentá-lo e educá-lo. Ou seja a minha vida ficará suspensa da decisão arbitrária da minha parceira pelo menos durante 10 semanas e futuramente serão 16 semanas. Já agora pajo porque não promover um referendo, para despenalizar os homens que se recusem a contribuir para o sustento do filho que não desejaram. Se pretendes que o Estado não obrigue as mulheres a levarem a gravidez até ao fim em nome da sua liberdade individual, porque motivo hei-de ser obrigado pelo Estado a contribuir para o sustento e educação de um filho durante 18 anos, se não o pretendi nem o desejei? Porque motivo há-de uma mulher, e uma lei decidirem o que é melhor para mim?
Porque não gosto que outros decidam o que é melhor para mim vou votar NÃO!
2º Por respeito pela vida de um ser humano que embora não tenha nascido não deixa de o ser. Por respeito pelo progenitor, que deve ter um papel activo e decisivo na protecção do seu próprio filho. Por respeito pela mulher grávida que não deve ficar com responsabilidade e o peso exclusivo da decisão, nem sujeita ao abandono, que a ser aprovada esta lei, será de certo modo legítimo. Por respeito pela vida dos outros (homem, mulher e filho) e por esperar mais da sociedade, vou votar NÃO!
3º Viver é estar vivo e isso depende do nascimento. A qualidade de vida não depende do nascimento e cabe à sociedade proteger a vida e a qualidade da vida humana. A qualidade da vida humana na infância, cabe por direito aos progenitores e cabe ao Estado o papel regulador dessa mesma qualidade. Se não se verificar, os filhos são retirados aos progenitores e ficam à guarda do Estado. Nenhum homem ou mulher é dono dos filhos e por enquanto isso é extensivo à vida uterina, eu espero que assim continue e por isso vou votar NÃO.
pajo espero que consigas responder a estas minhas convicções de modo directo e objectivo.
José Pinto, não respondeste à grande questão deste referendo (para mim), feita pelo Joel Pinto :-”Quem somos nós para criticar o que quer que seja ou para apontar o dedo a alguém?”- e no entanto questionas apenas a mim, como se fosse a única pessoa a votar SIM e, usando do dom da retorica já reconhecida por mim, pegas nas minhas palavras motivadoras do SIM, como conclusão de um pensamento que não lhes diz respeito, julgando que lhes conferes um novo sentido… as palavras são cúmplices de quem as diz, para o bem e para o mal.
Tirando o 1º Ponto, com o qual concordo, mas, este não é esse referendo. Tirando esse ponto, para mim, não fizeste mais do que bons exercícios de retórica. Prova da tua inteligência, que já conhecia.
Responder às tuas convicções não é o meu objectivo, até porque as admiro, vejo-me junto a ti na maioria, mas às tuas razões, julgo que tenho respondido directa e objectivamente.
Pajo, eu peguei nas tuas palavras com as quais legitimei o meu voto, mas com argumentos que considero válidos, legítimos e no mínimo pertinentes. E fi-lo com as tuas palavras, para te mostrar a outra face da moeda e também para te fazer pensar nas questões sobre outra perspectiva, que não apenas a que tu pretendes limitar.
Quanto à grande questão do referendo e que quanto a mim submete todas as restantes questões, estamos mais uma vez em desacordo. Considero que é:
1ª “Deve ter a mulher o direito a destruir uma vida humana em desenvolvimento no seu útero?”
As outras questões relevantes são:
2ª “Queremos que seja permitido a liberalização do aborto em Portugal até às 10 semanas em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados?”
3ª (esta não consta na pergunta, mas consta da proposta de lei e será uma realidade em caso de vitória do sim) “Deve o SNS assegurar a realização de abortos até às 10 semanas, a pedido da mulher, ou no caso de não ser possível deverá o Estado autorizar e suportar as despesas em estabelecimento de saúde privado legalmente autorizado?
São estas as questões a que vamos responder no referendo, sendo que não é possível dissocia-las. Ou seja, não podemos concordar com a despenalização e discordar do aborto assegurado pelo Estado, ou concordar com a despenalização, mas pretender que o homem tenha um papel activo na decisão, ou pretender que haja um papel regulador do Estado na decisão, para evitar por exemplo a banalização, pressões alheias (os pais, o parceiro, a entidade patronal), etc. Em suma se vencer o SIM, o aborto será completamente livre, apenas com a condicionante das 10 semanas (pormenor facilmente superável nas clínicas privadas) e caberá apenas à mulher a decisão, com todos os riscos que isso acarreta (conveniente no caso das mulheres financeiramente independentes e muito perigoso no caso das mulheres dependentes financeiramente de terceiros). Se afirmas que concordas com o 1º ponto do meu anterior post, ao optares pelo sim, estás a abdicar dos teus princípios, acredito que por considerares outros valores como mais importantes, mas é bom que tenhas isso em conta.
Mas há outras questões legítimas face ao referendo e suas consequências:
1ª “Qual o valor da vida humana e qual o papel do Estado na sua protecção? Poderemos dispor impunemente de uma vida quando a considerarmos inconveniente?
2ª “Deve o homem ser excluído da decisão sobre a vida do filho do qual é progenitor?”
3ª “Se o homem não tem o direito a decidir sobre o nascimento do filho, deve ser obrigado a comparticipar para o sustento e educação de um filho que não desejou e que considerou que deveria ter sido abortado?
Poderia colocar-te mais uma data de questões, mas repara que não coloquei uma das questões mais debatidas na campanha: “é o feto uma vida humana?” A esta eu não aceito discussão, podem dizer o que quiserem, porque o feto é efectivamente uma vida humana e que merece ser tratada com dignidade e protegida. Apenas a hipocrisia ou falta de coragem para assumir a morte de um ser humano, permite a sua discussão.
Quanto à questão que directamente me colocaste, respondo-te com uma frase batida mas válida: “a nossa liberdade termina onde começa a do outro” Num aborto há 3 pessoas envolvidas: a mãe, o pai e o filho. Como sabes o filho não se pode pronunciar e o pai este referendo exclui-o pura e simplesmente.
Quanto a criticar os outros, isso que disseste é que é retórica. Todos nós temos opiniões diversas, mas cabe ao Estado legislar para que haja uma moral social excluindo comportamentos considerados anti-sociais. Poderemos discordar das leis, mas mal seria se não existissem leis. No caso particular do aborto, presentemente é considerado anti-social e punido por lei. Eu acho que deve continuar a ser punido e tu tens uma opinião oposta. É sobre isso que vamos votar no dia 11.
José Pinto, também não nos podemos esquecer da mulher ou homem que faz o aborto, por isso são 4 pessoas envolvidas.
Maria II, realmente estava a esquecer-me dessa 4 pessoa. 4ª pessoa é uma forma de dizer, pois num aborto assistido haverá toda a estrutura médica e logística de uma clínica, o que envolverá diversas pessoas. Este referendo também é destinado a essas pessoas, que cobram e bem pelo aborto e que muito lhes conviria poderem sair da clandestinidade e claro deixarem de correr o risco de serem presos. Chato seria se acabasse o aborto, pois lá iria o ganha-pão dessa gente.
Como me pude esquecer da 4ª pessoa, afinal a despenalização também lhes é destinada.
- “Por conseguinte, se bem entendo, neste momento os adeptos do Não defendem a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde NÃO legalmente autorizado.
Só uma palavrinha nos separa, e ela é precisamente a palavra “não”.
(recolher)”
Publicado por João Pinto e Castro
Porque começamos a repetir-nos. Porque só podemos responsabilizar se tivermos a liberdade de optar. Vou votar SIM.
pajo se bem entendo, tu não queres é entender.
Como podes tu concluir que o voto NÃO seja para defender a despenalização da mulher por praticar o aborto em estabelecimento de saúde NÃO legalmente autorizado?!!!
A lei penaliza o aborto, não especificamente a mulher. Antes de penalizar a mulher penaliza precisamente o executante. A mulher será eventualmente penalizada juntamente com quem seja cúmplice e na mesma medida. A actual lei penaliza o aborto clandestino, precisamente porque todo o aborto é presentemente clandestino, mesmo o praticado em clínicas médicas. Surge agora quem defenda que a lei continue a penalizar o aborto, mas não a mulher que aborta em nome desses princípios de solidariedade e compreensão para com a mulher. Eu pessoalmente e fundamentalmente não quero o aborto livre, muito menos subsidiado pelo Estado. Não deves continuar a tirar conclusões abusivas, sobre o que eu pretendo, porque eu vou votar em nome de princípios e convicções que tenho exaustivamente exposto e que tu poderias respeitar, mesmo que não concordes.
Tenta compreender sem desvirtuar as minhas palavras que o que defendo é:
1º O direito à vida, que entendo ser mais importante que esse direito que reclamas exclusivo da mulher em decidir o seu futuro, à custa da vida e do futuro do feto que gerou. A procriação é uma dádiva e um bem precioso, não é um castigo. Coube à mulher o papel principal, cabe-lhe dignificar esse papel e esperar do homem que seja capaz de corresponder. Ao Estado cabe zelar para que a dignidade da vida seja respeitada e não o contrário.
2º O direito do homem em compartilhar com a mulher o futuro do filho que geraram. Se derem à mulher o direito de abortar por opção, então em nome da igualdade que as mulheres proclamam (quase sempre justificadamente), poderia legitimamente o homem exigir à mulher o aborto no caso de não querer ser pai. Afinal de contas porque há-de o homem ser obrigado por lei a assumir a paternidade, se pretendem retirar à mulher essa obrigação.
3º Não quero o aborto subsidiado pelo Estado. O aborto não é um acto médico nem uma questão de saúde. Se o SNS não cumpre com as suas obrigações em questões de saúde pública fundamentais para o bem-estar da população, alegadamente por falta de recursos e de verbas, porque motivo, em nome de que princípios e à custa de todos quantos necessitem do SNS, havemos subsidiar o aborto apenas para atender a interesses particulares. O Estado não subsidia nenhum outro tratamento médico a pedido, por exemplo a vasectomia ou a laqueação das trompas (também contribuiria para o fim do aborto clandestino). Se uma mulher quarentona, com 6 ou 7 filhos e de poucos recursos pretender a laqueação o SNS recusa, mas se aparecer lá passado uns meses para abortar não há problema. E pode abortar as vezes que queira e entenda que o Estado paga!
São estes fundamentalmente e pela ordem que apresentei, o que entendo como as principais razões, que determinam o meu sentido de voto. E até hoje nada do que tenho lido ou ouvido me fizeram duvidar nas minhas convicções, antes pelo contrário.
Pajo,
Admiro a sua persistência, tolerância democrática, a sua sensatez e clarividência.
Nós vamos votar pela despenalização da mulher, não vamos liberalizar o aborto até às 10 semanas.
A liberalização não tem regras. A despenalização do aborto tem regras. E estão na pergunta. Despenalizar a mulher SE (este se faz toda a diferença)
a) realizada num estabelecimento de saúde devidamente autorizado
b) por opção da mulher.
Se não houvesse estes dois pressupostos aí sim estaríamos perante uma liberalização. Assim o aborto até às 10 semanas tem regras:
E a pergunta coloca estes duas condições para,
1 – trazer as mulheres que querem abortar (e há mulheres que irão sempre abortar) para DENTRO do sistema de saúde, para o acompanhamento e o aconselhamento por especialistas de saúde e não deixá-las entregue à sua “sorte”, ao sofrimento, por uma gravidez indesejada (e haverá sempre gravidezes indesejadas, por muito informadas que as pessoas estejam, ninguém está livre de uma falha do contraceptivo) e sendo considerado um crime e impeditivo de ser realizado no sistema legal, a mulher não tem outra opção, senão realizar o aborto clandestino, e ainda aqui desigual e injusto; quem tem dinheiro vai ao estrangeiro ou a uma clínica ilegal, mas com condições e quem não tem, entrega-se às mãos de uma parteira ou de “curiosos” que podem ter consequências e sequelas para as mulheres gravíssimas, inclusive, a morte ou a infertilidade, com já aconteceu)
2 – por opção da mulher porque não pode ser de outra forma. Não pode ser imposta à mulher grávida a continuação de uma gravidez que a mulher transporta no SEU corpo. Poderá ser injusto que seja a mulher em última análise a decidir, mas foi esse o dom da maternidade que a natureza lhe ofereceu. Essa opção, pretende garantir que uma cessação da gravidez, não seja imposta ou forçada por outros, pretende pois proteger a saúde mental da mulher e até um aborto não desejado e não como os defensores do Não afirmam e a mulher fazer a partir daquele momento fazer um aborto, por desporto, ou como quem toma um café.
Posto isto falta abordar a questão da “defesa” da vida, um dos principais senão o principal argumento dos defensores do não. Ora bem será que nos valores morais e éticos da vida dos defensores do Não, não caberá “defender” a vida em todas as circunstâncias? Porque não se opuseram às excepções na lei que permite o “extermínio” o “assassinato” o “abandono” de outras vidas, como no caso de má formação do feto ou no caso de violação? Para serem consequentes e se fossem sérios (que não são) nos seus argumentos, não só deveriam “defender” todas as vidas, sem discriminações, como deveriam pedir a pena máxima de prisão para as mulheres por homicídio. Não pedem nem desejam que as mulheres sejam obrigadas a “carregar” uma violação ou um feto mal formado, porque sabem que é inumano, embora mesmo assim alguns figurações achem, como o João César das Neves, que a mulher violada deve levar até ao fim a gravidez, para depois entregar para opção.
Para terminar que vou longe e muitas coisas ficam por dizer.
A cessação da gravidez (para não falar em IVG que parece incomodar), como dizia, creio que Bill Clinton, deve ser LEGAL, RARA e SEGURA e realizada o mais rápido possível. Por outro lado e citando outros também.
“A VIDA dum SER HUMANO resulta de um projecto responsável, abraçado por homem e mulher que se amam e respeitam. Um SER HUMANO tem direito a ser desejado, a nascer com dignidade e a ter pais que se preocupam com o seu futuro.
Só um voto Sim permite defender melhor o direito à vida humana, em qualquer estádio, defender s mulheres, a justiça e a dignidade humana, acabar com a clandestinidade e diminuir o número de abortos. Votem Sim!
Parabéns Pajo, também, por ter criado um espaço para discussão deste tema
Sandra e Carminho, por Rita Ferro Rodrigues em:
http://www.sorriso-do-bisturi.blogspot.com
Muito obrigado Fernando, pela sua reflexão e pelas palavras de apoio… não tem sido facil debater com o absoluto.
Obrigado Joel Pinto, também recomendo uma vizita ao link que deixas-te. São retratos dos dramas produzidos por uma lei que, no entanto, continua a ser o orgulho de muitos que a pretendem manter.
Fernando permita-me umas quantas correcções:
Você afirma: “Despenalizar a mulher SE”
A pergunta do referendo é: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez se…”
IGV é aborto, logo pergunta-se objectivamente se concordamos com a despenalização do aborto e não especificamente a despenalização da mulher, até porque a lei actual não faz da mulher o bode expiatório do aborto, como querem fazer crer. O que é crime é o aborto em si.
Seria mais honesto assumir e defender a legalização do aborto, pois é precisamente isso que vamos votar (embora com alguns condicionantes para que não seja uma liberalização total), em vez de afirmar “Nós vamos votar pela despenalização da mulher, não vamos liberalizar o aborto até às 10 semanas.”
Estou de acordo quando afirma: “(este se faz toda a diferença)” porque de facto faz.
“… se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”
Ou seja o referendo questiona se concordamos com a despenalização da IGV, colocando apenas 3 condições.
O “SE” é precisamente as condicionantes à liberalização total ao impor como condição:
a) Se realizada por opção da mulher.
b) Se realizada nas primeiras dez semanas
c) Se realizada em estabelecimento de saúde legalmente autorizado
Já agora questiono novamente quem é que vai decidir a opção do aborto, no caso da grávida ser menor? Afinal a menor não pode votar, não pode entrar num cinema para adultos, em discotecas, está condicionada pelos poderes paternais até para casar, poderá decidir abortar, ou alguém decidirá por ela? E se ela não quiser o aborto, pode ser obrigada pelos pais a abortar?
Mas que importa isso, o importante é legalizar as clínicas e liberalizar o aborto.
“E a pergunta coloca estes duas condições para,
1 – trazer as mulheres que querem abortar (e há mulheres que irão sempre abortar) para DENTRO do sistema de saúde, para o acompanhamento e o aconselhamento por especialistas de saúde…”
Isto é completamente falso:
O referendo não leva necessariamente as mulheres para o sistema de saúde, apenas lhes dá essa possibilidade, tal como o aconselhamento que só o terá se assim o entender. Com a lei actual, mesmo os casos previstos só são aceites depois de aconselhamento e ponderação. Com a lei que pretendem aprovar, a mulher tem um prazo de 10 semanas em que simplesmente pode dar-se ao luxo de exigir o aborto sem mais conversas. O Estado tem que assegurar ou pagar. E pode fazê-lo tantas vezes quanto quiser. Mas como nestas coisas normalmente quer-se sigilo, faz-se nas clínicas de aborto onde o que conta é o negócio e a mulher será certamente tratada com todas as mordomias e que se lixe o aconselhamento, no final leva um cartãozinho para não se esquecer se voltar a precisar. Com jeitinho e bem feito, apresenta-se a factura à segurança social e nós pagamos.
“2 – por opção da mulher porque não pode ser de outra forma. Não pode ser imposta à mulher grávida a continuação de uma gravidez que a mulher transporta no SEU corpo…”
Claro que pode, porque não? A mulher já pode engravidar sozinha? E a gravidez como lhe chama, não é uma coisa abjecta, mas antes o filho dela e do parceiro a quem ela se entregou, quer o queira quer não. Efectivamente ela transporta um ser humano, por muito que o queiram desprezar.
“a mulher não tem outra opção, senão realizar o aborto clandestino…”
Errado, há efectivamente inúmeras outras opções que pode e deveria considerar.
“Essa opção…pretende pois proteger a saúde mental da mulher e até um aborto não desejado…”
Esta é muito discutível. Informe-se melhor sobre como fica a saúde mental da maior parte das mulheres depois dum aborto.
“…os defensores do Não afirmam e a mulher fazer a partir daquele momento fazer um aborto, por desporto, ou como quem toma um café.”
Dá-lhe jeito dizer isso? Essa afirmação é completamente absurda.
Naturalmente que um aborto não é feito de ânimo leve, mas o que pretendemos é que seja considerado como algo de errado que é, pois trata-se de defender o direito à vida.
Não deve ser banalizado e com a lei que pretendem aprovar, será totalmente liberalizado até às 10 semanas e na prática essa condição será apenas uma realidade no SNS. O aborto será totalmente livre, com todos os riscos inerentes. Imagine-se um homem que pretenda ter um filho. Azar a ecografia aos 5 meses revela uma menina. Que chatice, vai-se à clínica e resolve-se o problema pode ser que na próxima tenha mais sorte.
Quanto às questões das injustiças sociais, é outro falso problema e sobre isso já falei anteriormente.
Concordo que haverá sempre gravidezes indesejadas e abortos, mas isso não se resolve nem se ameniza com a liberalização, antes pelo contrário. Há que combater esse drama de modo positivo e há formas de o fazer. Eu já sugeri neste blog algumas, é preciso é vontade e empenho político.
“…a questão da “defesa” da vida…”
Efectivamente este é o principal argumento que nos move e empenha neste referendo, estamos de acordo. Só não vi nenhum argumento seu a contrapor isso! Diga, se para si um ser humano em gestação é algo desprezível ou menos valioso que trocar de carro, de casa, gozar férias ou mesmo acabar um curso superior. É que estes são motivos frequentemente considerados para se optar por um aborto, mesmo correndo os riscos que se conhecem e gastando o dinheiro que se gasta. Afinal um filho é uma chatice e sempre é mais caro que uma viagem a Espanha e uma gravidez levada até ao fim é sempre mais dolorosa e arriscada que o aborto feito nas primeiras semanas.
Quanto à sua dissertação sobre os casos de violação é completamente absurda e usam-na apenas para fugir à questão do direito à vida. Mas não deixa de ser curioso esse argumento. Vocês defendem o aborto livre e sem critério para além das razões pessoais e tentam comparar isso com o aborto em caso de violação e mesmo esse é ponderado e sujeito a várias consultas médicas antes de ser dada autorização. É que efectivamente mesmo resultante de violação, é uma vida inocente que se mata. Considerar excepções à lei (para muitos aceitáveis, para outros não) não legitima a sua total abolição.
“como dizia, creio que Bill Clinton, deve ser LEGAL, RARA e SEGURA”
Informe-se dos números de abortos no país do Clinton onde o aborto é livre há muitas décadas e depois diga se lá são raros.
Consulte este site: http://www.aboutabortions.com/Confess.html
Além disso se para si abortar é uma mera opção da mulher, porque motivo se preocupa com acabar o aborto?!!!
“A VIDA dum SER HUMANO resulta de um projecto responsável, abraçado por homem e mulher que se amam e respeitam. Um SER HUMANO tem direito a ser desejado, a nascer com dignidade e a ter pais que se preocupam com o seu futuro.”
Bonitas estas palavras, sem dúvida! É claro que descontando o facto de que se for abortado, perde o direito a nascer com dignidade. Nem tudo é mau, pelo menos é morto na dignidade de uma clínica médica. Resta saber se os seus restos mortais vão ser dignamente incinerados ou se vão ser dignamente reciclados para alguma indústria.
Mas se assim fosse, o Estado teria que tomar medidas muito mais drásticas que a liberalização do aborto. Teria que mandar matar os milhares de pessoas que não resultaram de um projecto responsável, não foram desejadas e cujos pais não se preocupam com o seu presente ou futuro. Em alternativa poderia despenalizar todos quantos resolvam matar os filhos não desejados ou incómodos. Seria uma verdadeira razia, mas como sabe o Estado protege a vida de todos os portugueses, quer respirem ar livre, quer respirem no útero através do sangue da mãe, tenham ou não sido desejados. A defesa da vida humana está consagrada na constituição da república, por isso o aborto é proibido e é por isso que existe a penalização. Não é para prender mulheres, antes para as demover de matar o próprio filho ou protegê-las de pressões de terceiros para o fazer (e isto é algo importante e que deixará mulheres dependentes financeiramente de terceiros ainda mais desprotegidas em caso de vitória do sim).
“Só um voto Sim permite defender melhor o direito à vida humana, em qualquer estádio, defender s mulheres, a justiça e a dignidade humana, acabar com a clandestinidade e diminuir o número de abortos.”
Que grande treta este paragrafo. Explique-me só de que modo o aborto defende o direito à vida humana, no caso particular do ser humano abortado no estádio inicial da sua vida?!!! Explique-me também de que modo a liberalização contribui para diminuir o número de abortos?!!!
Pajo o absoluto é o quê? Será por exemplo a minha convicção de que a vida é um bem que deve ser protegido em qualquer circunstância? Ou a minha convicção de que devo ter o direito e a responsabilidade de decidir o futuro dum filho meu? Ou ainda a convicção de que o SNS de saúde deve-se preocupar e financiar os tratamentos médicos em detrimento dos tratamentos opcionais (sejam eles quais forem) e não o contrário?
“São retratos dos dramas produzidos por uma lei”
Pajo a lei não envia ninguém para Espanha para abortar, antes pelo contrário tenta dissuadir as pessoas a fazerem-no. Essencialmente a lei o que diz é que abortar é algo intolerável e em Portugal não queremos essa prática. E limita-se apenas a isso, pois como é do conhecimento publico, o Estado apesar da lei é tolerável e não a aplica, daí a total impunidade que se verifica (a meu ver erradamente).
“continua a ser o orgulho de muitos que a pretendem manter.”
Só posso falar por mim e no que me diz respeito não me orgulho com o mal de ninguém, de resto como tu sabes, pois conheces-me bastante bem.
José Pinto,
A sua defesa do Não está a toldar-lhe o raciocínio. Vejamos:
O José Pinto, faz um jogo de palavras com despenalizar o aborto ou despenalizar as mulheres. Vai dar tudo ao mesmo: Quem pratica o aborto é a mulher; logo despenalizar o aborto é despenalizar a mulher. Logo é descriminalizar. Não há crime sem pena. Não faria sentido (des)penalizar o aborto e não (des)penalizar quem o pratica. Com a despenalização fica tudo clarinho. Acaba-se a clandestinidade. Quem quiser ou fazer recorrer ao aborto, fora deste quadro, fá-lo em atropelo à lei. Não há necessidade de fazer um aborto na ilegalidade, num quadro em que as mulheres gozam de condições para o realizar legal, seguro e acompanhado, até às 10 semanas.
É mesmo isso, pretende-se legalizar o aborto com regras (não liberalizar) até às 10 semanas, nas condições “impostas” pelo SE, da pergunta “concorda com a IGV SE …” e para quê? “…para despenalizar a mulher”, para acabar com o aborto clandestino, para trazer para o sistema de saúde as mulheres que optem por cessar a gravidez, para lhes dar apoio, aconselhamento, segurança e diminuir o número de abortos.
É dentro do “sistema” e não na clandestinidade que é possível diminuir o número de abortos, conversando com as mulheres sobre o seu drama, tentando perceber as suas razões, escutá-las, fazê-las reflectir e depois deixar que elas decidam em liberdade, respeitando as suas opções, sem as violentar com o prosseguimento de uma gravidez se a mulher não o desejar mesmo.
Questiona quem vai decidir a interrupção de uma grávida menor. Resposta: Sempre a grávida. Ninguém repito, ninguém pode obrigar (a não ser a própria), a decidir se “outros” prosseguem ou interrompem a gravidez. Não pode ser de outro modo. Só através da violência física. Inimaginável. Por isso é que a opção tem de ser da mulher grávida. Mesmo no caso de uma menor. Agora é evidente que a decisão deve ser participada, partilhada, aconselhada, pelo namorado, pelo pai da criança em gestação, pelos pais da menor, isso não merece discussão. Mas incontornável é que só à grávida, menor ou não, cabe a decisão final. Ninguém pode obrigá-la, pela “força” a tomar uma decisão, num sentido ou noutro.
Por isso faz todo o sentido estar inscrito na pergunta por opção da mulher. Mas por outras razões, igualmente. Para não ser forçada a um aborto, por o namorado, pelo marido, ou por quaisquer outros. Para defender, portanto a criança em gestação se esse também for a opção da mulher grávida. Será que nunca pensou nisso? O que acha que devia ser inscrito na pergunta? Por opção do pai? Por opção do casal? Por consenso familiar? Só pode ser por opção da mulher! Isso não significa que as outras partes, especialmente o companheiro, namorado, ou esposo, devam ser afastado do processo de decisão obviamente, mas em termos práticos, tem de haver alguém que decida e neste caso só à mulher pode caber o Sim ou o Não decisivo.
Quanto à questão 1. Não diga que é falso, diga que não concorda. Eu não disse que com a vitória do Sim as mulheres vão todas fazer o aborto nos serviços autorizados de saúde. O que disse é que com é com uma resposta Sim à pergunta SE PRETENDE que isso que ocorra. Se possível no Serviço Nacional de Saúde. Apesar de não haver consequência penais, e passar a haver um acompanhamento médico e psicológico especializado, as mulheres não são obrigadas a recorrer ao sistema legal de saúde,para interromper a gravidez, isso é verdade, mas penso, e se estiver de boa fé, pensa o mesmo que eu que as mulheres irão por todas as razões e mais uma, recorrer a um sistema de saúde legal e mais seguro e não para a alternativa que os defensores do Não lhes oferece; a clandestinidade, com todas as consequências e ainda o estigma de criminosas na ficha pessoal dos registos criminais, para toda a vida. O que ganha a sociedade com isso?
Diz que com a legalização a sociedade oferece à mulher o aborto sem mais conversas. Sejamos razoáveis. Isso é o que acontece agora com as clínicas ou as abortadoras ou as curiosas que fazem o aborto. Um aborto completamente liberalizado. Pagam por um serviço e mais nada. E quem tiver mais dinheiro socorro-se das melhores clínicas e quem não tiver vai a uma parteira de “vão de escada”. Na clandestinidade é que há a liberalização e a injustiça social, não tenhamos dúvidas. Não há regulamentação nenhuma, há liberalização, fuga aos impostos, existe uma rede instalada a fomentar e a ganhar muito dinheiro, porque é ilegal. Acha mesmo assim que é melhor a clandestinidade? Eu pergunto mas sei a resposta, sim acha, sim pretende o aborto clandestino e ainda se deixa ou nos quer seduzir seduzir pelos “custos da IVG” quando diz que “…nós é que pagamos”. Nós é que pagamos …mas não somos nós que pagamos as sequelas de abortos mal feitos? Os julgamentos, as investigações, os exames clínicos das mulheres, “apanhadas no crime de aborto”? E não pagamos também os tratamentos dos fumadores (apesar de avisados!), de quem é alcoólico (apesar de avisados!), de quem tem comportamentos inadequados socialmente (apesar de avisados!). Por favor…
Já agora a pergunta sujeita a referendo não se refere em nenhum ponto a quem vai pagar a IVG. É mais uma patranha atirada para cima do debate. Em qualquer dos casos, por mim não me importo de pagar, afinal pago para outras coisas mais injustas, mas também acho que quem tem condições financeiras, deve pagar. Mas essa é outra discussão para outra oportunidade. Não é isso que está em causa.
Convém que se cinja à pergunta não crie factos.
Já respondi ao ponto 2 mas reforço:
Disse eu – por opção da mulher porque não pode ser de outra forma. Não pode ser imposta à mulher grávida a continuação de uma gravidez que a mulher transporta no SEU corpo…”
Responde você. “Claro que pode, porque não? A mulher já pode engravidar sozinha? E a gravidez como lhe chama, não é uma coisa abjecta, mas antes o filho dela e do parceiro a quem ela se entregou, quer o queira quer não. Efectivamente ela transporta um ser humano, por muito que o queiram desprezar.”
Replico: A mulher não engravida sozinha obviamente. Mas isso não está em causa. Agora diga-me e se resposta for divergente, um sim outro não, como é que é? Obrigam a mulher à força a continuar a gravidez? Acha que em condições forçadas, uma mulher oferece o equilíbrio psíquico, emocional, para levar até ao fim um processo de gravidez? Acha que uma mulher nessas circunstâncias vai ter esse cuidado? E o ser humano que transporta, diz você? O que quer dizer com isso? Quer obrigar alguém a ter a criança contra o desejo da própria? Em nome dos SEUS valores morais e éticos? E os valores morais e éticos dos OUTROS não contam? Será que em nome desse ser humano, se a gravidez tivesse resultado de uma violação ou se mais tarde, durante o processo de gestação, resultar uma má formação genética, também deve obrigar a mulher a levar até ao fim a gravidez? Em nome do valor de vida que defende devia ser assim não acha? Uma mulher violada deveria “carregar” a imagem, a memória, o trauma, de uma violência atroz, até ao dia do parto, por imposição legal. E depois doaria a criança. É preciso ser demasiado cruel. Mas não deixa de ser uma vida, não é? Em que ficamos?
Disse eu – “a mulher não tem outra opção, senão realizar o aborto clandestino…”
Responde você. “Errado, há efectivamente inúmeras outras opções que pode e deveria considerar. Replico: Quais se a mulher quiser mesmo interromper a gravidez? Diga apenas uma.
Disse eu – “Essa opção…pretende pois proteger a saúde mental da mulher e até um aborto não desejado…”
Responde você. “Esta é muito discutível. Informe-se melhor sobre como fica a saúde mental da maior parte das mulheres depois dum aborto. Replico: Quando falo da saúde mental da mulher, falo em aborto legal em oposição a um aborto clandestino. Qual é o pior para a mulher? Sei o que é um aborto clandestino (percebe o quero eu dizer?). Sabe bem que o que diz não tem sustentação científica e que há outros estudos que dizem o contrário. Digo-lhe apenas que uma mulher que decide abortar, por razões muito ponderosas, não o faz por dá cá aquela palha, o seu filho, há-de ser aquele que ela quer que seja, o que irá resultar de um projecto de vida, abraçado por ela própria e pelo seu companheiro, por seres que se amam e respeitam. Um Ser Humano desejado, para nascer com amor, responsabilidade e dignidade, por futuros pais que se preocupam com o futuro desse SER e isso exige uma maternidade e paternidade responsável que só os próprios sabem quando é o momento.
Disse eu – “…os defensores do Não afirmam que a havendo legalização a mulher a partir daquele momento vai fazer um aborto, por desporto, ou como quem toma um café.”
Responde você. “Dá-lhe jeito dizer isso? Essa afirmação é completamente absurda. Replico: Absurda? Ó amigo eu assisti e participei em vários debates, e ouvi o que você (não) imagina. Vou-lhe citar duas ou três, “abortos por desporto”, “para não ficarem com estrias”, “assassinas” escrevi isso no meu blogue, (http://charagoesquerdo.wordpress.com)assim sem tirar nem pôr. E se for mentira o que digo que tenham a coragem de o desmentir. Mas não o vão fazer porque a emissão foi transmitido em directo pela rádio e está tudo gravado.
Continua você – “Naturalmente que um aborto não é feito de ânimo leve, mas o que pretendemos é que seja considerado como algo de errado que é, pois trata-se de defender o direito à vida.” Replico: Concordo e digo mais. O aborto não é feito de ânimo leve e é algo que deve ser evitado e se o Sim vencer vai ter de haver um período de reflexão concerteza.”
Ainda você – “Não deve ser banalizado e com a lei que pretendem aprovar, será totalmente liberalizado até às 10 semanas e na prática essa condição será apenas uma realidade no SNS. O aborto será totalmente livre, com todos os riscos inerentes.” Replico: Que confusão amigo! Como pode falar em liberalização SE há regras para fazer o aborto!.. Na liberalização não há regras, não há limites. Na clandestinidade/liberalização é que vale tudo. A pergunta do referendo impõe limites. “Concorda com a despenalização SE …” diz a pergunta. Não invoque a mentira de que é “totalmente liberalizado até ás 10 semanas”. Não será na “realidade” apenas no SNS, será “em estabelecimentos de saúde devidamente autorizados” é o que diz a pergunta. Cinja-se à pergunta porque é isso que vai votar e não o que pretende que fosse votado.
Diz ainda: “Então não é q Imagine-se um homem que pretenda ter um filho. Azar a ecografia aos 5 meses revela uma menina. Que chatice, vai-se à clínica e resolve-se o problema pode ser que na próxima tenha mais sorte.” Replico: Acredita mesmo nisso? Acha mesmo que o aborto se vai fazer por minudências? Agora já não acha que causa graves problemas emocionais e psíquicos às mulheres?
“Quanto às questões das injustiças sociais, é outro falso problema e sobre isso já falei anteriormente.” Replico: Um falso problema!? Ora essa! É capaz de desmentir que as mulheres mais ricas podem fazer o aborto no estrangeiro e que as mulheres de famílias pobres se obrigam a fazer em parteiras, em curiosos, ou nelas próprias, por falta de dinheiro e condições. Você não tem a noção do que está a dizer. Só pode. Não quero pensar noutra possibilidade.
“Concordo que haverá sempre gravidezes indesejadas e abortos, mas isso não se resolve nem se ameniza com a liberalização, antes pelo contrário. Há que combater esse drama de modo positivo e há formas de o fazer. Eu já sugeri neste blog algumas, é preciso é vontade e empenho político.” Replico: Resolve-se com a clandestinidade, com o medo, com a solidão, com a “nódoa” de criminosa. Admita por um momento que alguém seu muito conhecido, familiar ou não, que conhece bem e estima muito e que é confrontada com uma gravidez indesejada e que não quer ter “aquele” filho. Acha que devem obrigá-la a ter essa criança? Acha que deve fazer o aborto ao estrangeiro se tiver dinheiro ou ir a uma parteira ou curiosa, por em causa a sua vida, a sua fertilidade, o seu futuro? Agora imagine que essa pessoa é denunciada e vai ser investigada, julgada, exposta a sua vida íntima, acha que ela é uma criminosa? Será capaz de a “julgar”, ou será capaz de a compreender, acha que merece ficar catalogada, ser olhado de lado. Ganha alguma coisa, você ou a sociedade com isso, ou perde? E não diga que ganha uma vida porque ELA não quer aquela gravidez. Responda!
“…a questão da “defesa” da vida…”
Efectivamente este é o principal argumento que nos move e empenha neste referendo, estamos de acordo. Só não vi nenhum argumento seu a contrapor isso! Diga, se para si um ser humano em gestação é algo desprezível ou menos valioso que trocar de carro, de casa, gozar férias ou mesmo acabar um curso superior. É que estes são motivos frequentemente considerados para se optar por um aborto, mesmo correndo os riscos que se conhecem e gastando o dinheiro que se gasta. Afinal um filho é uma chatice e sempre é mais caro que uma viagem a Espanha e uma gravidez levada até ao fim é sempre mais dolorosa e arriscada que o aborto feito nas primeiras semanas. Replico: fala de cor. É claro que uma vida não é menos valiosa, mas você tropeça no que está em causa. Sabe lá você as razões porque a mulher aborta. Limita-se a especular, a dizer vulgaridades. E se essas fossem as razões de alguma mulher seriam legítimas. Cabe à mulher decidir quando é o tempo certo para ter os filhos ou não ter. Que é que você tem a ver com isso? O que é que eu tenho a ver com isso? Um filho deve ser tido, quando desejado, planeado, querido por quem vai ter a incumbência do educar. Não é por uma mulher não querer naquele momento ter um filho que não vai ser uma boa mãe, que não é uma boa mulher. Não confunda. Ou acha que os “acidentes” não acontecem?
“Quanto à sua dissertação sobre os casos de violação é completamente absurda e usam-na apenas para fugir à questão do direito à vida. Mas não deixa de ser curioso esse argumento. Vocês defendem o aborto livre e sem critério para além das razões pessoais e tentam comparar isso com o aborto em caso de violação e mesmo esse é ponderado e sujeito a várias consultas médicas antes de ser dada autorização. É que efectivamente mesmo resultante de violação, é uma vida inocente que se mata. Considerar excepções à lei (para muitos aceitáveis, para outros não) não legitima a sua total abolição.” Replico: Não minta. Ninguém defende o aborto livre e sem critério. O que você não consegue responder é como se compagina essa sua “defesa” da vida com o “abandono” da vida em casa de violação ou má formação do feto. Em nome dos seus valores da vida será capaz de dizer a uma mulher que não aborte, em caso de violação? Não vale afinal mais uma vida que um trauma? Responda. Confronte-se com as Vossa contradições! Nós como sempre dissemos achamos que essa decisão é da mulher, não impomos os nossos valores morais, éticos ou religiosos. Se ela quer prosseguir a gravidez ou se quiser interromper é um problema de consciência da própria.
“como dizia, creio que Bill Clinton, deve ser LEGAL, RARA e SEGURA”
Informe-se dos números de abortos no país do Clinton onde o aborto é livre há muitas décadas e depois diga se lá são raros.” Replico: Está a fazer-se de desentendido? A interrupção da gravidez deve ser Legal, Rara e Segura é o que disse Bill Clinton é o que eu digo. Você não sabe o que diz sobre números sabe o que lhe dizem. E não sabe interpretá-los. Veja este estudo da eurodeputada Elisa Ferreira (http://www.esquerda.net/media/mentirasdonao.pdf) As mentiras do Não.
“Além disso se para si abortar é uma mera opção da mulher, porque motivo se preocupa com acabar o aborto?!!! “ Replico: Fico espantado com a sua ignorância e mentiras. Onde reduzo o aborto a uma mera opção da mulher? Eu sou contra o aborto, como creio que quase toda a gente o é. Diz ainda, porque “se preocupa com acabar com o aborto”. Ainda não percebeu, serei assim tão difícil de me fazer entender!.. Mas a pergunta não é se somos a favor ou contra o aborto. É se se é contra ou favor da despenalização é por isso que vou votar Sim. Porque sou a favor da despenalização.
Digo eu – “A VIDA dum SER HUMANO resulta de um projecto responsável, abraçado por homem e mulher que se amam e respeitam. Um SER HUMANO tem direito a ser desejado, a nascer com dignidade e a ter pais que se preocupam com o seu futuro.”
Diz você. “Bonitas estas palavras, sem dúvida!” Replico: Diga se sim ou não e deixe-se de tretas. O que diz a seguir são palermisses que não merecem comentário. Deixe-se disso.
“A defesa da vida humana está consagrada na constituição da república, por isso o aborto é proibido e é por isso que existe a penalização. Não é para prender mulheres, antes para as demover de matar o próprio filho ou protegê-las de pressões de terceiros para o fazer (e isto é algo importante e que deixará mulheres dependentes financeiramente de terceiros ainda mais desprotegidas em caso de vitória do sim).” Replico: Não sabe o que diz. A ser assim não podia haver referendo. Havendo referendo, aprovado pelo Tribunal Constitucional e promulgado pelo Presidente da República, nessa lógica até às 10 semanas o feto não é considerado vida humana, não é assim? Ou então a pergunta seria inconstitucional. A lei que pune até 3 anos não é para prender então porque existe uma lei que não é para prender? Sabe que o Procurador pediu a pena de prisão máxima para todas as mulheres que foram julgadas em Aveiro? Sabe as condições sociais delas? Sabe que pena apanharam?
Digo eu – “Só um voto Sim permite defender melhor o direito à vida humana, em qualquer estádio, defender s mulheres, a justiça e a dignidade humana, acabar com a clandestinidade e diminuir o número de abortos.”
Diz você. “Que grande treta este paragrafo. Explique-me só de que modo o aborto defende o direito à vida humana, no caso particular do ser humano abortado no estádio inicial da sua vida?!!! Explique-me também de que modo a liberalização contribui para diminuir o número de abortos?!!! Replico: Defender a vida humana, não é defender no estádio inicial da vida é defender em todos os estádios da vida. Não vou repetir os argumentos. O aborto permitido até às 10 semanas em estabelecimentos de saúde autorizados, naturalmente defende melhor a vida que manter o aborto clandestino. Não é por a lei punir as mulheres que elas vão deixar de fazer o aborto. Isso é claro.
Já gora uma pergunta final tem ideia de quantos mulheres tiveram que recorrer ao hospital em resultado de abortos clandestinos, só em 2005? 3216. sabe quantas mulheres morreram em consequência de abortos clandestinos, na última década? 13. Compre e leia a visão desta semana e leia os testemunhos de mulheres que abortaram e porque abortaram e também depoimentos do pessoal médico, talvez areje um pouco essas ideias.
Nota final: fui respondendo às questões e fui-me apercebendo que o comentário era longo e repetitivo às vezes. Também fui notando que a “agressividade” do meu oponente, face ao meu comentário ia aumentando de tom. Enveredei pelo mesmo caminho. Cheguei a pensar desistir e arrematar com meia dúzia de palavras mais fortes contra um argumentário tão fraco. Mas pelo respeito aos leitores e ao Pajo que manteve esta página aberta, com grande tolerância e enorme respeito por outras opiniões, com muita serenidade e compostura, acabei por levar longe demais uma resposta que não merecia mais que duas ou três frases, mas enfim. Quero só dizer o José Pinto que tenho dois filhos, um de 26 anos, outro de 23 anos, que passei por uma experiência de um aborto clandestino. E que amo muito os meus filhos. E que a mãe dos filhos (que já não é a minha mulher) não é nenhuma criminosa, não é uma assassina, pelo contrário é uma boa mãe e também ama os seus filhos e que em caso algum mereceria ter passado por um tribunal, uma eventual condenação, uma censura social. As questões não se colocam de quem é pela vida, fazendo presumir que quem defende o Sim é contra a vida. É ser demasiado cruel.
O José Pinto refere uma questão pertinente que tem a ver com a menoridade. Afinal, se uma mulher com menos de 18 anos quiser abortar, quem vai decidir por ela?
Este é que é o cerne da questão para todos aqueles que propagam o Não.
Senão Vejamos:
Ela pode ter quem decida por ela nesta questão, mas não teve quem decidisse por ela quando ela se deixou engravidar?
É estranho e, no mínimo irónica esta questão. Estamos em pleno século XXI onde a informação (mesmo aquela que não desejamos) nos entra pela casa adentro sem o conseguirmos seuqer impedir. E é, nesta era da informação que nos temos que inserir.
Verdade seja dita, só fica grávida quem quer. E dessas, apenas 1% tem justificação (para mim válida) de querer abortar. O preservativo rebentou? Teve uma relação esporádica e não deu tempo para precaução? A pílula do dia seguinte serve para essas coisas. E isso já não é matar. Porque só se fala em bebé ou em criança passadas essas 24 horas em que a pílula é aceitável.
Moralismos à parte, se a mulher é menor e já soube desfrutar do que é viver o amor em toda a sua plenitude, também deve (ou devia) ter uns pais que lhe soubessem ensinar/educar todas as questões relativamente ao sexo seguro. E aqui, quem falha? São os pais, que não sabem dar educação aos filhos? E se, no tempo deles, também tivessem tido a possibilidade de abortar, será que essa menor tinha sido uma gravidez até ao fim? Ou são os filhos que pensam que isso só acontece aos outros? Essa era, perdoem-me a franqueza, a desculpa dos da minha geração, que agora, dizem “Aconteceu”.
Sou da opinião da responsabilização. Mais uma vez reitero: sou contra o aborto, mas a mulher não deve ser condenada se optar por esse caminho. E é isso que vai ser mudado na lei com a vitória do Sim; nem mais, nem menos. Apenas deixaremos de ver condenadas as mulheres que optaram por um má decisão, em detrimento de as vermos na cadeia. E àquelas que as ajudaram por isso, por não terem quem as socorresse.
Sempre é melhor pôr um fim à gravidez, de forma segura, do que viver uma vida inteira a pensar que fui gerado por um casal de energúmenos que não me queria ter e que, só por acaso, eu os trato por Pai e Mãe. O Ser Humano (com letra maiúscula) merece muito melhor do que isso; já nos bastam as agruras da vida para não precisarmos de ser mais uma cambada de rejeitados por aqueles que têm a obrigação de nos amar. Afinal, ninguém pede para nascer…
José Pinto, absoluto é (por exemplo), o conceito de que a vida é nascer apenas, e a sua importancia é maior do que qualquer outra… mesmo que depois se deite para o lixo aquilo que já não é um feto, mas sim uma criança.
Concordo com o Joel Pinto e a questão pertinente. Penso que, tal como deve ser uma decisão do CASAL e não só da Mulher quando adultos, nos casos de menores, os Pais de ambos e todas as pessoas sentimentalmente próximas dos menores devem ajudar a decidir, mas concerteza não estou a ver como podemos prevenir o futuro colocando uma menor, que decidiu não ter o filho(a), num instituto de reinsersão social como uma criminosa.
Também pertinente, e não me agrada nada, o facto do Homem ter sido subtraido desta equação. Mas é outro assunto; a penalização e humilhação recai sobre a Mulher; e acrescenta o facto biológico de o feto se desenvolver no útero da Mulher e depender literalmente das condições dela para o fazer com sucesso até ter , ele próprio, as condições necessárias para poder nascer. Penalizar não é, seguramente, a melhor forma de encarar a situação.
Um bem haja ao Fernando pela disponibilidade, gostei imenso de ler o comentario/resposta, um exemplo de flexibilidade, compreensão e concentração, condições tão necessarias neste debate.
PS:Lamento o facto de não ter ficado logo visível, falha minha.
pajo o aborto é definitivamente algo que envergonha a sociedade. De tal modo isso é verdade que ninguém se sente bem com esse acto e não me refiro à questão do sofrimento físico e riscos para a saúde, pois numa gravidez isso é um dado adquirido qualquer que seja a opção da mulher. Refiro-me concretamente à noção generalizada (mesmo que não assumida ou desvalorizada) de que abortar é algo anti-natural e que choca com a nossa sensibilidade humana. Porquê? Simplesmente porque choca directamente com o nosso conceito natural e instintivo de defesa dos valores da vida. A vida é um processo contínuo e todos nós passamos pelo processo que no domingo vai ser objecto de referendo. Um feto que na maior parte das situações é visto como algo maravilhoso, enternecedor e em muitos casos o objectivo de uma vida, neste referendo está a ser transformado em algo nefasto e desprezível, por todos os que defendem a despenalização do aborto. E fazem-no em nome de princípios completamente falíveis ou pelo menos questionáveis. Questionáveis principalmente por uma questão de valores. Valores esses, que eu como amigo que muito te estimo, gostaria que considerasses e analisasses dum modo mais abrangente do que o tens feito.
A questão do aborto clandestino também considero vergonhosa, arrepiante e preocupante. Mas estou convicto que liberalizar o aborto, pese embora reconheça que contribuiria para melhorar a condição da mulher no caso de pretender o aborto, seria avançar para uma sociedade incapaz de evoluir humanamente e manifestamente em crise de valores. Uma sociedade que considera uma gravidez como algo nefasto e por isso destrutível, é uma sociedade claramente doente.
Dirás: “mas o aborto existe e continuará a existir… blá, blá… por isso é melhor que seja o Estado a assegurar isso como um direito da mulher e permitir que o faça medicamente assistido.” Discordo completamente, como sabes, em primeiro, pela tal questão dos valores, pois a justiça é como uma balança. Deves considerar qual dos males é maior: o aborto em si, ou a angustia e sofrimento da mulher que aborta. Sem pretender julgar a opção pelo aborto, considero que na maior parte das situações, abortar resulta directamente de uma má avaliação das pessoas perante uma gravidez imprevista. Consideram abortar um mal menor do que trazer um filho ao mundo e claro que desvaloriza-se o conceito do aborto e da vida intra-uterina, pois de outro modo não o fariam. Pelo menos não o fariam pelos motivos que normalmente se invoca para o justificar. Considero que a liberalização vai precisamente contribuir ainda mais para a desvalorização e banalização do aborto. De repente abortar passa a ser algo demasiado fácil e vulgar e até as relações sexualmente desprotegidas, serão descuradas com maior facilidade, pois a aventura e irresponsabilidade ocasional está na nossa natureza humana. Mas o pior da liberalização, é a substituição definitiva do conceito de que a vida é inviolável e o feto um ser humano com dignidade e merecedor da nossa protecção, por esse conceito de desumanização da vida intra-uterina e cedência a princípios quase sempre materialistas.
Acredito ainda que, além da crise de valores que significa o aborto livre, a despenalização irá ter como consequência o aumento do número de abortos, precisamente porque passa a ser mais fácil. E havendo abortos, haverá sempre o chamado aborto de vão de escada (é uma questão de preços e serão as mulheres pobres precisamente as vítimas) e continuaremos a ter mulheres a passarem a angústia, sofrimento e tudo aquilo que determina o teu sentido de voto.
Estou convicto de que combater o aborto clandestino é possível apenas combatendo o aborto em si e isso não se faz com a liberalização. Além disso esta lei nada faz em prol do combate à miséria social, à gravidez na adolescência e muito menos defende as mulheres em dificuldade mas que pretendam ter o filho.
Apesar de discordar de ti, parabéns pelo teu empenho e interesse.
Um abraço.
“A vida humana é inviolável”
(Constituição Portuguesa, art. 24 nº1)
A vida inicia-se na concepção.
O coração do bebé começa a bater na 3ª semana do seu desenvolvimento. Nos seus vasos circula sangue diferente do da mãe.
Na 4ª semana, já é 10 mil vezes maior do que no seu início.
Às 6 semanas de gestação, o cérebro já dá sinais de actividade e é possível registar as suas ondas cerebrais num eletroencefalograma.
Na 7ª semana, o bebé já consegue chuchar no dedo.
Às 10 semanas, o coração do bebé assemelha-se ao do adulto. Já possui a impressão digital que terá durante toda a sua vida.
Retirei isto dum folheto que me deram e muito mais haveria a acrescentar. Gostaria que pensassem nessas frases, pois elas descrevem sumariamente o objecto dum aborto.
Espero que tenham a noção de que ao votar sim, vão estar a condenar à morte milhares de portugueses.
Saudações a todos.
Fernando chamar idiota, ignorante e tudo aquilo que você me chamou, apenas revela a sua falta de nível, respeito e sentido democrático. O insulto e a desconsideração é sempre uma saída quando lhe falta os argumentos. Em nome desse respeito e sentido democrático, contenho-me para não lhe responder como mereceria. Contudo refiro a tremenda hipocrisia com que refere a minha alegada agressividade, quando você é que apareceu no blog, fazendo uso de uma agressividade, arrogância e prepotência, ao mesmo tempo que nos atirava com uma data de aldrabices sobre a questão do referendo, apresentando um texto completamente fundamentalista, manipulador e desrespeitador dos princípios e das opiniões de quem não concorda com a liberalização do aborto. Acaso acha-se o dono da razão e paladino da justiça contra os mal-feitores do não? A sua grande bandeira é A COMPAIXÃO POR ALGUMAS MULHERES.
A minha grande bandeira é a DEFESA DA VIDA, EM DETRIMENTO DA CULTURA DA MORTE.
É ridículo, dizer que o aborto até às 10 semanas não será livre ! É um escândalo dizer tamanha aberração. Se forem 1000 grávidas aos hospitais para abortar, dessas 1000 mulheres quantas serão proibidas de o fazer ? A resposta é NENHUMA. Se uma mulher for 1000 vezes abortar alguém a vai impedir de o fazer? O aborto será livre e sem limites, pelo menos até às 10 semanas. A Despenalização estará sempre em contraponto com a morte de um ser humano. Pode você continuar a desmentir ou florear isto que não passa de retórica barata, hipocrisia e mentira. E pode também continuar a chamar-me os nomes que entender, que só revela a sua educação.
Quanto às questões que me coloca na sua contra-resposta e que no seu jeito arrogante e pretensioso, quase sempre se achou no direito de responder por mim, ou preferiu tecer considerações sobre o meu discernimento, conhecimento ou sensatez (a tal saída fácil), apenas lhe digo que a quase todas já respondi em anteriores intervenções. Seria difícil para mim depois desta sua infeliz intervenção, responder-lhe dentro dos limites de educação e tolerância que este espaço me merece, por isso fique lá com a bola e passe bem.
Pajo, o Fernando é um exemplo de flexibilidade e compreensão?!!!!
É tão exemplo de flexibilidade e compreensão, quanto tu de isenção!
José Pinto,
Eu percebo-o não quer responder às questões. Você diz no seu comentário em resposta ao meu: “é falso”, “informe-se” “seria mais honesto”, “dá-lhe jeito dizer isso?”, “essa afirmação é completamente absurda”, “porque motivo se preocupa em lutar contra o aborto?” insinua que desprezo a vida humana, etc e depois espera o quê? Eu disse, não escondi que respondi na mesma moeda. Não se faça de santinho e os outros de malfeitores. Apesar disso, embora não concordando consigo, e depois de ler, ainda tenho que reconhecer que faz um esforço para argumentar sem recorrer a lugares comuns. Quero terminar que não lhe chamei idiota, ignorante ou outra coisa qualquer. Não seria capaz de o fazer pois não o conheço para fazer essas afirmações e a ter em conta o que diz ler o Pajo (que também não conheço) sobre si, tenho razões para acreditar que você é um homem de convicções e sério. Mas a defesa extremista de algumas posições como as que fez , retiraram-lhe sobriedade e enveredou por a afirmação das suas posições de forma agressiva e nada tolerante. Eu respondi na mesma moeda, reconheci-o logo na resposta ao seu comentário. Está lá escrito. Veja. Você é que não é capaz de reconhecer. Veja como responde ao Pajo no último comentário. sabe quando não se quer ver descobre-se mais depressa um “cisco no olho do outro do que uma trave no seu”. Fique bem. José Pinto e seja feliz que é para isso que todos aqui andamos. E continue a defender as suas causas. Não nos devemos acomodar. Um abraço sincero.
José Pinto, o Fernando foi flexivel ao ter resistido a dar-te a resposta em duas ou tres frases (ainda bem).
Compreensivo no conteudo, não sendo tão agressivo como tu foste com ele… aliás não é a primeira pessoa que te refere esse aspecto na forma como respondes.
E mais, tambem o adjetivei de concentrado, pois este debate tem tido muitos discursos desatentos quanto à questão do referendo, ou distraidos, ou ainda carregados de crenças absolutas que, de facto, duvido da capacidade das mesmas para ajudar a resolver seja o que for na sociadade.
Eu nunca disse que sou isento, pelo contrário, tenho uma posição em relação à despenalização que foi pública desde o primeiro momento.
Eu não tenho sido isento porque tenho uma opinião e não escondo; mas tenho respeitado a opinião de toda a gente. Até para com a forma que, eu entendo não ser a melhor, tu fazes uso das palavras dos outros… não é bonito e tem-te colocado em severas contradições; mas como já te disse, são palavras que tu tomas a liberdade de usar e abusar, a responsabilidade é tua e eu respeito, mas não concordo.
Mesmo não concordando contigo, já referi aspectos positivos em alguns comentários teus… Talvez não saibas o que isenção quer dizer, apenas, não me julgues e já agora, porque é sobre despenalização que se debate, não julgues tambem as Mulheres que fazem abortos, porque não há verdades absolutas… meu amigo.
José Pinto.
Tiveram há dias uma série de especialistas médicos de diferentes países a discutir sobre a vida humana e não chegaram a consensos (mas você dá como adquirido o que aí se diz) mas chegaram a outros consensos que desmentem muito do esse folheto diz. Não se impressione com tudo o que lê. Leia o outro lado, vá ao site dos médicos pela escolha, está lá disponível INFORMAÇÃO CIENTÍFICA. Verá como nem tudo o que lhe dizem ou lê é verdade. Não vá em propagandas, olhe para as evidências cientificas que estiverem provadas. Em qualquer dos casos no dia 11 o que vamos votar é se se somos a favor ou contra a despenalização do aborto até à 10 semanas (despenalizar o aborto é retirar do código penal o artigo 140, salvo erro, que pune a mulher por aborto consentido, logo a mulher deixa de ser considerada uma criminosa. Se é a favor da penalização e considera criminosas as mulheres nesse caso sim deve votar Não. O resto não está em debate agora. Por mim voto Sim. Não sou capaz de considerar criminosas as pessoas que abortam.
Um aparte: Não sei se ouviu o Prós e Contras em que uma médica portuguesa a exercer na Suíça, apercebeu-se que a comunidade portuguesa era a que mais praticava o aborto. Foi esse conhecimento que permitiu desencadear mecanismos de apoio e de aconselhamento adequados a essa comunidade e diminuir o número de abortos. Sem esse conhecimento, na clandestinidade não é possível intervir. Em nome da dignidade deixemos a mulher ter os filhos que quer, quando quiser e se quiser. Se uma mulher engravidar e não quiser prosseguir a gravidez não devemos, primeiro, considerá-la criminosa, segundo, censurá-la socialmente com punições que podem ir até 3 anos de prisão, terceiro, “obrigá-la” a ir abortar ao estrangeiro se tiver dinheiro ou entregar-se a curiosas se não tiver dinheiro, ou ainda nos casos mais extremos de miséria social, obrigá-la a prosseguir uma gravidez para depois a criança ser abandonada no caixote do lixo mais próximo. Isto não é demagogia. São realidades incontornáveis.
Fernando, não diga que percebe porque não percebe. Não me conhece e se eu disse que não queria responder não foi por falta de argumentos. Eu não o insultei, embora reconheça que classifiquei frases suas com comentários pouco abonatórios como
“é falso”, “informe-se” “seria mais honesto”, “dá-lhe jeito dizer isso?”, “essa afirmação é completamente absurda” Isso não é o mesmo que insultar, mas entretanto lembro-lhe que me classificou de ignorante e mentiroso (entre outras coisas) “Fico espantado com a sua ignorância e mentiras” é um bocado diferente, não acha?
Mas passemos à frente disso e assim sendo vou-lhe responder às suas questões :
“Seria mais honesto assumir e defender a legalização do aborto” Disse isso, mantenho e não considero que esteja ser agressivo. Disse-o em resposta ao seu jogo de palavras, com que tenta desviar a discussão da questão da liberalização do aborto, para a questão da penalização da mulher. É mais fácil cativar votos positivos retirando a odiosa questão do aborto livre, centrando a discussão apenas na questão odiosa da penalização da mulher. Por isso afirmo que essa tentativa de desviar a discussão do tema principal, que é efectivamente a liberalização do aborto, não é uma atitude honesta.
Você afirma que vamos apenas votar a despenalização do aborto. É MENTIRA.
Nega que existe uma lei anunciada e dependente do voto sim, que pretende tornar o aborto num negócio legal e livre? Nega que depois do referendo o aborto deixará de ser clandestino, simplesmente porque passará a ser uma prática aceite desde que cumpra requisitos médicos e técnicos, mas sem qualquer exigência ao nível da ética? Nega que depois do referendo com o voto sim, qualquer mulher poderá recorrer quantas vezes o entender, ao SNS ou a qualquer clínica de abortos e executar a IVG, sem qualquer constrangimento moral ou legal, sem qualquer justificação, sem dar satisfação a ninguém e sem aconselhamento (a menos que o queira). Nega que está dependente do voto sim, o compromisso do Governo de dotar o nosso depauperado (e refiro-me a recursos e não dinheiro) e muitas vezes ineficaz SNS de meios técnicos e médicos para responder positivamente a todas as solicitações de aborto que surjam, quando nem com as actuais excepções à lei o consegue?!! O único impedimento, a única condição imposta pela lei que está em referendo e dependente do voto sim, é o limite das 10 semanas, consegue negar isso?!!! Consegue manter a afirmação de que apenas vamos referendar a retirada do código penal do artigo 140?!!!
NÃO VAMOS APENAS VOTAR O FIM DO ARTIGO 140, NÃO MINTA FERNADO, seja pois honesto e assuma as suas posições com a frontalidade que o caracteriza.
Estou de acordo que não será TOTALMENTE livre, precisamente pela condição das 10 semanas, mas acredita que isso irá ser cumprido nos estabelecimentos privados, onde apenas o lucro está subjacente e não os princípios éticos, morais ou a preocupação pela vida pessoal ou saúde psicológica da mulher?
Em momento algum insinuei que despreze a vida humana. No entanto afirmo (mesmo assumindo o risco de estar errado) que despreza a vida intra-uterina até às 10 semanas (ou talvez mais), ou pelo menos não a considera com a dignidade de um ser humano, pois de outro modo o respeito que estou convicto tem pela vida, levá-lo-ia a encarar o aborto por opção com outro peso.
Tenho pena que considere o direito individual da mulher acima do direito a nascer e que considere ter a mulher o direito a decidir sozinha o destino de um ser humano gerado por duas pessoas. Pergunto-lhe se no caso de ser o homem a querer o aborto, já que não tem o direito a forçar a IVG, será legítimo recusar a paternidade e suas responsabilidade? Porque motivo o Estado o obriga a contribuir para a educação e sustento do filho não desejado, onde está a equidade? Ter um filho condiciona apenas a vida da mulher? E o homem, os seus planos de vida, profissionais, financeiros e familiares, os seus sentimentos, tudo isso deve ficar refém da opção mulher, pelo menos durante 10 semanas? Pretende que as mulheres possam decidir quando devem ser mães, aceitando o aborto como método de controlo de natalidade, mas o mesmo não se verifica em relação aos homens? Diz você que não pode ser de outro modo, PODE E DEVE e vou começar por lhe responder a essa questão:
O direito e a responsabilidade de uma gravidez, terá em minha opinião que ser decidido a dois. Repare por exemplo, que num casamento normalmente não se pode comprar uma casa ou um carro, sem que ambos estejam de acordo, pois ambos têm que assinar os contratos, mas pode a minha mulher entrar sozinha num hospital e abortar um filho?
A ser permitido o aborto deverá ser uma decisão consensual do casal. É um princípio que não abdico e enquanto se fizer referendos com esta premissa, recusar-me-ei a considerar qualquer argumento em favor do sim. Como proceder em caso de desacordo? Prevalece o direito à vida. Quando a mulher quer levar a gravidez até ao fim contra a vontade do parceiro, que pode ele fazer? Só se atentar contra a vida dela e isso é proibido por lei naturalmente. Depois de nascer o Estado ainda o obriga a contribuir para o sustento e educação do filho que não desejou. O que eu pretendo é tão só o mesmo direito. Mesmo que não queira, a mulher terá que levar a gravidez até ao fim e contribuir para o sustento e educação do filho não desejado. O homem deverá prestar-lhe o acompanhamento e apoio total durante os nove meses e a questão da tutela se não mudar entretanto de ideias, ficará para o pai. É claro que a mulher poderá abortar ilegalmente, mas ai sujeita-se à justiça pela prática de crime. Haverá situações em que a mulher terá o direito a decidir sozinha, concordo e refiro duas: no caso de violação e no caso de perigo para a sua saúde.
Parece-lhe um atentado à liberdade da mulher, mas deixe-me dizer-lhe o seguinte: nem todas as situações de gravidez resultam de uma relação casual. Na maior parte dos casos resulta de relações duradouras, em que as pessoas namoram, vivem juntas ou são casadas. Quando isso acontece, as pessoas dedicam tempo, dinheiro, opções de vida que muitas vezes implicam sacrifícios pessoais, profissionais e por vezes até desavenças familiares. Considera que numa situação dessas o homem não tem o direito a exigir que a parceira leve a gravidez até ao fim? Considera que o homem deverá ficar na expectativa da decisão da parceira? Não concordo e não aceito. Sei bem que normalmente são os homens que preferem fugir às responsabilidades e abandonam a namorada grávida. Pois eu prefiro que se lute por mecanismos legais eficazes que visem proteger as mulheres do abandono. Não tenho dúvidas que o abandono é responsável por milhares de abortos e lutar para proteger as mulheres dessa situação é que seria lutar pela dignidade das mulheres. Levar a tribunal mulheres abandonadas à sua sorte, também para mim é inaceitável e não é isso que eu preconizo. Mas não vejo em que é que a liberalização do aborto as vais proteger do abandono. Porventura irá provocar ainda mais abandono, pois se é um direito exclusivo e até pode abortar em hospitais públicos e de borla, para que havemos nós homens de nos chatear com isso. Estás grávida, resolve o problema. Eu não acho que isso dignifique a mulher, você acha?
Isto já vai longo e tenho que deixar outras respostas para mais tarde, mas irei fazê-lo certamente, pelo menos a abordagem às razões, angústias, etc da mulher que aborta. Dir-lhe-ei porque motivo vou votar NÃO, mesmo considerando e confiando no sentido de responsabilidade das mulheres. Você acha que eu não tenho capacidade para pensar ou que desconheço a realidade! Eu tenho 39 anos, não vivo numa ilha e conheço o suficiente da vida. Acha que não conheço ninguém que tenha abortado? Conheço e estimo, pois algumas até são meus familiares. Não vá por aí, não menospreze a minha inteligência nem tente colocar-se num patamar de superioridade intelectual (“…Cheguei a pensar desistir e arrematar com meia dúzia de palavras mais fortes contra um argumentário tão fraco…”). Isso não é digno.
“ …Eu não o insultei, embora reconheça que classifiquei frases suas com comentários pouco abonatórios como “é falso”, “informe-se” “seria mais honesto”, “dá-lhe jeito dizer isso?”, “essa afirmação é completamente absurda” Isso não é o mesmo que insultar, mas entretanto lembro-lhe que me classificou de ignorante e mentiroso (entre outras coisas) “Fico espantado com a sua ignorância e mentiras” é um bocado diferente, não acha?” Resposta: Não é diferente é igual. Pode estar mais sensível a certas frases como eu porque este debate mexe com todos nós e ele foi longo, mas felizmente, desta vez e quanto a mim mais esclarecedor. A frase que cita insere-se no contexto de resposta às suas afirmações, às suas posições, não a si próprio. Também não foram sensatas, reconheço. Peço-lhe desculpa.
“Seria mais honesto assumir e defender a legalização do aborto” Disse isso, mantenho e não considero que esteja ser agressivo.” Resposta: Mas eu defendo a legalização do aborto até à 10 semanas, João Pinto, não ficou claro isso?
“Disse-o em resposta ao seu jogo de palavras, com que tenta desviar a discussão da questão da liberalização do aborto, para a questão da penalização da mulher.” Resposta: José Pinto, você acha que a despenalização do aborto até às 10 semanas, SE feita em estabelecimento de saúde legalmente autorizado é liberalização. Eu não. Não há jogo de palavras. Há interpretações diferentes da pergunta. E não tenho dúvidas você é que está enganado. Na liberalização não há regras, não há limites. Sabe tão bem isso como eu. Mas a legalização do aborto, nos termos da pergunta, a acontecer tem um limite e duas condições; o limite da 10 semanas e 1) carece da autorização da mulher 2) só pode ser realizado em estabelecimentos de saúde autorizados. Não há liberalização com condicionalismos. E se não estiverem preenchidos estes pressupostos, o aborto não é considerado despenalizado, sendo portanto punível face à lei. Não estarei certo? Se a pergunta fosse apenas, “concorda com a despenalização do aborto” teria razão. Era uma liberalização total. Se fosse acrescentado até “…às 10 semanas” seria uma liberalização parcial. Da forma como está não é uma coisa nem outra. Aliás você no primeiro comentário, pareceu-me concordar comigo, quando eu disse que o SE da pergunta “…se realizado num estabelecimento de saúde autorizado e …” fazia toda a diferença. É portanto descabido dizer que “seria mais honesto…” tal e tal.
“É mais fácil cativar votos positivos retirando a odiosa questão do aborto livre, centrando a discussão apenas na questão odiosa da penalização da mulher. Por isso afirmo que essa tentativa de desviar a discussão do tema principal, que é efectivamente a liberalização do aborto, não é uma atitude honesta.” Resposta: Aí está o seu grande equívoco. É ao contrário. O que está em causa não é a liberalização é precisamente e só o da despenalização. Você vai colocar uma cruz a dizer sim ou não à pergunta, “concorda com a DESPENALIZAÇÂO da IVG se realizada por opção da mulher nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado? Mais nada.
“Você afirma que vamos apenas votar a despenalização do aborto. É MENTIRA.” Resposta: Se o Sim vencer significará que é expurgada do Código Penal a penalização da mulher. Nem censura social, nem trabalho comunitário, nem prisão, irá estar na lei, significará que as mulheres que recorrerem ao aborto, o vão poder fazer num quadro legal nas primeiras 10 semanas. A vitória do Não significará que a pena de prisão se manterá na lei, que continua ser considerado um crime e que as mulheres continuarão a ser empurradas para o aborto clandestino, em condições de insegurança e de grande risco para a sua saúde.
“Nega que existe uma lei anunciada e dependente do voto sim, que pretende tornar o aborto num negócio legal e livre? Nega que depois do referendo o aborto deixará de ser clandestino, simplesmente porque passará a ser uma prática aceite desde que cumpra requisitos médicos e técnicos, mas sem qualquer exigência ao nível da ética? Nega que depois do referendo com o voto sim, qualquer mulher poderá recorrer quantas vezes o entender, ao SNS ou a qualquer clínica de abortos e executar a IVG, sem qualquer constrangimento moral ou legal, sem qualquer justificação, sem dar satisfação a ninguém e sem aconselhamento (a menos que o queira).” Resposta: Ganhando o Sim vai ser desenhado um quadro regulamentar e vão aparecer propostas de todos os partidos. A do PS, ao que leio, tende a inclinar-se para uma próxima do modelo Alemão que obriga a um período de aconselhamento médico e a um período de ponderação de três dias. O negócio vai ser legal, obviamente, mas não será livre. A interrupção da gravidez terá de ser feita em estabelecimentos de saúde autorizados, obedecendo a padrões, previamente definidos, de carácter médico, clínico, deontológicos, segurança, protecção de identidade, etc. Relativamente à segunda parte da pergunta. Não posso negar, mas como não acredito no aborto por prazer e porque a legalização do aborto tem de ser acompanhadas por outras medidas a montante ou a jusante, as mulheres estarão melhor informadas, melhor aconselhadas e por isso a probabilidade disso acontecer será menor. Citei-lhe o caso concreto da Suíça que depois de ser identificado que a comunidade portuguesa era a que mais abortos praticavam, puderam desenhar um plano concreto, específico de intervenção que veio a diminuir drasticamente o número de abortos. Acrescento para terminar este ponto que tudo o que diz que irá acontecer se o Sim vencer já acontece hoje, clandestinamente e em pior escala e com mais graves consequências. Os abortos fazem-se na mesma, o negócio existe, não há qualquer escrúpulo, médico, clínico, ético. Há puro e duro negócio. Há mais abortos, há mortes das mães, há problemas de saúde, há marcas indeléveis no corpo, na alma, na saúde mental, enfim… Invocar as questões que invoca sem dizer que tudo isso já existe, desculpe, mas não é ser intelectualmente honesto.
“Nega que está dependente do voto sim, o compromisso do Governo de dotar o nosso depauperado (e refiro-me a recursos e não dinheiro) e muitas vezes ineficaz SNS de meios técnicos e médicos para responder positivamente a todas as solicitações de aborto que surjam, quando nem com as actuais excepções à lei o consegue?!!” Resposta: Se alguma vez leu alguma coisa do que escrevi saberia que sou um critico deste governo e também das políticas de saúde. Não adianta estar a falar do fecho das maternidades, do encerramento de urgências, de uma errada política de recursos humanos e técnicos, da política dos medicamentos, do esquecimento dos mais desfavorecidos, da diminuição de comparticipação aos idosos pobres, etc, etc,. Mas não estabeleça uma conexão com o aborto porque não é verdade. Fale-me de políticas erradas de gestão das contas públicas, fale-me de obsessões doentias de controlo do défice, fala-me em cobardia política em que se faz recair sobre os mais desprotegidos os custos de uma má governação. A minha resposta é não à sua pergunta, pois claro.
“O único impedimento, a única condição imposta pela lei que está em referendo e dependente do voto sim, é o limite das 10 semanas, consegue negar isso?!!!” Resposta: É isso mais ser realizado em estabelecimento de saúde autorizado. Com isso pretende-se transferir para a esfera da legalidade e do controle o aborto clandestino, para dar um combate mais eficaz ao aborto e para retirar a carga de mulher criminosa a uma mulher que por razões ponderosas e não levianas decide fazer um aborto”
“Consegue manter a afirmação de que apenas vamos referendar a retirada do código penal do artigo 140?!!!
NÃO VAMOS APENAS VOTAR O FIM DO ARTIGO 140, NÃO MINTA FERNADO, seja pois honesto e assuma as suas posições com a frontalidade que o caracteriza.” Resposta: O que vamos votar é despenalizar a mulher que interrompa a gravidez até às 10 semanas. Ponto. Logo se ganhar o sim, o Artº do código penal que criminaliza as mulheres deixa de existir. Este ponto é muito importante. Eu não me conformo que a mulher seja estigmatizada, humilhada, censurada, sujeita a prisão. Respeito a opção da mulher. Não me sinto competente para a julgar. A sociedade sabe que não está na presença de uma criminosa. Obviamente que a despenalização tem consequências de ordem prática. A despenalização do aborto até às 10 semanas, pretende que quem aborta, saia da clandestinidade, com todos os problemas que isso acarreta para a saúde da mulher, para um sistema legal que a proteja, apoie, aconselhe e as prepare para uma maternidade consciente e responsável. Não posso estar a ser mais honesto, José Pinto.
“Estou de acordo que não será TOTALMENTE livre, precisamente pela condição das 10 semanas, mas acredita que isso irá ser cumprido nos estabelecimentos privados, onde apenas o lucro está subjacente e não os princípios éticos, morais ou a preocupação pela vida pessoal ou saúde psicológica da mulher?” Resposta: E o que acontece agora? Liberalização total. Injustiça social. Negócio. Fuga ao fisco. Funcionamento em rede. Insegurança. Problemas de saúde irreversíveis. Mortes. Haverá sempre mulheres a abortar. Porque os contraceptivos não são 100% seguros. Por muitas razões. E porque as mulheres têm o direito de decidir qual é o momento certo para construir e planear a sua vida familiar e não lhes ser imposto por outros.
“Em momento algum insinuei que despreze a vida humana. No entanto afirmo (mesmo assumindo o risco de estar errado) que despreza a vida intra-uterina até às 10 semanas (ou talvez mais), ou pelo menos não a considera com a dignidade de um ser humano, pois de outro modo o respeito que estou convicto tem pela vida, levá-lo-ia a encarar o aborto por opção com outro peso.” Resposta: Não desprezo. Mas não considero a vida intra-uterina do mesmo modo e em todas as fases do desenvolvimento. Nem a sociedade valoriza da mesma maneira. Nem você. Nem a Igreja tão-pouco. A sociedade tolera um aborto por razões de excepção. Estão na lei. Você contradiz-se, já li bastante do que escreveu, mas aceita essas excepções. No entanto são vidas. Uma mulher faz um aborto. Um feto é morto. Mas ninguém, salvo umas almas empedernidas, vai correr à polícia denunciar um assassinato. Um acidente com uma mulher grávida. A mulher morre. Não há dois funerais. Você não imagina o quanto respeito uma mulher que mesmo com muitas dificuldades, de qualquer natureza, decide levar uma gravidez até ao fim. Por isso não encaro o aborto de ânimo leve. Mas também tenho respeito e compreendo quem toma outras decisões. Eu tenho muitas dúvidas sobre a bondade das afirmações de quem diz que vida é um valor absoluto e inatacável. Eu NÃO ACREDITO que se por exemplo um marido, ou um pai, se a sua esposa ou filha, fosse violada, não pense nesta questão do valor absoluto da vida. Eu não respondia por mim face ao violador e não teria dúvidas do conselho que daria à mulher ou filha.”
“Tenho pena que considere o direito individual da mulher acima do direito a nascer e que considere ter a mulher o direito a decidir sozinha o destino de um ser humano gerado por duas pessoas.” Resposta: Não considero acima nem abaixo o direito da mulher. Podia dizer-lhe o que eu poderia fazer. O que não devemos é impor as nossas convicções morais, éticas, religiosas, o que quer que seja. Como disse NÃO CONSIDERO a mulher que decida abortar uma criminosa e NÃO POSSO IMPOR NEM O ESTADO PODE IMPOR O PROSSEGUIMENTO DE UMA GRAVIDEZ NÃO DESEJADA. COMO IMPÔR? PELA VOLÊNCIA? NÃO É POSSÍVEL. Só tem dois caminhos: Ou fechar os olhos e entregar essa mulher à sua sorte. Ou ajudá-la. E como ajudar? Mantendo uma lei que a pune, que a manda para a clandestinidade? Não! Não tenho dúvidas que o caminho é acrescentar mais uma excepção às três condições que possibilitam o aborto: A violação, a má formação do feto, o perigo de vida da mulher. 10 Semanas são um tempo suficiente para a mulher tomar uma decisão. Será dentro da legalidade que podermos dissuadir, convencer, respeitar, com segurança e equilíbrio. Você glosou com a frase, Legal, Segura e Rara. Mas é isso mesmo que pretende que seja o aborto.
“Pergunto-lhe se no caso de ser o homem a querer o aborto, já que não tem o direito a forçar a IVG, será legítimo recusar a paternidade e suas responsabilidade? Resposta: José Pinto diga lá você como resolve esse problema. É irresolúvel. Há duas vontades opostas. Uma tem de prevalecer. O ideal seria chegarem a um acordo mas não sendo possível o menor do males é ser a mulher a decidir. Não estou a ver uma mulher a ser obrigada a prosseguir a gravidez com um filho que não deseja. Acha que a gravidez correria bem? Não acha que essa iria causar danos graves ao bebé? Acha mesmo viável?” É uma situação incontornável.
“Porque motivo o Estado o obriga a contribuir para a educação e sustento do filho não desejado, onde está a equidade? Ter um filho condiciona apenas a vida da mulher? E o homem, os seus planos de vida, profissionais, financeiros e familiares, os seus sentimentos, tudo isso deve ficar refém da opção mulher, pelo menos durante 10 semanas?” Resposta: É verdade isso. Mas sugira-me uma alternativa se a mulher não quer mesmo prosseguir a gravidez. Eu não encontro. Infelizmente ou felizmente o homem não pode engravidar.
“Pretende que as mulheres possam decidir quando devem ser mães, aceitando o aborto como método de controlo de natalidade, mas o mesmo não se verifica em relação aos homens? Resposta: Nunca sugeri o aborto como método de controle da natalidade. Não enverede por aí.
“Diz você que não pode ser de outro modo, PODE E DEVE e vou começar por lhe responder a essa questão: O direito e a responsabilidade de uma gravidez, terá em minha opinião que ser decidido a dois. Repare por exemplo, que num casamento normalmente não se pode comprar uma casa ou um carro, sem que ambos estejam de acordo, pois ambos têm que assinar os contratos, mas pode a minha mulher entrar sozinha num hospital e abortar um filho?
A ser permitido o aborto deverá ser uma decisão consensual do casal. É um princípio que não abdico e enquanto se fizer referendos com esta premissa, recusar-me-ei a considerar qualquer argumento em favor do sim. Como proceder em caso de desacordo? Prevalece o direito à vida. Quando a mulher quer levar a gravidez até ao fim contra a vontade do parceiro, que pode ele fazer? Só se atentar contra a vida dela e isso é proibido por lei naturalmente. Depois de nascer o Estado ainda o obriga a contribuir para o sustento e educação do filho que não desejou. O que eu pretendo é tão só o mesmo direito. Mesmo que não queira, a mulher terá que levar a gravidez até ao fim e contribuir para o sustento e educação do filho não desejado.” Resposta: Obrigar uma mulher a levar uma gravidez até ao fim contra a sua vontade? Não entre no facilitismo da argumentação e coloque os pés no chão. Primeiro como consegue na prática forçar essa possibilidade? Como controla o pai o desenvolvimento, saudável, sustentado, cuidado, harmonioso da gravidez do filho? E as mazelas físicas, psíquicas, para o bebé, de uma gravidez descuidada, sem amor. Não vai ter efeitos colatorais no bebé? Isso não faz qualquer sentido.
“Parece-lhe um atentado à liberdade da mulher, mas deixe-me dizer-lhe o seguinte: nem todas as situações de gravidez resultam de uma relação casual. Na maior parte dos casos resulta de relações duradouras, em que as pessoas namoram, vivem juntas ou são casadas. Quando isso acontece, as pessoas dedicam tempo, dinheiro, opções de vida que muitas vezes implicam sacrifícios pessoais, profissionais e por vezes até desavenças familiares. Considera que numa situação dessas o homem não tem o direito a exigir que a parceira leve a gravidez até ao fim? Considera que o homem deverá ficar na expectativa da decisão da parceira? Não concordo e não aceito.” Resposta: A situação que refere se foi planeada o problema não se põem. Se a gravidez foi acidental não devia impor o prosseguimento da gravidez contra a vontade da sua companheira. Infelizmente numa sociedade patriarcal como é a nossa em que o homem é o senhor absoluto, em particular, nas camadas mais recuadas da população é isso que acontece. À mulher está cometido o papel de parideiras, de máquinas de fazer filhos (como lhes chamou, creio que o primeiro-ministro do Japão), um papel social de menoridade. Tenho a certeza que não é esse o seu pensamento. Infeliz o exemplo que trouxe.
“Sei bem que normalmente são os homens que preferem fugir às responsabilidades e abandonam a namorada grávida. Pois eu prefiro que se lute por mecanismos legais eficazes que visem proteger as mulheres do abandono. Não tenho dúvidas que o abandono é responsável por milhares de abortos e lutar para proteger as mulheres dessa situação é que seria lutar pela dignidade das mulheres. Levar a tribunal mulheres abandonadas à sua sorte, também para mim é inaceitável e não é isso que eu preconizo.” Resposta: finalmente de acordo!
“Mas não vejo em que é que a liberalização do aborto as vais proteger do abandono. Porventura irá provocar ainda mais abandono, pois se é um direito exclusivo e até pode abortar em hospitais públicos e de borla, para que havemos nós homens de nos chatear com isso. Estás grávida, resolve o problema. Eu não acho que isso dignifique a mulher, você acha?” Resposta: Você tem uma dúvida legítima. Infelizmente situações como a as que refere já acontecem hoje. Em minha opinião a despenalização não banalizará o aborto. Ele está aí todos dias. Para combater o aborto, já o disse mas reafirmo, primeiro é preciso tirá-lo da esfera clandestina para a legalidade e a segurança médica. Depois criar conforme diz e eu concordo, todas as condições possíveis, espalhar centros de apoio e aconselhamento, dar informação, investir na educação sexual a sério, no planeamento familiar, sair dos Centros e ir aos bairros, para que o recurso ao aborto venha a diminuir, através da informação e do acesso das mulheres. A despenalização cria responsabilidade na mulher e não o contrário. A actual situação humilha, culpa-nos a todos, menoriza-nos como pessoas. Dar como opção a clandestinidade é regressivo, ter uma lei que prevê a cadeia para as mulheres e cria culpabilização ás mulheres (porque são elas as expostas) é impróprio de um país civilizado. Quando se fazem em milhares de abortos, morrem ou ficam inférteis mulheres, não podemos dizer que a actual lei é adequada à salvaguarda do embrião e do feto.
“Eu tenho 39 anos, não vivo numa ilha e conheço o suficiente da vida. Acha que não conheço ninguém que tenha abortado? Conheço e estimo, pois algumas até são meus familiares. Não vá por aí, não menospreze a minha inteligência nem tente colocar-se num patamar de superioridade intelectual (“…Cheguei a pensar desistir e arrematar com meia dúzia de palavras mais fortes contra um argumentário tão fraco…”). Isso não é digno.” Resposta: Tem razão. Eu não devia ter ido por aí. Mas começo a ficar farto de quando se diz que nós (Vós) somos a favor da vida, querendo fazer presumir que os outros não o são. Também tinha vindo de um debate em que se disseram as maiores barbaridades. Superioridade intelectual por favor… tenho pouco mais que a escolaridade mínima. Comecei a trabalhar quando devia andar na escola, vou fazer 52 anos, e já cumpri 36 anos de descontos para a S. Social. Mas não propriamente um iletrado, apesar da falta de habilitações académicas. Por fim como diz uma canção do Jorge Palma, “também tive alguma razão. Também tenho alguma razão. Ambos tivemos razão.” Dia 11 de Fevereiro espero que ganhe o Sim. Fiz um esforço para ponto por ponto responder às suas questões, não fugi a nenhuma delas. Muitas coisas ficaram por dizer e algumas respostas suas ficaram por dar. Mas não é fácil manter um debate desta maneira. Gostei de conversar consigo, acredite, sem ponta de ironia.
Chegámos ao dia de referendo e sinto-me grato pelo interesse que este debate espoletou.
Percebo melhor o porquê da confusão e ela resume-se na frase de Santo Inácio de Loyola “para aqueles que querem entender nenhuma explicação é necessária. Mas para aqueles que não querem entender, nenhuma explicação é possível.”-(uma amiga lembrou-me). No entanto foi extremamente enriquecedor.
Estou mais convicto de que o SIM serve melhor a VIDA e assim vou votar… Repito o apelo que muita gente tem feito, VÃO VOTAR.
Obrigado a todos(as), houve momentos únicos, testemunhos de coragem e (com)paixão que vão ficar para a nossa história… minha, pelo menos.
Obrigado e bom referendo.
O Pajo está de parabéns pela criação deste espaço de debate. E estão também todos os que participaram. O debate foi quentinho às vezes, muito emotivo mas também esclarecedor.
E o SIM ganhou.
No entanto, o mapa nacional é bem evidente: o Interior do País deixou bem clara a sua intenção ao votar NÃO. Só em Viseu a diferença foi de 38.5% para o Sim contra os esmagadores 61.5% do Não.
O debate que se coloca daqui para a frente tem a ver como é que a legislação vai ser efectuada e aplicada na prática.
Lanço aqui um desafio, Pajo: actualiza o tema do blog que, cá continuaremos a comentar os diversos pontos da Lei, quando ela entrar em vigor.
Hoje já é o dia seguinte…
A abstenção continua a ser enorme; facto que constitui, se calhar, um tema interessante para ser debatido.
Julgo que se a questão colocada no referendo fosse: “Aceita viver uma nova ditadura em Portugal?” a adesão às urnas seria idêntica.
É neste tipo de situações que a nossa sociedade revela que tem, ainda, um grande caminho a percorrer até poder apelidar-se de “sociedade moderna”.
O SIM ganhou. O NÃO perdeu.
Obrigado a TODOS os que colaboraram no debate: Ajudou-me a conhecer diferentes pontos de vista.
Pajó, aquele abraço.
João Pinto,
Não percebo esse destaque que dá aos resultados do interior do país. Que significado é que quer atribuir? É que não percebo mesmo!
Carlos Alexandre
A abstenção não foi assim tão alta. Longe, mesmo longe da abstenção de 98. Temia o pior. Enfim desta vez o debate foi melhor, menos radicalizado, mais competente. O referendo apela à democracia participada. A democracia participativa é um dos expoentes maiores da qualidade de uma democracia. A democracia representativa, é um escolher quem nos representa. A democracia participativa é uma forma de decisão. Cada um “obriga-se” a ter opinião. Sou um acérrimo defensor da democracia participativa, não apenas na versão do referendo. Num referendo estamos a pronunciarmos sobre questões concretas, ao fim e ao cabo, a dizer que as leis sejam assim ou assado e não apenas “depositar” nos outros a nossa confiança ou crédito, como na democracia representativa. Temos de começar por algum lado. Por isso defendo que a nível do poder local os orçamentos das câmaras, das assembleias, fossem objecto de discussão alargada e não fechada em assembleias de eleitos. Infelizmente,os poderes executivos não querem partilhar a decisão, a discussão e a governação. É uma forma de controle e de criar rede de influências e pequenos poderes que atrofiam e subordinam as populações aos homens do poder. E isso interessa-lhes. Temos que andar muito para que as decisões sejam participadas. Por isso não estranho a participação nestes actos. A nossa cultura é uma cultura de pouca exigência cívica. Por nossa culpa, porque não queremos “chatearmos”, mas essencialmente por culpa de quem detém os poderes. No dia em que o poder local der passos na democracia participativa, as pessoas serão mais exigentes e a nossa democracia irá melhorar.
Creio que, no repto lançado pelo Joel Pinto – “O debate que se coloca daqui para a frente tem a ver como é que a legislação vai ser efectuada e aplicada na prática.” – e nas palavras do Fernando… – “Infelizmente,os poderes executivos não querem partilhar a decisão, a discussão e a governação. É uma forma de controle e de criar rede de influências e pequenos poderes que atrofiam e subordinam as populações aos homens do poder. E isso interessa-lhes. Temos que andar muito para que as decisões sejam participadas. Por isso não estranho a participação nestes actos. A nossa cultura é uma cultura de pouca exigência cívica. Por nossa culpa, porque não queremos “chatear-nos”, mas essencialmente por culpa de quem detém os poderes.” – encontro os fundamentos para o próximo debate alargado.
Os objectivos estão identifidados: PARTICIPAR! (Afinal, é das nossas VIDAS que se trata.)
As dificuldades também: Não interessa ao poder instituido e ‘não queremos “chatear-nos”’.
Acredito no poder da opinião pública mas, temo-a quando desinformada.
O desafio é enorme e o sucesso depende, literalmente, da informação e discussão tolerante, ambiciosa e entusiastica. O resultado não será para nós, será o legado que deixamos… Um Mundo melhor para os nossos filhos e netos.
O PS admite fazer uma proposta conjunta com o PCP e o BE e com contributos dos deputados defensores do «sim», incluindo os do PSD, para a futura lei do aborto. Maria de Belém irá coordenar o grupo responsável por agilizar os trabalhos de elaboração da lei no Parlamento.Osvaldo Castro, presidente da primeira comissão que irá abordar a lei, já confirmou que vai convidar Maria de Belém para coordenar este grupo.
O Partido Socialista mantém assim o seu objectivo de fazer aprovar a futura lei sobre o aborto até ao final desta secção legislativa.
Vamos esperar…
Abraços para todos(as).